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Itália pede que Bolsonaro seja destituído da cidadania honorária da terra-natal dos bisavós 12 Janeiro 2023

Na mesma ocasião em que a imprensa brasileira dá como "puro furo n’água", o alegado plano de fuga de Bolsonaro para a Itália, políticos italianos — do Partido Democrático, Movimento Cinco Estrelas, Verdes e Refundação Comunista — pedem a revogação da cidadania honorária, que a autarca da região atribuiu ao presidente do Brasil descendente de italianos em outubro de 2021.

Itália pede que Bolsonaro seja destituído da cidadania honorária da terra-natal dos bisavós

A autarca Alessandra Buoso, presidente de Anguillara Vêneta, está a ser pressionada por parlamentares italianos do centro e esquerda para revogar a cidadania honorária concedida ao ex-presidente, hoje refugiado na Flórida, Estados Unidos.

Também no ato solene da câmara nesse 1º de novembro de 2021, Anguillara Vêneta acordou blindada. Polícias vieram de outros municípios da região para evitar a continuação dos protestos e contra-protestos perante a homenagem para receber o presidente.

A cidade localizada na região do Vêneto, no norte da Itália, desde havia mais de uma semana que vivia a polémica provocada pela concessão do título de cidadão honorário a Jair Bolsonaro.

Foi em outubro de 2021 que a edilidade da histórica cidade de Anguillara Vêneta anunciou que ia distinguir Jair Messias Bolsonaro,com o título de cidadão honorário. Com isso, reconhecia-se "o acolhimento que os nossos emigrantes têm recebido no Brasil", como justificou a edil Alessandra Buoso, eleita do partido de extrema-direita A Liga, de Salvini. O título foi atribuído em paralelo com a deslocação de Bolsonaro à Itália para a cimeira do G20, em Roma.

A decisão aprovada pela câmara municipal foi imediatamente criticada, nesse momento em que o presidente Bolsonaro era acusado por uma comissão parlamentar de inquérito do Senado brasileiro de ter "deliberadamente exposto" os brasileiros à "contaminação em massa" ao negar a gravidade da pandemia de Covid-19 — que em três anos já matou cerca de setecentas mil pessoas (694 985 até 12-1) no maior país da Lusofonia.

"Bolsonaro liderou uma política anti-Covid-19 baseada no negacionismo e contra a vacina, que levou a milhares de mortes", denunciou Arturo Lorenzoni, porta-voz da oposição no Conselho Regional de Véneto, região governada pelo partido de Matteo Salvini.

Questionada por telefone pela AFP, agência noticiosa francesa, a autarca de Anguillara Vêneta defendeu a sua decisão: "A cidadania honorária foi concedida às pessoas que ele [Bolsonaro] representa, não a ele como pessoa".

Bisavós de Bolsonaro. Os antepassados do presidente brasileiro deixaram em 1888 aquela região de Itália devastada pela pobreza. Estiveram entre os cerca de mil habitantes de Vêneto que emigraram para o Brasil nesse final do século XIX.

Cidadania italiana. Tem sido especulado que os Bolsonaros teriam pedido a cidadania italiana, como forma de se protegerem das perseguições públicas. Mas até que ponto poderia a cidadania italiana protegê-los?

O Brasil e a Itália depois de muitas reviravoltas chegaram em 1992 a um acordo de extradição, mas cuja aplicação nem sempre acontece (Brasil: Cesare Battisti extraditado para Itália, Bolsonaro diz: "No Brasil não aceitamos bandidos", 15.jan.019).

Daí o coloquialismo "puro furo n’água" com que foi qualificada a alegada medida — como saída para o impasse em que se encontra o ex-presidente que entrou nos Estados Unidos com o visto diplomático da função.

Nove crimes no TPI

Entre os "crimes contra a humanidade" denunciados ao Tribunal Penal Internacional de Haia, o relator da investigação, senador Renan Calheiros, totalizou nove crimes contra Jair Bolsonaro, que vão de "charlatanismo" a "incitação ao crime"”, passando por "infração a medidas sanitárias preventivas" e "prevaricação".

Fontes: Correio Braziliense/AFP/ Corriere della Sera/La Stampa/Repubblica. Relacionado: Brasil-Invasão: Ex-ministro Torres suspeito de ’colaboração ilegal’ chora na Flórida ante mandado de prisão, 1..jan.023; Brasil: Bolsonaro cidadão honorário no Véneto, Itália e denunciado ao tribunal da Haia por crimes contra humanidade, 28.out.021.

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