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Inoki campeão de luta corpo a corpo, pela paz põe mesa do diálogo 16 Outubro 2022

O Japão teve um único ídolo assim: Antonio Noki, das lutas marciais e dos diálogos pela paz, praticante de artes marciais nos ringues e promotor da paz em mesas negociais de missões diplomáticas. A Coreia do Norte abriu-se-lhe em 1995, coisa jamais vista, e os norte-coreanos puderam ver pela primeira vez ao vivo um combate de ’pro-wrestling’ entre dois gigantes, um loiro e um japonês.

Inoki campeão de luta corpo a corpo, pela paz põe mesa do diálogo

Antonio Inoki foi o primeiro profissional de Wrestling que entrou no Diet (parlamento japonês), eleito em 1989 e notabilizou-se pelas missões de paz. Como a que o levou em 1990 a Bagdad para dialogar com Saddam Hussein. Ou a que em 1996 o levou à capital norte-coreana Pyongyang para dar aos norte-coreanos o seu primeiro pro-wrestling entre dois campeões mundiais.

Reza a biografia de Inoki que, nesse encontro com o presidente iraquiano, o enviado japonês aceitou as duas condições impostas por Saddam. Uma, aprender sobre o Islão – o que o levaria a converter-se muito depois, em 2013. Outra, levar uma delegação japonesa ao ‘Festival pela Paz’. Com isso, Inoki conseguiu levar para casa 36 dos 41 cidadãos japoneses que estavam nas masmorras iraquianas.

Cinco anos depois da missão iraquiana, Antonio Inoki leva à República Popular Democrática da Coreia em 1995 o primeiro combate pro-wrestling. Cento e dez mil pessoas num pavilhão da capital, Pyongyang veem o seu primeiro combate desta arte marcial. Inoki contra o norte-americano Flair. O nipónico mede mais de um metro e noventa: um gigante como o seu 1,80 m aos 13 anos já indicavam.

A novidade corre o mundo. Tanto mais que entre a assistência está o lendário Muhammad Ali. O pugilista que Inoki enfrentou em Tóquio em 1976, num combate que ainda hoje ninguém consegue dizer quem venceu: Inoki resolveu boicotar as regras “injustas” e combateu o tempo todo sem se levantar. Foi sentado e de cócoras que atirou pontapés às pernas do campeão mundial e contribuiu assim para o incapacitar para o resto da vida. Mas em 1995 são amigos para sempre.

“Um trabalho de escravo debaixo do sol a 45 ºC”

Antonio Inoki é o nome artístico do nascido Kanji Inoki no Japão nesse ano prévio às duas ‘nukes’ (bombas nucleares). É o décimo de onze filhos numa família abastada de Yokohama, o pai é político e próspero homem de negócios. Mas a situação muda com a morte do pai em 1948 e a família divide-se entre os que ficam (a avó e as quatro irmãs Inoki) e os que emigram.

Rumo aos cafezais do Brasil seguem de barco a mãe e os sete rapazes com o avô Inoki – mas que morre na viagem.

“Um trabalho de escravo debaixo do sol a 45 ºC”, contou Inoki, “que me endureceu e ajudou a ser o que sou hoje”.

Foi no Brasil que, aos 17 anos, Inoki é descoberto por um dos mais importantes pro-wrestlers do Japão. Volta, asim, ao seu país natal onde vai tornar-se uma celebridade nos ringues.

Outubro de tributos de toda a Terra

Os jornais desportivos do Japão dedicaram a sua primeira-página no dia seguinte ao falecimento de Antonio Noki (02.02.1943-01.10.2022) por "falha cadíaca".

O ídolo impactou multidões amantes do desporto de combate pro-wrestling, modalidade nascida na França mas desenvolvida nos Estados Unidos e que Inoki promoveu como praticante e produtor durante décadas.

Do universo pro-wrestling chegaram mensagens de condolências a Tóquio — onde Inoki deixou um único filho — expressas por astros da modalidade como os americanos Hulk Hogan, Sting, Ric Flair.

Vida eterna ao grande Antonio Inoki, cujo impacto no Japão se repercutiu em todo o mundo com adeptos do pro-wrestling.

Fontes: Japan Times/ AP/AFP. Fotos (Getty): Antonio Inoki e Muhammad Ali. O presidente norte-coreano pai de Kim Jong-Un eleva os braços dos dois lutadores Inoki (vencedor) e Flair.

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