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Israel: Netanyahu é 1º com 30 em 4ªs eleições em 23 meses — Incerteza se governará, se coligará com Yamina, árabe Ra’am ou... Gantz 26 Mar�o 2021

O impasse registado desde abril de 2019 não vai terminar e teme-se a inevitabilidade das quintas eleições em dois anos. É que o quarto dia, pós-eleitoral, os votos validados pela autoridade eleitoral dão o Likud como o vencedor com 30 dos 120 assentos no Knesset (parlamento), seguido de longe pelos também partidos de direita Yesh Atid com 17 lugares, Shas 9, Azul e Branco 8. Seguem-se o Labor de esquerda 7, os conservadores e religiosos Yamina 7, UTJ-Torah do Judaismo Unido 7, o centro-esquerdista Yisrael Beytenu 7, Lista Conjunta 6, Nova Esperança 6, Partido Zionista Religioso 6, Meretz 5 e Ra’am 5. Netanyahu vê a queda estrondosa do partido de Gantz, Azul e Branco, com quem desfez a coligação que protagonizou a inédita governação alternativa. Incertezas: irá ’Bibi’ Netanyahu obter apoios para se manter no poder? Com quem se coligará? Com o ’Ra’am’ partido conservador árabe liderado por Mansour Abbas ou com Gantz, ou com a extrema-direita?

Israel: Netanyahu é 1º com 30 em 4ªs eleições em 23 meses — Incerteza se governará, se coligará com Yamina, árabe Ra’am ou... Gantz

Os politólogos traçam os seguintes cenários para responder às interrogações
acima.

1º cenário: Netanyahu alia-se à Direita e a Abbas e atinge 64 assentos. Likud: 30, Shas 9, Yamina (liderado pelo conservador ambicioso Naftali Bennett, o 3º na foto) 7, UTJ-Torah do Judaismo Unido (liderado por Moshe Gafni) 7, Partido Zionista Religioso 6 e Ra’am 5. Grande obstáculo: o Partido Zionista Religioso garante que não entra em coligação com o partido árabe.

2º cenário: coligação anti-Netanyahu aliada a Ra’am atinge 61 assentos. Yesh Atid com 17 lugares, Azul e Branco 8, Labor 7, Yisrael Beytenu (Avigdor Liberman, na foto) (Avigdor Liberman, na foto, 1º na 2ª fiila) 7, Lista Conjunta 6, Nova Esperança 6, Meretz 5 e Ra’am 5 coligados para derrubar o longevo primeiro-ministro. São, com exceção dos em itálico, na sua maior parte dissidentes do Likud, que em rutura com ’Bibi’ formaram novos partidos.

A possibilidade de acontecer esta coligação é alta, dizem os politólogos, sobretudo se o líder do Ra’am decidir juntar-se aos que querem acabar com a carreira política de Netanyahu. Isso, preveem, se a (hipotética) coligação concordar em fazer de Abbas o primeiro árabe numa pasta ministerial no Estado de Israel.

3º cenário: coligação liderada pelo Yamina para derrubar Netanyahu, integra os mesmos exceto o Lista Conjunta 6 substituído pelo Yamina e atinge 62 assentos.

A possibilidade de acontecer esta coligação é baixíssima, dizem os politólogos. Restam mais dois cenários, com dissidentes entre o Likud e a Nova Esperança.

4º cenário : dissidentes da Nova Esperança para o Likud. Aqui são a deputada Sharren Haskel, o ex-deputado Yoaz Hendel, o Edil Ytzhak Halevy, respetivamente a terceira, quinta e sexta figuras do recente partido que podem empreender essa iniciativa. Segundo os analistas, descarta-se a possibilidade de uma aproximação ser conduzida seja pelo líder Gideon Sa’ar seja pelo ex-ministro Ze’ev Elkin, que saíram do Likud em total rutura com Netanyahu.

A possibilidade de acontecer esta defecção é baixa.

5º cenário: dissidentes do Likud para a Nova Esperança. Segundo o Edil Ytzhak Halevy, existem muitas figuras no Likud que gostariam de derrubar Netanyahu. E embora a vingança seja uma emoção forte, diz Halevy, o pragmatismo pode vencer.

A possibilidade de acontecer esta defecção é, pois, também baixa.

PM mais longevo "usa as pessoas e depois afasta-as"

O primeiro-ministro mais longevo e o mais jovem da história de Israel, Benjamin Netanyahu do Likud, grande partido da direita, totaliza hoje 15 anos na primatura.

O novo astro do Likud desde que, oito anos antes, regressara dos Estados Unidos e se fizera eleger deputado em 1988, porém caiu ao fim de três anos no governo.

Após estar afastado por algum tempo, voltou a dirigir o Likud e foi novamente eleito primeiro-ministro em 2009. Há doze anos que "treme treme mas não cai".

Eleição após eleição, uma parte do eleitorado concede-lhe a sua confiança. Mas a cada nova eleição, muda-se o pequeno círculo de colaboradores da sua confiança. Atualmente, vários dos seus adversários são seus ex-ministros.

"Não acho que seja coincidência. Ele não confia em ninguém e segue o seu valor fundamental que é garantir a própria sobrevivência, motivo pelo qual usa as pessoas e depois afasta-as", indica Collin Schindler, professor na Escola de Estudos Orientais e Asiáticos de Londres.

Os seus adversários não são só políticos. Após as eleições, Netanyahu não poderá evitar sentar-se no banco do réu. O PGR faz questão de retomar o seu julgamento por corrupção a partir de abril.


Extrema-direita entra no parlamento

O Partido Sionista Religioso liderado por Itamar Ben Gvir (1º na foto) é a surpresa destas eleições: obteve seis assentos no Knesset.

Ben Gvir, de 44 anos, é discípulo do rabi Meir Kahane, fundador do partido Kach, considerado terrorista após um dos seus discípulos, Baruch Goldstein assassinar 29 palestinos em Hebron, Cisjordânia, em 1994.

Na mesma linha, Ben Gvir quer expulsar os árabes de Israel e anexar a Cisjordânia ocupada por Israel desde 1967 e onde vivem 2,8 milhões de palestinos.
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Fontes: JP-Jerusalem Post/ CBS /Haaretz/AP. Relacionado: Israel: 4ªs eleições em 2 anos, com sub-representação das mulheres — Nunca mais houve uma Golda Meir e Knesset continua desigual, 09.mar.021. Fotos (Getty): Quinze cabeças-de-lista. Não é certo que Netanyahu (ao centro), embora à frente com 30 assentos, consiga formar governo, com tantos a quererem derrubar o mais longevo primeiro-ministro. As quintas legislativas em dois anos vêm aí?

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