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Presidenciais 2021: DISCURSO DE JOSÉ MARIA PEREIRA NEVES DE ANÚNCIO DA CANDIDATURA PRESIDENCIAL 19 Mar�o 2021

Presidenciais 2021: DISCURSO DE JOSÉ MARIA PEREIRA NEVES DE ANÚNCIO DA CANDIDATURA PRESIDENCIAL

ANÚNCIO DA CANDIDATURA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE CABO VERDE

PODEMOS JUNTOS FAZER-NOS GRANDES, COMO OS NOSSOS SONHOS.

Senhoras e Senhores Jornalistas,
Cabo-verdianas e Cabo-Verdianos,

Estou aqui para dizer-vos que sou Candidato a Presidente da República de Cabo Verde, nas eleições de 17 de Outubro.

As ilhas e a diáspora fazem esta Nação Global. O formato desta Conferencia de Imprensa é pensado precisamente para chegar aos quatro cantos do mundo. Cabo Verde só é possível na sua dimensão transnacional, incluindo as comunidades insulares e as comunidades da imensa diáspora. A todos saúdo com amizade, carinho e admiração, por tudo o que tendes feito pela grandeza desta nossa querida terra.

Vivemos tempos difíceis e exigentes. Esta pandemia, que ainda nos atormenta, e não sabemos quando termina, tem-nos mostrado quão vulneráveis somos. É enorme o seu impacto nas nossas vidas. O distanciamento social a que somos obrigados, o uso de máscaras, as perdas de entes queridos - familiares e amigos -, de empregos e de rendimentos, a destruição de empresas, o aumento da pobreza e das desigualdades são fenómenos que provocam devastação social, económica e sanitária.

Quero, pois, antes de tudo, prestar a minha homenagem a todos aqueles que perderam a vida e manifestar a minha solidariedade às famílias e aos amigos afetados. Aos doentes desejo rápida e pronta recuperação.

Quero também dirigir palavras de solidariedade, de esperança e de confiança às empresas, aos sindicatos, às Igrejas, às ONGs, à sociedade civil e aos cidadãos em geral.

Nós somos resilientes. A nossa história é prenhe de provações, desde o achamento das ilhas. Mas desde o momento zero resistimos estoicamente contra as adversidades humanas e naturais, vencemos as secas, as fomes e as mortandades, reivindicamos o respeito pela dignidade da pessoa humana, lutamos pela liberdade da Pátria e pelas liberdades civis e políticas e pelas liberdades sociais e económicas, vencemos o desafio da independência, construímos o Estado de Direito e estamos, todos os dias, de sol a sol, a trabalhar arduamente pela nobreza da política, que serve as pessoas e o bem comum, e pelo desenvolvimento sustentável.

Cumprimos, no essencial, os objetivos de desenvolvimento do milénio, somos país de rendimento médio, membro ativo da CEDEAO, da comunidade africana e da CPLP, parceira especial da União Europeia e um país útil na arena internacional, que tem sabido, com inteligência, pragmatismo e realismo relacionar-se com todos os países do mundo, na base do respeito mútuo e da reciprocidade de vantagens. Temos defendido o multilateralismo, o diálogo e a solução negociada dos conflitos, estribados no direito internacional.

Nestes tempos pandémicos, em que somos mais uma vez postos à prova, temos de continuar a ser fortes e a ter confiança no país e nas suas instituições.

Temos pela frente tempos inéditos e complexos. Já começou o processo de vacinação e espero que, no horizonte de 2021, consigamos, como já anunciou o Governo, a imunização de grupo.

Se eleito Presidente, serei o primeiro Embaixador da República. Trabalharei, em estreita cooperação estratégica com o Governo, para mobilizar a nação, os cabo-verdianos nas ilhas e na diáspora, e parcerias internacionais, públicas e privadas, para continuarmos a combater o vírus, ganhar a imunidade e garantir os investimentos necessários para levantar o país na pós-pandemia.

A reconstrução do país será a minha prioridade.

A significativa retração da economia, o aumento do deficit, da dívida, do desemprego, da pobreza e das desigualdades, a falência de empresas, as perdas emocionais e sociais devem levar-nos ao reforço da confiança mútua entre os partidos políticos, ao diálogo, à partilha e à busca conjunta de soluções.

Todos somos poucos para a grandeza da obra que nos espera.

Cabo Verde precisa de uma liderança forte, para mobilizar os partidos, as empresas, os sindicatos, as Igrejas, as ONGs, a sociedade civil e os cidadãos, nas ilhas e na diáspora, visando a reconstrução do país, na pós-pandemia.

Precisamos mobilizar todas as energias, de um amplo e fundamentado debate nacional, mas também de uma liderança forte, visionária, estratega, inclusiva e catalisadora de processos transformacionais, capaz de marcar a diferença.

Já fui dirigente partidário, Deputado Nacional, Presidente de Câmara, Ministro, Primeiro Ministro e, agora, Professor Universitário. Tenho jogado o jogo democrático em várias posições e tenho feito da política um espaço de aprendizagem. Tenho aprendido muito com os cabo-verdianos. Sinto-me muito mais conhecedor do meu país, que tanto amo; sinto-me mais maduro e mais preparado para continuar a servir o meu país.

No poder, na ânsia de realizar o bem comum e de defender os interesses nacionais, sempre com grande amizade e muito apoio dos cabo-verdianos, fui aprendendo com os ganhos e os erros.

De regresso à sociedade civil, enquanto cidadão atento, tenho aprendido muito com os jovens universitários e entendido melhor as suas reivindicações; com pessoas comuns que encontro nas ruas, nos supermercados ou nas ribeiras das nossas ilhas e me apresentam as suas inquietações; com mulheres, chefes de família, que lutam para o pão de cada dia, com os empresários, jovens agricultores ou quadros, líderes sindicais ou empreendedores sociais, músicos, letristas e compositores, gente das artes e das letras, que estão à procura de um financiamento, de um emprego, de uma habitação condigna ou de uma oportunidade, tenho conversado sobre o país, os processos políticos, a governação, a geopolítica mundial e a inserção de Cabo Verde no mundo, as mudanças climáticas, o reequilíbrio do poder entre as ilhas, a igualdade e equidade de género, a situação da justiça, a autonomia do poder local democrático, a desgovernamentalização dos órgãos de comunicação social públicos, a transição energética, a transição digital, a democracia que estamos a construir, as oportunidades de emprego, as possibilidades de transformação do país, a confiança que precisamos e o desenvolvimento sustentável que almejamos, no horizonte 2030.

De todas essas questões pode e deve cuidar um Presidente da República.

Quero por a minha experiência na política, na governação e na academia ao serviço da República, pretendo ser não apenas um bom árbitro – conheço bem as regras do jogo -,mas também um dinamizador de novos processos políticos, abrir espaços de participação à todos, uma instância moral, um traço de união, um provedor das liberdades, da democracia e do Estado de Direito, um promotor do meu país no mundo e um catalisador de dinâmicas sociais orientadas para um crescimento inclusivo e ambientalmente sustentável.

Precisamos, sim!, de uma perspetiva inovadora e disruptiva, de construir pontes e compromissos, de fazer diferente, de fazer melhor, de cuidar mais das pessoas e da sociedade; precisamos de ruturas – o país tem bem feito bem tudo o que fez até agora, mas este é o momento de darmos o salto, de buscarmos a sofisticação, a eficiência, a excelência e a eficácia – de reengenharias, de novos consensos, de novos pactos; precisamos acelerar o passo rumo a um futuro muito melhor para as gerações futuras.

Podemos, sim!, fazê-lo. Com uma liderança forte, serena e convicta, para mobilizar a nação e empurrá-la a dar esse grande passo.

Entre nós há, ainda, muita crispação política e muita partidarização do espaço público. É claro que os partidos são pilares fundamentais do Estado de Direito Democrático, mas é preciso reforçar a confiança mútua entre as forças políticas e entre o Governo e a oposição democrática. É preciso também despartidarizar o espaço público, promover o mérito e a excelência e, nos termos da Constituição, que todos juramos respeitar e cumprir, não excluir ou prejudicar ninguém por causa das suas escolhas políticas ou ideológicas.

A democracia não é apenas disputa e competição, é também compromisso e consenso. É essencial, pois, percorrermos as fases dos processos deliberativos democráticos. Há tempo para discórdias, dissensos e desacordos, mas também há tempo para acordos, compromissos e consensos.

Só assim estaremos em condições de acelerar o ritmo das mudanças e reconstruir mais rapidamente o país, após a devastação sanitária, económica e social que resulta desta pandemia.

Temos jovens – força motriz desta Nação Global – mulheres e homens, nas ilhas e na diáspora, capazes e disponíveis para esta nova gesta libertadora.

Já vimos que os desafios são gigantescos – na economia, na saúde, na educação, no ensino superior e na ciência, na infra-estruturação, na qualificação da democracia, na regeneração da política, na defesa das liberdades, no combate às assimetrias regionais, ao desemprego, à pobreza e às desigualdades sociais, na construção de um país moderno, próspero, justo e inclusivo.

Os tempos são novos e exigentes.

O país precisa de um líder, a República precisa de um Presidente disponível para ser o fermento desse novo momento. De um Presidente que une, que aconselha, que adverte, que sugere, que cuida. De um Presidente que assume toda a nossa história, que valoriza a luta contra a subjugação, a independência, as liberdades, a democracia e a ânsia pelo desenvolvimento sustentável.

Aproveito para saudar os partidos fundadores da democracia representativa– a UCID, o PAICV e o MPD – e os partidos concorrentes às próximas eleições legislativas. Espero que as eleições de Abril sejam uma grande jornada cívica, um momento de debate de ideias e de projetos alternativos de governação e uma oportunidade para os cidadãos livremente fazerem as suas escolhas políticas para os próximos cinco anos.

O país precisa de um Presidente que motiva, que promove consensos nacionais e garante a sua plena concretização; de um Presidente de garante a continuidade e a perenidade das instituições democráticas.

Nos termos da Constituição, o Presidente é suprapartidário. É de todos. De todas as ilhas e da diáspora, de todos os partidos, da República por inteiro.

Anuncio esta candidatura em Março. Mês da árvore, da criação, da poesia, da primavera; anuncio esta candidatura neste 19 de Março, Dia do Pai e do Artesão. Um dia que lembra a responsabilidade, o trabalho árduo, o orgulho, a honestidade, a necessidade de amar, de cuidar e de reparar. O país precisa de um Presidente Artesão que ama, que cuida, que repara e nos ajuda a unir as partes, a fazer novas e boas escolhas e a escrever o nosso destino com as nossas próprias mãos.

Tenho certeza que quando a estiagem passar, como escreveu o poeta, “... novas seivas brotarão da terra dura e seca, vivificando os sonhos, vivificando as ânsias, vivificando a vida”.

Temos grandes sonhos para este nosso país, podemos, juntos, fazer-nos grandes, como os nossos sonhos.

Podemos, juntos, escrever com as nossas próprias mãos o nosso destino comum.

Estou aqui, para vos dizer que sou Candidato a Presidente da República de Cabo Verde, porque tenho a indómita vontade de construir, com todos, um Cabo Verde melhor, muito melhor.

JOSÉ MARIA PEREIRA NEVES

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