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Interdição da apanha de areia nas praias de São Filipe: Forte pressão sobre a Câmara e Delegação Marítima para anular a medida 12 Abril 2019

Há décadas que a apanha de areia constitui uma fonte de rendimento para o sustento de muitas famílias no Fogo, mas neste momento esta atividade está suspensa nas praias de São Filipe. Uma situação que vem gerando alguma polémica na ilha, principalmente na cidade dos sobrados. Por isso, regista-se atualmente uma grande pressão de empresários e camionistas sobre a Câmara Municipal e a delegação Marítima por causa da suspensão, há vários anos, da apanha desse inerte natural na praia de Fonte Bila. Mas o que mais deixa os camionistas indignados tem a ver com o facto de a Câmara de Jorge Nogueira continua a fazer, de forma normal, a exploração da mesma inerte para o uso nas suas construções.

Por: Nicolau Centeio

Interdição da apanha de areia nas praias de São Filipe: Forte pressão sobre a Câmara e  Delegação Marítima para anular a medida

André Fonseca Pires, proprietário e camionista, é uma das vozes críticas do movimento de descontentes com o caso em apreço. Em declarações ao ASemanaonline, diz estar indignado com a situação. “Estamos à espera pela resolução do problema o quanto antes para permitir a muitos chefes de família ter meio de sobrevivência”, avisa.

André afirma que tem na sua posse licenças de exploração que atingem o valor de 20 mil escudos, “mas há quem tem mais”. Já os camionistas, que estão parados há vários meses e descontentes com a situação, dizem não acreditar que a suspensão possa ser levantada antes das festas da bandeira e do Município de São Filipe - uma época de grande procura da areia com a chegada dos emigrantes que procuram iniciar ou concluir as suas obras.

Segundo alertam outros camionistas, o que mais deixa indignados é o facto de a Câmara de São Filipe estar a fazer a exploração de areia normalmente, numa das praias de São Filipe, para uso nas suas construções. “Temos fotos e vídeos do carro da Câmara a apanhar a areia. Mas nós estamos interditado a fazer o mesmo. Todos nós temos as nossas responsabilidades. A economia da ilha e a construção civil está bastante afectada com esta interdição da apanha da areia”.

Apesar da insistência deste jornal, não foi possível, até o fecho desta edição, ouvir a versão do presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Jorge Nogueira, sobre esta situação. Havendo a reacção dele, prometemos retomar a matéria numa das próximas edições deste diário digital.

Entretanto, dados estatísticos da Agência Marítima Portuária (AMP) indicam que, anualmente, mais de 10 mil metros cúbicos de areia são extraídos da praia de Fonte Bila e que a tendência é para aumentar de ano para ano, à medida que multiplicam as construções.

Há alguns anos, a areia utilizada na construção civil nos três municípios da ilha do Fogo, quer para obras de empresas quer para particulares, é extraída quase na sua totalidade na praia de Fonte Bila. Mas a apanha deste inerte encontra-se suspensa há vários meses. Daí a grande pressão junto da Câmara e de autoridades marítimas por parte de empresários da área de construção civil, de particulares e camionistas para a anulação da medida.

Segundo fontes deste jornal, os ambientalistas e banhistas estão , no entanto,satisfeitos com a interdição da apanha de areia na praia de Fonte Bila. Por isso, defendem outras soluções para evitar mais pressão sobre a própria praia -uma das mais utilizadas por residentes nesta época balnear.

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