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Israel: Presidente Rivlin apela a "colaboração inédita" para evitar 5ªs legislativas em 2 anos — Impasse na governação por Netanyahu ’ arguido’ 01 Abril 2021

O presidente Reuven Rivlin recebeu hoje (quarta-feira, 31) em Jerusalém o presidente do Supremo Tribunal e por inerência da CEC-Comissão Central Eleitoral, Uzi Vogelman, que lhe fez a entrega oficial dos resultados das eleições do dia 23.

Israel: Presidente Rivlin apela a

O próximo passo no processo é o encontro no dia 5 entre o presidente e todos os líderes dos partidos eleitos para o Knesset (parlamento), com o objetivo de os ouvir sobre quem será o chefe do governo. Rivlin voltará a repetir o apelo para os líderes partidários colocarem "Israel em primeiro lugar, para evitar o impasse na formação do governo".

No dia seguinte, terça-feira, os eleitos parlamentares prestam juramento na sua tomada de posse. Entretanto, o presidente estará a ponderar para a tarefa do dia seguinte e que se fundamenta no princípio de "quem é o melhor entre os líderes partidários eleitos para formar o governo". Tarefa difícil já que embora o Likud seja maioritário com trinta lugares, o primeiro-ministro Netanyahu já deu provas de que não consegue formar uma coligação.

Rivlin anunciará no dia 7 — dois dias após a audição dos líderes partidários e dia seguinte ao empossamento do novo parlamento — quem será, pois, o mandatado para formar o próximo governo. Na pior das hipóteses — e que é a mais provável dada a história recente da continuada paralisia do sistema político —, a decisão do presidente do Estado de Israel vai fundamentar-se no princípio de "quem tem melhor hipótese de formar um governo coligado".

Melhor solução seria saída de Netanyahu

Mas o mais longevo primeiro-ministro da história do Israel moderno quer permanecer no poder. Pelo poder e também para garantir a própria imunidade — já que está a braços com a justiça, acusado de corrupção de governante.

A governação alternativa entre o segundo mais votado e outro líder poderia vir do Yesh Atid (Existe Esperança) com 17 dos 120 assentos no Knesset (parlamento), seguido pelos também partidos de direita, Shas 9, Azul e Branco 8, de Gantz com quem Yair — ministro da Finanças em 2013–2014 — coligou no parlamento em 2019–2020.

Seguem-se o Labor de esquerda 7, os conservadores e religiosos Yamina 7, UTJ-Torah do Judaismo Unido 7, o centro-esquerdista Yisrael Beytenu 7, Lista Conjunta 6, Nova Esperança 6, Partido Zionista Religioso 6, Meretz 5 e Ra’am 5. Netanyahu vê a queda estrondosa do partido de Gantz, Azul e Branco, com quem desfez a coligação que protagonizou a inédita governação alternativa. Incertezas: irá ’Bibi’ Netanyahu obter apoios para se manter no poder? Com quem se coligará? Com o ’Ra’am’ partido conservador árabe liderado por Mansour Abbas ou com Gantz, ou com a extrema-direita?

Os politólogos traçam os seguintes cenários para responder às interrogações acima.

1º cenário: Netanyahu alia-se à Direita e a Abbas e atinge 64 assentos. Likud: 30, Shas 9, Yamina (liderado pelo conservador ambicioso Naftali Bennett, o 3º na foto) 7, UTJ-Torah do Judaismo Unido (liderado por Moshe Gafni) 7, Partido Zionista Religioso 6 e Ra’am 5. Grande obstáculo: o Partido Zionista Religioso garante que não entra em coligação com o partido árabe.

2º cenário: coligação anti-Netanyahu aliada a Ra’am atinge 61 assentos. Yesh Atid com 17 lugares (liderado por Yair Lapid, de 57 anos), Azul e Branco 8, Labor 7, Yisrael Beytenu (Avigdor Liberman, na foto) (Avigdor Liberman, na foto, 1º na 2ª fiila) 7, Lista Conjunta 6, Nova Esperança 6, Meretz 5 e Ra’am 5 coligados para derrubar o longevo primeiro-ministro. São, com exceção dos em itálico, na sua maior parte dissidentes do Likud, que em rutura com ’Bibi’ formaram novos partidos.

A possibilidade de acontecer esta coligação é alta, dizem os politólogos, sobretudo se o líder do Ra’am decidir juntar-se aos que querem acabar com a carreira política de Netanyahu. Isso, preveem, se a (hipotética) coligação concordar em fazer de Abbas o primeiro árabe numa pasta ministerial no Estado de Israel.

3º cenário: coligação liderada pelo Yamina para derrubar Netanyahu, integra os mesmos exceto o Lista Conjunta 6 substituído pelo Yamina e atinge 62 assentos.

4º cenário : dissidentes da Nova Esperança para o Likud. Aqui são a deputada Sharren Haskel, o ex-deputado Yoaz Hendel, o Edil Ytzhak Halevy, respetivamente a terceira, quinta e sexta figuras do recente partido que podem empreender essa iniciativa. Segundo os analistas, descarta-se a possibilidade de uma aproximação ser conduzida seja pelo líder Gideon Sa’ar seja pelo ex-ministro Ze’ev Elkin, que saíram do Likud em total rutura com Netanyahu.

A possibilidade de acontecerem é baixíssima, dizem os politólogos. Igualmente muito baixas são as coligações com dissidentes entre o Likud e a Nova Esperança.

A possibilidade de acontecer esta defecção é baixa.

5º cenário: dissidentes do Likud para a Nova Esperança. Segundo o Edil Ytzhak Halevy, existem muitas figuras no Likud que gostariam de derrubar Netanyahu. E embora a vingança seja uma emoção forte, diz Halevy, o pragmatismo pode vencer.

PM mais longevo "usa as pessoas e depois afasta-as"

O primeiro-ministro mais longevo e o mais jovem da história de Israel, Benjamin Netanyahu do Likud, grande partido da direita, totaliza hoje 15 anos na primatura.

O novo astro do Likud desde que, oito anos antes, regressara dos Estados Unidos e se fizera eleger deputado em 1988, porém caiu ao fim de três anos no governo.

Após estar afastado por algum tempo, voltou a dirigir o Likud e foi novamente eleito primeiro-ministro em 2009. Há doze anos que "treme treme mas não cai".

Eleição após eleição, uma parte do eleitorado concede-lhe a sua confiança. Mas a cada nova eleição, muda-se o pequeno círculo de colaboradores da sua confiança. Atualmente, vários dos seus adversários são seus ex-ministros.

"Não acho que seja coincidência. Ele não confia em ninguém e segue o seu valor fundamental que é garantir a própria sobrevivência, motivo pelo qual usa as pessoas e depois afasta-as", indica Collin Schindler, professor na Escola de Estudos Orientais e Asiáticos de Londres.

Os seus adversários não são só políticos. Após as eleições, Netanyahu não poderá evitar sentar-se no banco do réu. O PGR faz questão de retomar o seu julgamento por corrupção a partir de abril.


Extrema-direita estreia no Knessett

O Partido Sionista Religioso liderado por Itamar Ben Gvir,de 44 anos , (1º na foto) é a surpresa destas eleições: obteve seis assentos no Knesset. O líder da extrema-direita quer expulsar os árabes e anexar a Cisjordânia ocupada por Israel desde 1967 e onde vivem 2,8 milhões de palestinos.

Fontes: TOI-Times of Israel/JP-Jerusalem Post/ CBS /Haaretz/AP. Relacionado: Israel: 4ªs eleições em 2 anos, com sub-representação das mulheres — Nunca mais houve uma Golda Meir e Knesset continua desigual, 09.mar.021; , 09.mar.021. Fotos (Getty): Quinze cabeças-de-lista. Não é certo que Netanyahu (ao centro), embora à frente com 30 assentos, consiga formar governo, com tantos a quererem derrubar o mais longevo primeiro-ministro. As quintas legislativas em dois anos vêm aí?

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