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Interpol tira terrorista da lista de ’procurados’ — "Agora posso sorrir", disse Ahmal Tamimi 07 Abril 2021

A Interpol acaba de anular o mandado de detenção internacional contra a palestino-jordana Ahlam Tamimi, que em 2001 aos vinte anos era estudante de jornalismo e participou no atentado bombista da pizzaria Sbarro em Jerusalém que matou 15 pessoas, sete delas crianças e deixou 135 feridos. Vinte anos depois de condenada a "16 penas perpétuas" e dez anos depois de libertada numa troca de prisioneiros entre Israel e Palestina, Ahlam tem a ficha limpa na Interpol mas continua na do FBI.

Interpol tira terrorista da lista de ’procurados’ —

A "Ahlam Tamimi deixou de constar na lista vermelha da Interpol", informou de modo lacónico a entidade no mês transato, após apagar do seu site o alerta sobre a cidadã palestino-jordana, enquanto orquestradora do atentado terrorista de há vinte anos em Israel (foto à direita), foi apagado .

Desde 2011, ano em que foi libertada após cumprir dez anos de dezasseis penas "perpétuas, irrevogáveis", Ahlam Tamimi tornou-se a estrela da televisão pública do reino da Jordânia. OS críticos apontam que "a sua fama atual resulta do seu passado criminoso".

Em 09 de agosto de 2001 depois de levar o terrorista-suicida ao local, ela apresentou a reportagem (foto inserida) do atentado à pizzaria Sbarro em que morreram quinze pessoas, sete ou oito delas crianças. Foi detida no mês seguinte e condenada em 2003 a dezasseis penas perpétuas.

Libertada em 2011 e deportada para a Jordânia, Ahlam tinha em Amã uma multidão à sua espera no "Aeroporto Internacional Rainha Ália". Era a sua consagração pública como "combatente da liberdade da Palestina".

Nesta primavera de 2021 em que a Interpol a retirou do alerta vermelho e lhe limpou a ficha criminal, o FBI continua a mantê-la na sua lista de "Mais procurados". As autoridades estadounidenses querem que a Jordânia extradite Ahlam para ser julgada pela morte de Malki Roth, de 15 anos, entre os dois cidadãos dos Estados Unidos vitimados mortalmente nesse atentado de agosto de 2001.

16 perpétuas e uma troca

Ahlam Tamimi, de 20 anos, foi condenada por um tribunal militar do Estado de Israel a dezasseis sentenças "perpétuas, irrevogáveis". Estava presa quando estabeleceu comunicação com um segundo-primo, Nizar Tamimi, também preso por terrorismo em solo israellita, que vitimou um estudante. Acabaram por ficar noivos.

Em 2011 o par estava entre os mais de mil palestinos libertados numa troca de prisioneiros, em que do outro lado estava o soldado israelita Gilad Shalit capturado pelo Hamas. O seu casamento (foto) em 2012, em Amã, foi transmitido ao vivo na televisão pública do reino da Jordânia.

Entretanto, o processo contra Ahlam Tamimi prosseguia nos Estados Unidos. Em 14 de março de 2017, o Departamento de Estado anunciou "uma recompensa de cinco milhões de dólares a quem fornecesse informação relevante para a prisão" de Tamimi.

A Jordânia que sempre recusou extraditar Tamimi replica que o parlamento nunca ratificou o Convénio de Extradição de 1995 entre os dois países. O ato seguinte foi a retirada de Tamimi da lista da Interpol-Jordânia.

BBC provoca indignação com ’entrevista acrítica’

Há cinco meses, a entrevista da BBC a Ahlam Tamimi causou tanta indignação no Reino Unido que o diretor de programação veio a público desculpar-se pela "falha em cumprir os padrões" da emissora.

A questão foi levada ao parlamento britânico pelo Partido Conservador. Bob Blackman, deputado e presidente da associação Amigos de Israel no Partido Conservador/Friends of Israel, exigiu ao diretor-geral da BBC, Tim Davie, que dirigisse um pedido de desculpas às famílias das vítimas de Ahmal Tamimi.

O responsável pelo departamento BBC World Service , Jamie Angus, confirmou que "a transmissão tal como foi violou o código editorial".

"Ahlam Tamimi foi condenada por crimes graves, por isso não devia ter sido um tema adequado", afirmou Angus em 25 de outubro passado.

Entre os indignados com a reportagem, está um pai que perdeu a filha de quinze anos. Para o cidadão israelo-americano Arnold Roth, pai de Malki, o pedido de desculpa da BBC "foi oco, cruel e sem sentido".
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Fontes: Times of Israel/Washington Post/Reuters/BBC. Fotos: Ahlam Tamimi, aos 20 anos, levou o bombista-suicida à pizzaria Sbarro e depois transmitiu o acontecimento para a TV da Palestina. Casamento em 2012 com o primo Nizar Tamimi, após a libertação de ambos numa troca de prisioneiros.

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