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Irmã de Kennedy que ajudou à paz na Irlanda do Norte morre aos 92 anos 19 Junho 2020

Jean Kennedy Smith foi embaixadora na Irlanda, nomeada pelo presidente Bill Clinton, na década de 1990.

Irmã de Kennedy que ajudou à paz na Irlanda do Norte morre aos 92 anos

Airmã mais nova do ex-presidente John F. Kennedy, que na década de 1990 foi a primeira mulher da sua geração da família a ter um cargo político quando foi nomeada embaixadora na Irlanda, morreu esta quarta-feira aos 92 anos, em Nova Iorque. À frente da embaixada de Dublin ajudou a desenhar a paz com a Irlanda do Norte.

Jean era a última dos nove irmãos, filhos de Joseph Patrick Kennedy (que foi embaixador no Reino Unido) e Rose Kennedy, que ainda estava viva. A sua morte foi confirmada pela filha Kym ao The New York Times. Entre os irmãos estava John F. Kennedy, o presidente que foi assassinado em 1962, assim como o senador Robert F. Kennedy, morto em 1968.

Em 2016, publicou as suas memórias: "The Nine of Us" (nós os nove, numa tradução livre em português), escrevendo que a sua infância foi "nada excecional". Conhecida durante a maior parte da vida como "a irmã calma" que não gostava dos holofotes, Jean casou com um conselheiro financeiro da família e futuro chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Edward Smith, em 1956. Tiveram quatro filhos.

Apesar de nunca ter concorrido a nenhum cargo público, participou nas campanhas dos irmãos, e só teve um papel ativo na política já em 1993, quando foi nomeada embaixadora pelo presidente Bill Clinton. Este disse que ela era "tão irlandesa como um americano pode ser". O bisavô era da Irlanda e ela tinha acompanhado o irmão na visita de Estado que ele fez ao país.

Jean tinha então 65 anos. Como embaixadora, segundo a agência de notícias AP, desempenhou um papel crucial no processo de paz da Irlanda do Norte, tendo convencido Clinton a dar um visto a Gerry Adams, o líder do Sinn Féin (ligado ao IRA), em 1994. Adams era considerado pelos britânicos como um terrorista. Seis meses depois, foi assinado o cessar-fogo e em abril de 1998 os Acordos de Sexta-Feira Santa que puseram fim ao conflito.

Em dezembro de 1998, gerou controvérsia quando comungou numa catedral protestante de Dublin, indo contra o que os bispos católicos (e ela era católica) diziam.

Quando deixou o cargo de embaixadora, recebeu a nacionalidade irlandesa por "serviços distintos à nação". Fonte: DN

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