INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Israel: “Também já fiz”, diz ministro da Educação em defesa da “terapia que torna homossexuais em heterossexuais” — Netanyahu repreende-o: “É inaceitável” 14 Julho 2019

Rafi Peretz, o ministro da Educação na nova equipa de Netanyahu, entrevistado este sábado, 13, defendeu a terapia da homossexuais. Disse mesmo que ele próprio é testemunha do sucesso da prática, já que fez a terapia no passado.

Israel: “Também já fiz”, diz ministro da Educação em defesa da “terapia que torna homossexuais em heterossexuais” — Netanyahu repreende-o: “É inaceitável”

O ministro Peretz (na foto, à direita —de kippá) defende que quem quiser frequentar a escola pública deve submeter-se às regras e que isso inclui a orientação sexual, pelo que os alunos homossexuais deviam procurar "a terapia da conversão".

O ministro disse na entrevista ao ‘Canal 12’ da televisão pública que tem plena confiança na eficácia da "terapia da conversão". A prová-lo, contou "o caso duma pessoa gay" a quem tratou.

"Primeiro, abracei-o. Dei-lhe palavras de conforto. Incentivei-o ’Vamos pensar. Vamos estudar. E vamos refletir’. O objective é antes de tudo que ele aprenda a conhecer-se a si mesmo... e então ele decidirá".

A entrevista suscitou a indignação de muita gente. Entre eles, os ativistas pelos direitos das minorias sexuais pediram a demissão do ministro da Educação, que está a espalhar “inverdades” e “é um perigo com esses pseudo-ensinamentos”.

Netanyahu reagiu de imediato e no mesmo dia condenou as afirmações do ministro da Educação como "inaceitáveis". O primeiro-ministro enfatizou que "as escolas do Estado de Israel têm de aceitar todos os estudantes independentemente da sua orientação sexual.

Peretz, rabi ortodoxo além de líder do Partido da Direita Unida, ultranacionalista, assumiu a pasta da Educação há um mês.

Peretz alinha com Duterte

“As belas mulheres curaram-me”, disse o presidente Rodrigo Duterte fazendo tábua rasa das recomendações da OMS e avanços científicos. Em visita oficial ao Japão, no dia 31 de maio corrente, o presidente no poder desde 2016 encontrou-se com a comunidade filipina em Tóquio e mais uma vez escandalizou.

A referência à homossexualidade como “doença” que se “cura” visava atingir o adversário político, o senador Antonio Trillanes: “Trillanes é parecido comigo. Mas eu curei-me”, “as belas mulheres curaram-me”, declarou o presidente filipino.

O septuagenário explicou ter “voltado a ser homem” quando, em 1970, encontrou a esposa. Aliás, oficialmente separado (o divórcio é ilegal nas Filipinas), colocou-se-lhe a ‘questão da primeira-dama’—cargo que ele quis para a filha, Sara, de 45 anos, mas que esta recusou.

A associação de defesa dos direitos dos homossexuais e transgéneros, Bahaghari, em comunicado de imprensa expressa que as afirmações do presidente Duterte – contrárias à recomendação de tratar a homossexualidade como uma orientação sexual, segundo a OMS e a Associação Americana de Psiquiatria — são perigosas e retrógradas. “Sintomáticas da doença grave que é a ignorância” que leva a “preconceitos, e ódio”, “as suas declarações e as piadas perversas e insultuosas sobre as mulheres, não podem ser simplesmente ignoradas nem tomadas como uma piada”.

Os media internacionais, como o New York Times, o Deutsche Welle, o Le Monde, têm noticiado esses escândalos do presidente populista na mesma linha de Trump. Mas um Trump num país sem imprensa livre, com um atraso considerável nos indicadores de desenvolvimento humano ligados à educação, participação cívica…

O atraso cultural reflete-se no facto de que, durante a campanha presidencial, Duterte fez uma piada sobre a violação da missionária australiana morta em 1989 durante um motim numa prisão de Davao. Diante da multidão, Duterte explicava que ele próprio teria gostado de estar lá, para ser um dos perpetradores da violação.

Incrível? O eleitorado filipino deu-lhe a presidência e três anos depois continua a apoiá-lo porque ele combate o flagelo da droga. Mesmo se esse combate é uma cortina de fumo que impede de ver a violação constante dos direitos humanos — a começar pelos meros bodes expiatórios que são os pobres apanhados a consumir e que se tornaram ’drogados’ mortos.

Fontes: Haaretz/Israel Times/Outras referidas. Foto do rabi Rafi Peretz na tomada de posse da pasta da Educação há um mês.

Relacionado: Filipinas : Presidente Duterte no Japão escandaliza de novo ao tratar homossexualidade como “doença” que “curou” “com belas mulheres”, 11.jun.2019. LS

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project