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Itália: Refugiada etíope assassinada — "Estamos consternados e horrorizados", diz Edil de Trento 10 Janeiro 2021

A etíope Agitu Ideo Gudeta, conhecida pela sua fazenda de criação de cabras e produção de queijos orgânicos, foi assassinada em casa, em Frassilongo, na região alpina da Itália. Um feminicídio que chocou a região no último dia de 2020.

Itália: Refugiada etíope assassinada —

O corpo da mulher de 42 anos de idade — que era dona da fazenda "Capra Felice"(Cabra Feliz), com 11 hectares de terreno e cerca de 180 cabras nativas do Valle dei Mocheni — apresentava diversos ferimentos quando a polícia chegou no último dia de 2020.

Adams Suleimani, um ganês de 32 anos e funcionário de Agitu Gudeta, admitiu ter assassinado a patroa após uma discussão por causa do não pagamento do seu salário mensal. Ele já tinha trabalhado na fazenda e voltou à região em novembro para cuidar do pasto das cabras.

Detido, o assassino contou aos investigadores que atacou a patroa no quarto dela com um martelo e, depois de a violar, matou-a com quatro ou cinco golpes.

O Edil de Trento expressou: "A consternação e o horror são os primeiros sentimentos que atingem todos os trentinos ao saber do horrível assassinato de Agitu Gudeta, a pastora de origem etíope que tinha encontrado a sua integração plena. No final deste ano terrível, a triste realidade regressa: a violência de género e o feminicídio".

"Em memória desta jovem empreendedora e mulher de valor, quero enfatizar fortemente a necessidade de continuar uma luta implacável à violência contra as mulheres, uma doença que só será vencida com uma resposta conjunta de todos", disse Roberto Paccher, presidente do Conselho Regional do Trentino-Alto Ádige.

Há cerca de dois anos, Gudeta recebeu ameaças de morte e sofreu um assalto por motivação racial. De acordo com a imprensa local, o responsável pelo caso morava na região e também atacou um maliano fabricante de queijo que ajudou a etíope. O agressor foi condenado a nove meses de prisão pelo Tribunal de Trento.

Nascida em Adis Abeba, Agitu Ideo Gudeta estudou sociologia na Universidade de Trento e depois voltou para a Etiópia. A trabalhar no mundo rural, a socióloga depressa entrou em choque com os militares que retiravam terras aos agricultores para as entregar a grandes empresas. Agitu em 2010 deixou o país natal porque arriscava ser presa.

Em Itália, fixou-se no Vale dei Mocheni — cujo governo local criou incentivos para a fixação de pequenas empresas agro, com a entrega de terrenos do domínio público — e, apenas com quinze exemplares caprinos, criou a sua empresa agroindustrial que havia de prosperar. Empregava sobretudo refugiados e imigrantes.

O sucesso com a venda de queijos e cosméticos à base de leite de cabra, aliado ao simbolismo associado de "ativista ambiental" e de "promotora da integração de migrantes" fez de Agitu uma figura mediática, como a Reuters mostrou em 2018.

Fontes: ANSA/Reuters/Al-Jazeera. Fotos (Reuters/Facebook): Agitu na sua loja de queijos e cosméticos amigos do ambiente e a conduzir o fato (rebanho de caprinos) para os pastos na região alpina de Itália.

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