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Irão: Khamenei legitima presidente-eleito Raisi — Filho do último xá prevê queda iminente do regime: "Nada de boias de salvamento", apela à UE e EUA 05 Agosto 2021

Em Teerão, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, reconheceu o presidente-eleito Ebrahim Raisi nesta terça-feira, dois dias antes da tomada de posse oficial do 8º presidente da República Islâmica Iraniana. Entretanto na capital dos Estados Unidos, Reza Pahlevi, fortalecido pela larga abstenção (50%) e pelos protestos em todo o ex-Império Persa, apela à comunidade internacional: "Nós, iranianos, podemos dar [ao regime dos aiatólás instituído em 1979] o golpe de misericórdia", "só precisamos que o resto do mundo não atire uma boia" à moribunda República Islâmica prestes a colapsar.

Irão:  Khamenei legitima presidente-eleito Raisi — Filho do último xá prevê queda iminente do regime:

A abstenção foi a grande vencedora na eleição presidencial de 18 de junho (Presidencial no Irão: Juiz clerical Ebrahim Raisi eleito). É a primeira vez nos 42 anos da existência da República Islâmica Iraniana que tal se viu: quase 50% dos eleitores iranianos abstiveram-se de ir votar. Um boicote, como apelou o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad (2005-2013) — com 70% nas sondagens antes de o Conselho dos Guardiães o impedir de concorrer.

Motivo? Entre outros, será a resistência popular contra o dictamen do Conselho dos Guardiães que desqualificou dez candidatos, entre eles os mais fortes contra o juiz clerical protegido do supremo líder. Ebrahim Raisi — que nesta controversa eleição obteve 72,5% dos votos contra três candidatos — é o primeiro presidente iraniano a ser alvo de sanções dos Estados Unidos, impostas em 2019, pelo seu suposto papel nas execuções em massa e por reprimir protestos públicos.

O Irão republicano também assiste aos protestos mais desesperados, os mais recentes devido à escassez de água em todo o país. E há quem aponte, ainda, a incessante luta, travada desde 1979 pelo Irão progressista (contra o regime islâmico opressor), simbolizável no drama da jovem Sahar Khodayari (Morreu iraniana que se autoimolou frente ao tribunal que a condenou por ter tentado entrar num estádio de futebol masculino, 11.set.019).

Outra perspetiva sobre o sofrimento do povo iraniano, segundo destacou o número-1 do regime no discurso de reconhecimento do presidente-eleito Ebrahim Raisi, aponta duas principais causas. Uma, as sanções dos Estados Unidos que nos últimos quatro anos recrudesceram e devastaram a economia iraniana. Outra, a pandemia de Covid que hoje atingiu 39 mil casos diários.

Esta terça-feira, Ali Khamenei aponta a Ebrahim Raisi as prioridades da sua presidência: uma, "empoderar os mais pobres dos iranianos" e, outra, "empoderar a moeda nacional", o rial/riyal.

Subjacente a esta linha orientadora, está a necessidade de "conduzir a economia nacional segundo a vontade iraniana, não dependente do estrangeiro", afirmou o supremo líder Khamenei.

Esta afirmação soberana nacional surge contudo neste contexto nebuloso que rodeia o acordo nuclear, pelo qual seriam (mesmo se apenas parcialmente) levantadas as sanções ao Irão em troca da cessação do projeto nuclear iraniano.

Este regresso ao tratado de 2015 podia ser, "nesta iminência de naufrágio", a tal boia de salvação ao Irão — de que a República tanto necessita e que tanto temem os oponentes no exílio que reconhecem em Pahlevi o líder.

"Nós, iranianos, podemos dar [ao regime dos aiatólás instituído em 1979] o golpe de misericórdia", apela Reza Pahlevi, confiante em que "só precisamos que o resto do mundo não atire uma boia" à moribunda República Islâmica prestes a colapsar.


Divisão sulfurosa

A cerimónia inaugural da presidência de Ebrahim Raisi, nesta quinta-feira, 5 está a delimitar os dois campos: entre os pró e os contra o regime conservador no Irão.

A União Europeia manda um enviado-especial? Israel posiciona-se vociferante contra Bruxelas. Os Estados Unidos enviam um representante diplomático? Indignam-se republicanos, ativistas diversos (direitos humanos, feministas, progressistas...). Israel clama contra "a legitimização do regime terrorista que a Casa Branca de Joe Biden está a realizar".

Setenta e três países estão representados na tomada de posse de Raisin, perante o parlamento e perante o Conselho de Guardiães. As 115 personalidades estrangeiras, segundo anunciaram na 2ªfª, 2, os Majlis (líderes parlamentares) da comissão organizadora, incluem dez chefes de Estado, 20 líderes parlamentares, 11 ministros dos Negócios Estrangeiros, dez ministros e os demais são enviados-especiais.

Israel pede intervenção do Conselho de Segurança da ONU

Para incendiar mais a situação, acontece na sexta-feira o ataque no Golfe de Omã supostamente por forças com ligações ao Irão, contra o petroleiro Mercer Street com ligações a Israel. Na mesma altura, o Reino Unido aponta o envolvimento de Teerão no ataque por drone que matou dois tripulantes, um deles cidadão britânico.

O chefe do governo israelita ameaça Teerão: "Não pode pensar que vai incendiar todo o Médio Oriente a partir de Teerão. Nós não vamos deixar", afirma Bennett.

Os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, Benny Gantz e Yair Lapid, pedem a intervenção da ONU, através do Conselho de Segurança.
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Fontes: Tehran Times/Xinhua/Washington Post/Jerusalem Post/Haaretz. Relacionado: Irão: Herdeiro do trono do ex-Império Persa diz que República Islâmica vai colapsar —Irá?, 24.jan.020; Suécia julga juiz iraniano participante em massacre de 1988 — 33 mil execuções, 4.482 estudantes, 03.ago.021. Fotos: Reza Pahlevi, herdeiro presuntivo do Ex-Império Persa. Ali Khamenei, Supremo líder (aiatolá). Presidente-eleito Ebrahim Raisi.

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