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Israel: 20 ultra-ortodoxos agridem passageira por estar sentada à frente 06 Agosto 2022

"Nestes dois anos que faço o percurso entre Elad e Jerusalem, ida e volta, recebi muitos insultos verbais de base religiosa, mas esta é a primeira vez que sou agredida fisicamente", disse a mulher vítima de um grupo de 20 ultra-ortodoxos, todos homens, que no primeiro dia desta semana judaica se juntaram, com insultos verbais e agressões físicas, para obrigar a passageira a sair do seu lugar na primeira fila do autocarro.

Israel: 20 ultra-ortodoxos agridem passageira por estar sentada  à frente

A passageira narrou o acontecido à televisão Ynet: "Estava no autocarro da carreira Jerusalém-Elad quando entrou um grupo de vinte homens e decidiram que eu não podia estar na primeira fila".

"Fico sempre à frente porque atrás enjoo e até chego a vomitar", contou ela que faz o percurso há dois anos.

Por isso, recusou deixar o lugar. Começaram a chover insultos, entre os quais o pejorativo "gentia" — utilizado para quem não é (ultra-)ortodoxo, mas "gentio" — portanto uma discriminação baseada na pertença religiosa.

"Começaram depois a puxar-me o cabelo, cada vez com mais força. Quando tentei chamar a polícia, impediram-me de usar o telemóvel".

A empresa de autocarros ouvida pela Ynet expressou "total repúdio" pelo sucedido e "lamenta profundamente a vitimização das passageiras", pelo que está a cooperar com a Polícia Nacional" para impedir a ocorrência de casos semelhantes".


Autocarros velhos castigam utentes

A empresa decidiu, segundo os lesados "como medida punitiva" visando a comunidade de ultra-ortodoxos, repescar autocarros velhos para substituir os danificados. Mas todos os utentes estão a sofrer, como pessoas da minoria não-haredim expressaram junto à imprensa da referência.

"Nós, cidadãos de bem, estamos a ser também castigados. Andamos agora em autocarros velhos que estão sempre a parar por avaria, não têm nenhum conforto, não têm ar condicionado quando os termómetros chegam a mais de 40 ºC!", diz um passageiro.

Outro pede: "Mandem os vossos repórteres ver o que se passa nas carreiras 417, 418, 497" que servem a área metropolitana de Jerusalém — que os líderes das três religiões monoteístas proclamam ser a sede ecuménica, mas que é cada vez mais lugar de confrontos sectários.

Fontes: Haaretz/CNS/Ynet.il. Fotos(AFP/Getty): Homens da comunidade haredi do estrato etário 25-34 anos mantêm profissões seculares a par de práticas religiosas fundamentalistas, segundo estudos recentes sobre o crescimento da intolerância no Estado de Israel. As mulheres do grupo religioso ultra-ortodoxo, designadas "Neshot Ha Shalim/mulheres de xaile (tapadas)", cobrem-se completamente, as adultas com roupa preta.

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