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Israel sedia empresa perita em ‘fakes’ para influenciar eleições em África — diz Facebook 18 Maio 2019

A rede social Facebook anunciou o fecho esta quinta-feira, 16, de 265 falsos perfis administrados por uma empresa israelita, dedicada a influenciar as eleições em países da África, América Latina e Sudeste da Ásia.

Israel sedia empresa  perita em ‘fakes’ para influenciar eleições em África — diz Facebook

A iniciativa da rede social Facebook surpreende porque foi dirigida contra uma empresa, Archimedes Group, que se apresenta como prestadora de serviços “que usa todos os meios e todas as oportunidades para mudar a realidade segundo os desejos dos nossos clientes”.

As contas falsas estavam alojadas tanto no Facebook como na sua extensão Instagram.

“Decidimos desativar as páginas e contas, devido ao comportamento. Não pelo conteúdo que postaram”, explica um post de Nathaniel Gleicher, responsável pela cibersegurança do Facebook.

“O comportamento inautêntico coordenado” envolve, como explica Gleicher, “indivíduos que se coordenam entre si com o objetivo de enganar [o público utente] sobre quem são e sobre o que estão a fazer, e essa era a base da sua atuação”.

Esse ‘público utente’ atingiu o número de 2,8 milhões que, segundo o Facebook, seguiam 65 contas, 161 páginas e 23 grupos Facebook, além de quatro contas Instagram, que o Archimedes Group criou. Esta empresa israelita comprou $812.000 (mais de 70 milhões CVE) anúncios desde 2012, acrescenta o Facebook.

“O comportamento inautêntico coordenado” do Archimedes Group teve como alvo sobretudo países como a Nigéria, o Senegal, o Togo, a Tunísia, Angola e o Níger. Foi muito menor a sua atividade na Ásia do Sudeste e na América Latina, diz o Facebook.

Mas, como explica Graham Brookie, diretor do ‘Digital Forensic Research Lab’, desconhece-se seja quem pagou à empresa sediada em Israel seja quem pagou os anúncios.

“O certo é que os anúncios foram comprados pelo Arquimedes. Continuamos sem saber quem pagou ao Arquimedes”, disse Brookie, que lamenta o facto de que “isto mostra uma das vulnerabilidades de algumas ferramentas de transparência [do Facebook]”.

“É a desinformação por dinheiro. É a convergência da desinformação ideológica e da desinformação pelo lucro económico”, conclui Brookie.

Igual interferência russa na eleição de Trump

O modus operandi é semelhante ao utilizado pela RIRA-agência de internet russa para interferir na eleição presidencial de 2016 e que continuou para lá de novembro de 2016.

Os 265 falsos perfis seguem uma mesma estratégia: apresentam-se como um órgão noticioso nacional, ou como um influenciador local, que partilha informações sobre candidatos políticos. Em certos casos, alega tê-las obtido pelo modus operandi tornado famoso pelo WikiLeaks.

A atual etapa de globalização dos falsos perfis — que se segue à sua criação na Rússia e emulação nos Estados Unidos — acontece, depois de ao longo de 2017 e 2018 as autoridades americanas terem desativado as campanhas da RIRA e as suas alegadas ramificações no Irão e na Venezuela.

Falsos perfis, falsos amigos

Quantos de nós não recebemos mensagens emitidas por falsos perfis, por exemplo através de um pedido de amizade de uma pessoa com nome aparentemente parecido com um amigo, um conhecido? A fotografia é de uma pessoa com uma aparência confiável, mas uma busca em pouco tempo mostra em geral que não corresponde ao nome apresentado.

Fontes: Washington Post/Daily Mail/Facebook

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