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Israel: Ministro da Saúde facilitou fuga à israelo-australiana Malka Leifer alegada pedófila  20 Agosto 2021

Yaakov Litzman, líder do partido ultraortodoxo UTJ-’União da Torá Judaica’ da coligação governamental e então ministro da Saúde de Israel, está prestes a ser indiciado após uma investigação policial indicar que "pressionou o corpo médico para falsificar as avaliações psiquiátricas de Malka Leifer, no intuito de travar a extradição" pedida pela Austrália contra a alegada pedófila. Treze anos depois de ter com manobras jurídicas eludido a sua extradição, Malka Leifer foi apresentada num tribunal australiano, como indiciada por 74 crimes de cariz sexual cometidos entre 2003 e 2008. As vítimas são oito menores que estudavam na secção feminina da escola de confissão judaica ortodoxa, na província australiana de Victoria.

Israel: Ministro da Saúde facilitou fuga à israelo-australiana Malka Leifer alegada pedófila 

O sistema de justiça israelita já tinha sido criticado pela alegada proteção de que Malka Leifer disfrutou durante mais de uma década. A ex-diretora da Adass Israel School, escola religiosa ultraortodoxa em Melbourne, Austrália, conseguiu durante anos evitar ser extraditada de Israel para a Austrália, o país que a acusa de ter cometido setenta e quatro crimes de agressão sexual a menores sob a sua guarda.

O caso judicial começou em 2007, após uma antiga aluna, que se tinha mudado para Israel com o marido após o casamento em 2006, começar a ter problemas psicológicos. As consultas com o especialista mostram que ela tem pesadelos recorrentes a respeito da vivência no colégio onde completou o ensino secundário.

Em fevereiro de 2008, o profissional contacta uma colega em Melbourne. A psicóloga australiana decide falar com uma professora da escola. A comunicação faz-se entre a escola e o profissional em Israel.

A escola entende que sim, que houve "comportamentos inapropriados" e que a diretora "ultrapassou limites importantes" — o que ela nega veemente com a afirmação: "Conseguiram destruir todo o mérito do trabalho de uma vida".

Na noite do dia em que três alunas registaram a queixa junto da polícia, Malka viajou para Israel. Para isso contou com a ajuda da esposa do presidente da escola que lhe comprou cinco passagens aéreas para viajar com quatro dos seus oito filhos (os outros mais velhos ficaram com o pai).

A polícia não foi informada, como deveria ter sido, o que levará a acusações subsequentes de que a escola encobriu os atos da diretora suspeita de ter entre 2003 e 2008 cometido um total de 74 crimes de cariz sexual, vitimando oito menores que estudavam na secção feminina da escola de confissão judaica ortodoxa, na província australiana de Victoria.

Em 2013, a justiça australiana — que apurou haver outras vítimas, todas alunas no período em que Malka ensinou e dirigiu a escola feminina — dirigiu à contraparte israelita o pedido de "extradição para Malka Leika acusada de 74 crimes".

Em 2014, a justiça do Estado de Israel anunciou que a acusada tinha sido detida. Durante anos, o pedido de extradição foi sendo protelado com diligências legais.

Em janeiro de 2020, a alegada pedófila foi condenada à extradição. A decisão foi suspensa, travada por novo recurso da defesa, que recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça de Israel.

Treze meses decorridos, o Supremo autorizou a extradição, que se efetivou em fevereiro (foto do embarque). Apresentada em abril ao tribunal de Melbourne, a alegada pedófila continua detida sem direito a habeas corpus ate à próxima audiência em setembro.

Fontes: The Times of Israel/Haaretz/abc.net.au/Jerusalem Post. Relacionado: Israel vai extraditar agressora sexual para Austrália — Malka Leifer acusada de 74 crimes, 10.jan.020. Fotos: Yaakov Litzman líder do partido ultraortodoxo UTJ. A fugitiva suspeita de pedofilia entra no avião para a Austrália, o destino final do voo que partiu de Israel, com escala em Frankfurt.

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