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Pressão a imprensa privada e jornalismo do Estado: Presidente da AJOC denuncia profissionais que defendem patronatos e políticos em vez de contribuírem para alargar a liberdade de imprensa e de informação 03 Fevereiro 2020

Radicais ao serviço do poder pretendem construir uma narrativa para desacreditar a imprensa livre privada em Cabo Verde, apresentado queixas junto dos tribunais e da Reguladora ARC. Tudo, segundo apurou o Asemanaonline, com o propósito de asfixiar judicial e financeiramente os órgãos que não leiam pela cartinha do atual poder instalado em Cabo Verde. A nível do jornalismo do Estado, há também turbulência, conforme o Presidente da AJOC postou, este Domingo, na sua página de facebook.«Infelizmente, há gente, quando colocada em postos ou no exercício de funções de gestão editorial de órgãos de Comunicação Social (Estado) se comporta não como “cão de guarda” da democracia, dos cidadãos, mas sim de interesses dos patrões, dos governos e dos políticos… em vez de, através do exercício das suas funções, contribuir para alargar a liberdade de imprensa e de informação, a sua actuação vai no sentido contrário… essas pessoas são sempre “mais papistas que o papa», contestou Carlos Santos. Para mais detalhes - espera-se que a ARC esteja mais atenta para não alimentar tal estratégia - leia o post referido, que publicamos a seguir.

Pressão a imprensa privada e jornalismo do Estado: Presidente da AJOC denuncia profissionais que defendem patronatos e políticos em vez de contribuírem para alargar a liberdade de imprensa e de informação

Que os cidadãos critiquem o desempenho dos jornalistas até se compreende, aliás, nunca a profissão de jornalista esteve tão escrutinada como hoje; que os políticos assestem baterias contra os jornalistas e a comunicação social, também se compreende (aliás já estamos habituados e, no fundo, estão a fazer o jogo deles), embora em muitos casos as críticas, infundadas, devam ser rechaçadas, sobretudo quando não visam defender o interesse público e encerram laivos do controlo da liberdade de informação e de cerceamento da liberdade de imprensa...

Agora, uma coisa completamente diferente, é quando há jornalistas, quais snipers, estrategicamente colocados para abater os seus colegas, só porque estes se permitiram exercer a sua liberdade de expressão, participando num espaço mediático de comentários dos assuntos de actualidade... isto é, a todos os títulos, inaceitável. Este tipo de posturas diz muito da nossa classe, infelizmente.

Por que é que um jornalista não há-de de comentar, opinar, analisar assuntos de interesse público? Desde que esse conteúdo ou essa prestação pessoal seja devidamente sinalizado como tal, como opinião, comentário, etc... que não haja confusões entre factos (sempre sagrados) e opiniões (livres), sinceramente não vejo que se possa trazer à colação questões éticas e deontológicas ou de conduta do jornalista.

É por isso que muita gente neste país acha que o papel do jornalista é de um "mosso ou menina de recados"... que se limita a registar as declarações, as afirmações, as opiniões dos outros actores, sobretudo dos políticos, para depois ir transmitir ipsis verbis... sem contextualização, sem interpretação, qual correia de transmissão.

Dá-me a impressão que muita gente anda fechada na crosta da ilha, cega e surda à realidade mediática nesta aldeia global. Basta ligar a SIC Noticias; a RTP, a TVI24, a CNN, a TV5, a BBC- News, só para citar estas, para se ver a quantidade de jornalistas que passa pelos espaços informativos desses órgãos de CS para, justamente, comentar os assuntos de actualidade. Aliás, pela natureza da sua profissão, os jornalistas estão muito bem colocados para exercer as funções de comentador, por várias razões: estão mais bem informados (ou devem estar) sobre os temas e os assuntos que fazem a actualidade mediática; contactam várias fontes sobre um determinado assunto, coligindo vários pontos de vista; não estão atrelados a interesses de nenhuma ordem, quer seja económica, politica, cultura, religiosa, etc., estando a sua actuação escorada em princípios e valores como a independência, a objectividade, a imparcialidade, o rigor e a honestidade intelectual. A tendência do jornalista é, mesmo quando emite a sua opinião ou comenta um determinado assunto, não se apartar dos factos e nem os fabricar para poder encaixar a sua análise.

Infelizmente, há gente, quando colocada em postos ou no exercício de funções de gestão editorial de órgãos de CS se comporta não como “cão de guarda” da democracia, dos cidadãos, mas sim de interesses dos patrões, dos governos e dos políticos… em vez de, através do exercício das suas funções, contribuir para alargar a liberdade de imprensa e de informação, a sua actuação vai no sentido contrário… essas pessoas são sempre “mais papistas que o papa”. É pena. Carlos Santos (Post publicado na página de faceebook)

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