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Irão: Detida de novo advogada Nasrin Sotoudeh, Prémio Sakharov 2012 14 Junho 2018

“Há uma hora, vieram à nossa casa buscar a Nasrin e levaram-na para a prisão de Evin”, escreve o marido Reza Khandan, esta quarta-feira, 13, no Facebook. Evin é a prisão política ’bem conhecida’ da advogada de presos políticos e ativista dos Direitos Humanos, que aí já esteve presa várias vezes, a mais longa entre 2010 e 2013.

Irão: Detida de novo advogada Nasrin Sotoudeh, Prémio Sakharov 2012

A advogada Nasrin Sotoudeh, de 55 anos, uma das raras ativistas dos Direitos Humanos no Irão, já tinha sido detida em fevereiro último por defender um grupo de 29 mulheres acusadas de liderarem manifestações contra o uso obrigatório do lenço de cabeça, instituído no Irão desde a ascensão ao poder dos aiatolas em 1979.

Ao noticiar a prisão da esposa, esta manhã de quarta-feira, Khandan escreveu no Facebook: «Uma vez eu disse aos investigadores na sala de interrogatório: " De todo o trabalho que o governo tem de fazer por este país, vocês só conseguem fazer um, que é prender pessoas injustamente”».

Várias detenções, a mais longa 2010-13

A advogada que em 2009 defendeu jornalistas e ativistas — entre os quais a ‘Nobel da Paz 2003’ Shirin Ebadi presa com outros dissidentes durante os protestos massivos que abalaram o Irão — foi por isso acusada de “ações contra a segurança do Estado”. Ebadi conseguiu fugir e teve direito de asilo na Inglaterra.

Condenada a cumprir onze anos na prisão política de Evin, Nasrin por duas vezes entrou em greve de fome. Uma em protesto contra as condições da prisão e outra pelo direito a receber visitas dos filhos. As autoridades acabaram por permitir que as duas crianças menores visitassem a mãe.

Foi na prisão política, alcunhada ‘Universidade Evin’, pelo grande número de intelectuais ali detidos em mais de quarenta anos, que recebeu a notícia de que o Parlamento Europeu lhe atribuía, em parceria com o seu conterrâneo Jafar Panihi, o ‘Prémio Sakharov 2012’, que reconhece o combate pela liberdade e democracia.

A condenação de 2010 inclui a proibição até 2022 de Sotoudeh defender casos políticos e também de sair do país. Foi libertada em setembro de 2013, pouco antes de o recém-eleito presidente Hassan Rouhani, que prometera melhorar os Direitos Humanos no país, ter sido recebido na ONU.

Fontes: AFP/ Outras referidas. Foto (AFP): Nasrin e Reza, que se diz perplexo porque "este governo, em vez de premiar a Nasrin por defender os valores nacionais que estão na Constituição, manda prendê-la".

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