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Israel-Reino Unido-Chipre: Caso ’gang rape’ tem nova reviravolta — Supremo de Chipre defere recurso da condenada por falsa queixa que pede anulação da sentença 05 Setembro 2021

O Supremo Tribunal de Chipre está a julgar o caso da adolescente inglesa detida cinco meses pelo "crime público" de falsidade pelo qual veio a ser condenada em janeiro de 2020. A britânica quer a anulação da sentença, alegando que a sua retractação sobre a violação foi obtida sob coerção e sem a presença dum advogado.

Israel-Reino Unido-Chipre: Caso ’gang rape’ tem nova reviravolta — Supremo de Chipre defere recurso da condenada por falsa queixa que pede anulação da sentença

"O mais importante agora", diz a mãe da jovem, "é o Supremo anular a condenação da nossa filha". "Imaginem o que é ser vítima de violação, depois presa porque as autoridades te acusam de mentir sem querer apurar as provas e de novo ter de reviver isto cada vez que tens de procurar emprego ou formação!", expressou em entrevista à BBC na sexta-feira, 3.

"Isto é um peso terrível para a minha filha que — depois de lhe acontecer uma coisa tão horrível — ainda tem de carregar uma condenação em seu nome, a vida toda".


Gang rape (não) aconteceu

O muito mediático caso de alegada violação em grupo, em que a cidadã britânica de 19 anos acusou doze rapazes israelitas, com idades entre quinze e vinte anos, de a terem atacado na madrugada de 17 de julho de 2019, começou a sofrer uma reviravolta logo na semana seguinte quando ela admitiu ter consentido numa relação com um dos rapazes.

Detida a 28 de julho, a adolescente ficou a aguardar julgamento por "fabricação de acusação". Nesse mesmo dia, ao fim de onze dias presos, todos os rapazes foram libertados.

Apesar de alguns dos rapazes terem cometido o crime de fotografar e filmar sem autorização da adolescente a relação que ela manteve com um deles, o tribunal entendeu não os incriminar.

Ao anunciar o veredicto do "crime público", o juiz Michalis Papathanasiou declarou que a ré faltou à verdade e tentou enganar o tribunal "com depoimentos evasivos e à medida do efeito que ela pretendia".

O que escreveu a imprensa israelita sobre o caso

No domingo, 21 de julho, um editorial no Haaretz do jornalista Gideon Levy fustigou a "atitude reprovável das autoridades do Estado de Israel" que, "a pedido das famílias dos suspeitos, interferiram no caso".

O multipremiado Levy expressivamente escreveu uma sátira, no Haaretz, a que deu o título: "Os nossos bravos entraram em ação na calada da noite".

"As nossas tropas entraram em ação ainda não era madrugada. Eram doze, cada um deles o sal da terra, o que vem da área de Haifa, de Jerusalém capital eterna e da capital do racismo, Afula".

O jornalista destaca pois, expressivamente, que o país sob Netanyahu cometeu dois erros. Primeiro, um crime de delito comum passou a ser tratado como uma questão de Estado. Segundo, a defesa teve como "argumento de peso" o facto de que os rapazes estavam num "retiro preparatório à sua entrada no serviço militar".

Nas entrelinhas, segundo o articulista, fica a questão da violação sexual-arma de guerra, como os noticiários têm mostrado nos cenários das guerras atuais.

Fontes: BBC/ Haaretz/Associated Press/. Relacionado: Israel: ‘Gang rape’ em Telavive vitima adolescente, 26.ago.020; Chipre: Detida inglesa que acusou 12 israelitas de violação, 30.jul.019; ‘Gang rape’ por 12 rapazes israelitas a uma inglesa em resort no Chipre..., 23.jul.019; Chipre: Crimes contra estrangeiras continuam mesmo após ministro da Justiça demitir-se "envergonhado com as atitudes da sociedade que nos desonram a todos", 18.jul.019. Fotos (AFP): Em janeiro de 2020, os suspeitos foram ilibados de toda a culpa enquanto a queixosa tornada ré e detida desde julho acaba condenada pelo "crime público" de falsidade.

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