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Investimento chinês em Angola mais do que duplicou desde 2020 - Câmara Comércio 14 Janeiro 2023

O investimento chinês em Angola mais do que duplicou desde 2020, com uma melhoria também nas trocas comerciais, refletindo uma relação “consistente” e que vai ser revitalizada com a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês ao país.

Investimento chinês em Angola mais do que duplicou desde 2020 - Câmara Comércio

Em entrevista à agência Lusa, no dia em que Angola e China celebram 40 anos de relações diplomáticas, o presidente da Câmara de Comércio Angola-China (CAC), Luís Cupenala, considerou que as relações entre os dois países foram estabelecidas para o benefício mútuo e têm sido consistentes.

A efeméride coincide com a chegada do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, a Angola, país que integra o seu roteiro de visitas em África.

Cupenala descreveu 2022 como um “bom ano” em termos das parcerias comerciais, com as trocas entre os dois países a atingirem cerca de 23 mil milhões de dólares (cerca de 21,3 mil milhões de euros) até outubro, enquanto o fluxo do investimento privado chinês mais do que duplicou entre 2020 e 2022, passando dos 125 milhões de dólares (115 milhões de euros) em 2020 para 295 milhões de dólares (273 milhões de euros) no ano passado.

O stock de investimento situou-se nos 24 mil milhões de dólares (22,2 mil milhões de euros), incluindo o setor petrolífero.

“A melhoria é constante, apesar das dificuldades que o mundo vive”, salientou o empresário, realçando a dinâmica do setor privado, com empresas chinesas em setores-chave da economia angolana, que não deverá sofrer alterações significativas, apesar da conjuntura internacional e das incertezas sobre a covid-19.

“Em 2020, não conhecíamos [a doença], as respostas que foram encontradas para lidar com a matéria foram muito complexas”, admitiu, acescentando que há hoje mais “maturidade” sobre a forma como se encara a pandemia, adotando-se “medidas paliativas para mitigar o risco”.

Sobre a visita do Qin Gang a Luanda, afirmou que expressa o posicionamento da China no mundo, em África e em Angola, “um parceiro estratégico da China”, sendo “uma forma de revitalização das relações que a China quer construir com África” e, no caso de Angola, um marco do 40.º aniversário das relações entre os dois países que exige um “diálogo permanente”.

“Acho que essa visita vai permitir revisitar a agenda de cooperação, a melhoria de pontos de vista e a mudança do quadro de cooperação em alguns pontos”, ajudando a refletir sobre os benefícios de uma relação ao longo das quatro décadas e agregando valor aos processos de diversificação e industrialização de Angola, disse.

Tudo isso precisa de uma agenda de concertação, notou, acrescentando que deve ser usada a experiência chinesa para transformar Angola “num país próspero onde cada cidadão, de acordo com o seu potencial, pode fazer as suas realizações.

O empresário frisou que Angola precisa de uma “cooperação sã” com países que trazem recursos financeiros e capital humano, ‘know-how’ e tecnologia, para transformar os seus recursos em bens e serviços, e rejeita desequilíbrios na relação da China com os países africanos.

“Cada país tem a sua visão” e os países africanos são “soberanos e escolhem as relações que mais beneficiam os seus países”, afirmo o líder da CAC, acrescentando que num mundo de “muita competição” se usam mensagens para criar “um estado psicológico” desfavorável ou favorável a certos países.

“São ciúmes. O mundo tem muitos ’players’ e África é um continente com muitas riquezas”, comentou.

“Não acho que países independentes, com soberania, com visões muito bem estruturadas se sintam colonizados pelos outros países. Os contratos são definidos, negociados na proporção dos benefícios comuns”, disse.

Além disso, a falta de transparência no conteúdo dos contratos não é um problema dos chineses, e sim dos líderes africanos, “que precisam de ser muito patriotas e amar os seus países”.

“O problema não é da China, nem da Europa, nem da América, o problema é a forma como as relações devem ser estruturadas. Não podemos culpar outras pessoas pela má gestão da minha casa, devemos organizar-nos para que aqueles que venham respeitem aquilo que nós temos como identidade na própria casa. Se não tivermos isso, as relações podem ser problemáticas”, comentou.

Desvalorizou, por outro lado, o elevado peso da dívida de Angola para com a China, lembrando o apoio financeiro que este país deu, no final da guerra, para a reconstrução nacional.

“É uma dívida que existe e quem deve, deve pagar. Angola está a servir a dívida, não vemos qual o problema que pode trazer para Angola, a não ser que haja um ‘default’”, atirou.

Sobre os casos judiciais ligados a empresas chinesas que alegadamente envolveram desvios do erário, como os que envolvem o ex-vice-presidente Manuel Vicente e a empresa chinesa CIF, sublinhou que os problemas de corrupção estão entregues à justiça e não afetam as relações entre os dois países.

Em Angola operam atualmente centenas de empresas chinesas, muitas delas agregadas nas sete associações empresariais existentes, ligadas às suas províncias de origem.

Segundo o líder associativo, alguns dos problemas associados a empresas chinesas em Angola, relativamente aos quais a CAC tem feito um diagnóstico e está a prestar assistência jurídica e financeira, prendem-se com desconhecimento da lei, enquanto os conflitos laborais resultam essencialmente de “questões culturais”.

No entanto, há empenho na melhoria das condições de trabalho e salariais e os líderes empresariais chineses estão “muito flexíveis para cooperar”, já que têm um interesse de longo prazo em Angola.

A CAC está também a recolher dados sobre o número de trabalhadores que estas empresas empregam, mas Luís Cupenala, disse que, em geral, empregam pouca mão-de-obra chinesa porque entenderam que “é necessario transferir conhecimento, tecnologia e ’know how’ aos angolanos”.

Construção, imobiliário, agricultura e agroindústria, indústria extrativa, fabrico de equipamentos elétricos, telecomunicações e saúde são algumas das áreas dominantes do investimento chinês em Angola.

A Semana com Lusa

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