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JPAI: Juventude é camada social mais afectada com aumento de desemprego no país 05 Abril 2019

A juventude é a camada social mais afectada com o alegado crescimento económico propalado pelo Governo de Ulisses Correia e Silva, que não tem tido o impacto positivo na melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos. A advertência é do líder da JPAI, que considera, em conferencia de imprensa realizada esta quinta-feira, na Praia, que os dados divulgados pelo INECV sobre o mercado de trabalho em 2018 são conseguidos à "custa e em suposta contradição com a redução do número da população empregada - passa de 203.775 empregados para 195 mil empregados, representado uma redução de 8.775 empregados do ano 2017 para o ano 2018".

JPAI:  Juventude é camada social mais afectada com aumento de desemprego no país

Face às políticas públicas direcionadas para a juventude cabo-verdiana, Fidel Cardoso é da opinião que os dados apresentados pelo INE-CV e os três anos consecutivos da governação do MpD são preocupantes e que o pouco emprego criado no País tem sido praticamente precário.

Com base nas estatísticas referidas, Cardoso considera que o "propalado" crescimento económico pelo Governo não tem tido o impacto positivo na melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos, sobretudo para a camada jovem. O jovem politico elucida com vários exemplos, apresentando as seguintes inquietações:

- "De 2017 para 2018, registou-se um forte crescimento dos inativos. São mais 17.043 pessoas no inativo. Se a isto acrescermos o aumento verificado em 2017 de mais 19.690 pessoas, totalizamos, só nos últimos dois anos, um aumento de 37.093 inativos. Convenhamos que por mais discursos que se façam, isto não é bom indicador";

- "Dos 177.560 cabo-verdianos registados como inativos, 94.955 (53,5%) são jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 34 anos, sendo que 66.763 inativos (37,6%) representa os de 14 a 24 anos. Isto é mau e evidencia que o rosto da inatividade no mercado laboral cabo-verdiano é jovem";

- "Há menos gente empregada em 2018 quando comparado com o ano de 2017. Em dois anos, a população empregada diminuiu em 14.725 efetivos (menos 5.950 empregos em 2017 e menos 8.775 em 2018). Isto é mau porque significa dizer que em dois anos, a economia cabo-verdiana destruiu aproximadamente 15 mil postos de trabalho, afetando principalmente a juventude";

- "Há uma evolução negativa do emprego. A taxa de emprego passa de 54,2% em 2016 para 51,9% em 2017 e para 48,8% em 2018. Isto demonstra claramente que são três anos consecutivos de queda do indicador";

- "Os mais de 62 mil (62.130) jovens com idade compreendida entre 15 a 34 anos que estão sem emprego e que não estão a frequentar um estabelecimento de ensino ou formação, é um indicador bastante para a necessidade de pensar o futuro, envolver os jovens no desenho das soluções, porque são sinais de que há riscos para o futuro do país se medidas assertivas e no timing certo não forem tomadas.

- "O pouco emprego criado tem sido praticamente precário. Se cruzarmos estes dados com os do turismo recentemente divulgados também pelo INE, facilmente verificamos que no sector do turismo 75,3% do pessoal empregado tem contrato a termo e 4,2% não tem contrato. Isto é mau porque significa que a maioria dos empregos continuam a ter um cariz ainda precário em clara contradição com o conceito de trabalho digno propugnado pelas Nações Unidas";

- "Constata-se também a redução da população ativa de 232.198 em 2017 para 222.028 em 2018. Isto é mau porque indica-nos que a taxa de atividade está a decrescer, passando de 59.2% para 55,6%";

- "A taxa do desemprego juvenil, entre os 15 a 34 anos, continua a atingir números preocupantes. 27,8% nos jovens com idades compreendidas entre os 15 a 24 anos e 15,0% nos com idades compreendidas entre os 25 a 34 anos. Isto é mau porque se somarmos os jovens entre os 15 a 24 anos e os de 25 a 34 anos atinge-se uma taxa do desemprego assustadora (42,8%)".

Perante isso, a Juventude do PAICV acredita que todos cabo-verdianos devem fazer uma reflexão da atual situação do emprego e da empregabilidade no País e, desde logo, exige que o Governo e as Câmaras Municipais criem medidas e políticas públicas, no sentido de encontrar novos caminhos e formas de combater o desemprego e a precariedade laboral.

"As Câmaras Municipais devem ter um papel mais interventivo na geração de empregos e atracão de jovens, através de políticas públicas, nomeadamente criação de fundos de apoio ao empreendedorismo, incentivos nos procedimentos para atividades empresariais; a pasta da juventude não pode continuar diluída ou camuflada na orgânica do Governo e tem de se criada uma entidade claramente definida e com competências de conhecimento público para tutelar o setor da juventude, no sentido de combater os problemas existentes, evitando assim, o êxodo dos nossos quadros para fora do país e que possa comprometer o futuro de Cabo Verde", conclui o líder nacional da JPAI.

CL

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