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Indonésia: 192 milhões em 1 dia elegem presidente e vice, deputados e autarquias — Sondagem pós-eleitoral dá vantagem a Jokowi 18 Abril 2019

As urnas fecharam às 17 horas locais (oito horas em Cabo Verde) e deve demorar ainda uma semana até que se saiba em definitivo quem ganhou: o atual presidente Joko Widodo, do PDI-P e seu vice Maruf Amin ou Prabowo Subianto e vice Sandiaga Uno, do partido Gerindra? A maior votação do mundo tem cinco boletins em cinco urnas: 192 milhões de eleitores esta quarta-feira, 17, elegeram o presidente da República, o vice-presidente, o parlamento, os governos autárquicos e nacional da Indonésia.

Indonésia: 192 milhões em 1 dia elegem presidente e vice, deputados e autarquias — Sondagem pós-eleitoral dá vantagem  a Jokowi

Os resultados oficiais vão demorar semanas, prevê-se que só em maio haverá resultados definitivos. Daí, a importância da contagem de votos por sondagem à saída da urna que dá vantagem ao presidente atual. O método que usa uma amostragem já provou a sua fiabilidade em anteriores eleições.

A disputa deste 17 de abril entre o presidente e o principal rival repete a de 9 de abril de 2014 em que Joko Widodo (2ªfoto inserida) foi vencedor. Desta vez, ’Jokowi’ tem contra si o facto de ter incumprido metade das promessas de campanha, as que visavam combater a pobreza e "empoderar" a economia nacional. Hoje acusam-no de ter cedido ao poder económico estrangeiro, designadamente ao investimento chinês.

Joko Widodo - os indonésios chamam-no Jokowi — nasceu numa família humilde e começou a despontar em eleições locais. A ascensão crescente fê-lo presidente da capital, Jakarta, em 2012 e dois anos depois elegeu-se para a magistratura máxima.

Segundo o vespertino francês Le Monde, o Jokowi moderado de 2014 parece ter sido obrigado nestas eleições a compactuar com o integrismo muçulmano, demonstrável na escolha do religioso ortodoxo Maruf Amin como vice-presidente.

O conservador Prabowo é o seu oposto: nasceu em ’berço de ouro’, casou com a filha de Suharto, ascendeu a general. Membro da elite política tradicional, conseguiu todavia ilibar-se das acusações de cumplicidade com o regime ditatorial do sogro, caído em 1997. Nesse mesmo ano, o general escolheu o exílio.

Prabowo reemergiu em 2009 e conta com o apoio dos conservadores islâmicos – uma força integrista-ortodoxa ascendente, em contramão da habitual tolerância religiosa associada ao islamismo indonésio.

Dezasseis partidos, dos quais quatro estreantes, participaram nestas eleições a nível nacional — até 1997 havia apenas três partidos autorizados no regime dito democrático do maior país muçulmano.

Voto eletrónico ainda não, vota-se com a unha e sem caneta

As autoridades justificam que a principal razão para se manter este método único de indicar o eleito com a unha – o eleitor (1ªfoto inserida) fura-lhe o rosto! — é que a maioria da população (apesar do analfabetismo inferior a 5%) não sabe usar uma caneta.

A alegada incapacidade de usar uma caneta, dizem, está comprovada no elevado número de votos inválidos nas eleições de 2004 e 2009 — em que se usou pela primeira vez a caneta. Por isso, dizem, o país voltou nas eleições seguintes, de 2014, ao método sui generis.

Mas a introdução do método tem por trás a tortuosa democracia de Suharto que foi presidente de 1967 a 1998 (após liderar o golpe de Estado que depôs Suharno, presidente de 1945 a 1967).

O novo estadista proclamou-se democrático e as eleições sucessivas mostravam isso. O ‘Ocidente’ apoiou o regime “democrático” não obstante as denúncias, de perseguidos e exilados, e a invasão de Timor-Leste condenada pelas Nações Unidas – esta canta-a Ildo Lobo na sua balada de protesto contra o invasor e de apoio a Timor-Leste, “Ask Xanana”.

O mundo ocidental desconhecia que o fundamento ’mais fundo’ do "método da unha" era que este permitia ao Partido Golkar ganhar todas as eleições: sempre que o eleitor escolhia um eleito do outro partido, faziam um novo furo para invalidar esse voto contrário ao regime de Suharto.

Além do Golkar, o PPP-Partido Unido do Desenvolvimento e o PDI- Partido Democrático da Indonésia foram os únicos autorizados a participar nas eleições entre 1971 e 1997.
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Fontes: NDTV/BBC/...Fotos AP: Maioria dos 20 milhões de eleitores da região de Sumatra devem escolher Prabowo Subianto (3ªfoto inserida). Em Sumatra, a maior ilha, dependente das grandes plantações de palmeiras, a crescente crise económica fez emergir os conservadores islâmicos ortodoxos, que culpam o presidente Joko “Jokowi” Widodo pelos baixos preços do óleo de palma no mercado mundial.

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