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JPAI aponta problemas “crónicos” no Ensino Superior em Cabo Verde que precisam ser resolvidos 20 Outubro 2022

Em conferência de imprensa realizada hoje sobre o inicio do ano lectivo universitário em Cabo Verde, a vice-presidente da Juventude do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (JPAI) afirmou que existem problemas crónicos no Ensino Superior em Cabo Verde que precisam ser resolvidos, com destaque para o pagamento de propinas, problemas em relação às residências estudantis, infoexclusão, a problemática do acesso a internet por parte dos estudantes e ainda o caso da sustentabilidade do Ensino Superior em Cabo Verde. Viviane Brito defende que este tema deve constar da agenda política nacional, ao mesmo tempo que sugere um debate sério e construtivo sobre o acesso e a sustentabilidade do Ensino Superior no país.

JPAI aponta problemas “crónicos” no Ensino Superior em Cabo Verde que precisam ser resolvidos

“O nosso país só́ irá desenvolver-se ao ritmo que almejamos, se a juventude atual e a vindoura, tiver acesso a um Ensino Superior que priorize a inovação. Portanto, é fundamental uma ação escolar pensada e que apoie com bolsas de estudos e fundos de apoio a investigação para que os nossos jovens tenham acesso, em condições de igualdade e competitividade, ao Ensino Superior e o contato com a ciência, permitindo ser um catalisador das dinâmicas de inovação para futuro do país”, ressaltou a conferencista.

Carência de estudantes e pagamento das propinas

O primeiro grande problema, conforme indicou, é o pagamento de propinas, realçando que um grande número de jovens que não conseguem as custear.

Dos que conseguem, alguns o conseguem em grandes dificuldades ou não o conseguem fazer na totalidade, levando ao acumular de elevadas dívidas, causando a triste situação do abandono dos estudos por parte de um sem-número de estudantes universitários”, apontou.

Apresentando dados, Viviane Brito fez precisa que, segundo consta nos dados de 2016 a 2021, antes da pandemia, houve uma redução de cerca de 40% de estudantes no Ensino Superior em Cabo Verde.

“E a verdade é que esta redução só́ tem aumentado. Por exemplo, o próprio Reitor da UNICV, onde está a maioria dos estudantes universitários em Cabo Verde, afirmou que neste novo ano letivo a Universidade registou menos 1000 alunos inscritos face ao ano anterior”,
apontou a mesma.

Dificuldades de estudantes no acesso a residência estudantil e internet

O segundo problema apontado nesta conferência tem que ver com a questão das residências estudantis., onde denunciou que existem vários estudantes em condições quase que indignas, porque há́ uma ausência clara de políticas públicas nesse. sentido.

“É preciso que Governo tenha uma política clara em matéria residências estudantis! Por exemplo, é possível criar incentivos fiscais e parafiscais no tema de arredamentos de habitação para estudantes; é possível ainda aproveitar vários apartamentos que estão fechados do Programa “Casas para Todos” ou quiçá alguns edifícios do estado e transformá-las em residências estudantis”, ressaltou.

Em relação a infoexclusão, a vice-presidente da JPAI denunciou que há́ um sem-número de estudantes que não conseguem ter acesso a equipamentos informáticos em condições e de qualidade, seja um computador, um tablet ou um telemóvel, que lhes permitem desenvolver as suas atividades académicas com maior eficácia e eficiência.

É do nosso conhecimento que muitas das nossas universidades em Cabo Verde possuem algumas limitações a nível de equipamentos informáticos, pelo que é preciso também ter uma política para essa questão”, disse a mesma fonte.

Para a jovem politica, a JPAI entende que o Governo poderia criar um Fundo para o efeito ou uma linha de crédito bonificado, com o aval e a garantia do Estado em 80 a 100%, permitindo assim criar condições de aquisição de equipamentos informáticos por parte dos estudantes.

Em termos de acesso a internet, incluindo dentro da infoexclusão, Viviane Brito diz que é preciso que Governo adote medidas de política que visam, por exemplo, em parceria com as operadoras nacionais, criar pacotes de internet especiais para os estudantes, desenvolver também a semelhança de outros países, uma política de ‘’internet comunitária’’ com diferentes pontos de acesso pelo país, permitindo aos estudantes o acesso gratuito a páginas indispensáveis para desenvolver as suas atividades académicas.

Sustentabilidade do Ensino Superior

O último dos problemas apontados pela JPAI está relacionado com a sustentabilidade do Ensino Superior, onde apontou que existem várias dificuldades, onde muitos dos colaboradores das universidades estão sem conseguir receber os seus respetivos salários.

“É real a possibilidade de falência de algumas universidades privadas e aqui entendemos que é preciso uma intervenção do Governo. Será́ que não se deve pensar na possibilidade de implementação de um subsídio também para as universidades privadas?”
, questionou.

Segundo Viviane Brito, a JAPI entende que para a consolidação do Ensino Superior no nosso País é preciso ter vontade política para dar passos seguros e firmes, reforçando os ganhos alcançados e melhorando os aspetos que obstaculizam o seu progresso.

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