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Jaguar foge e mata alpacas, ema e raposa —Conheçamo-las 16 Julho 2018

Um jaguar fugido da sua jaula causou ao jardim zoológico de New Orleans "uma terrível perda" de seis espécimes raros: quatro alpacas, uma ema e uma raposa. Uma boa notícia é que ninguém (humano) ficou ferido e o ’terrível’ felino foi sedado e devolvido à sua jaula.

— Conheçamo-las! Diga-se tendo em conta o que se descobriu numa rápida sondagem, após noticiários CNN e CBS, nos Estados Unidos, terem, este sábado, divulgado a fuga do felídeo no Audubon Zoo, New Orleans, e o consequente massacre de seis espécimes de três espécies.

Assim, no universo desta pesquisa apenas duas em vinte pessoas conheciam a totalidade das quatro espécies, a mesma percentagem das que só conheciam uma só.

Entre esses dez por cento que disseram conhecer a raposa, não pôde ser escrutinado se no fim das contas o que conhecem não passará do idiomatismo. Ou seja, o “ficaste raposa”, que há uns anos servia para referir os que saíam reprovados dum exame final. Triste!

O que sabemos, embora limitado, vamos então a partilhar (note bem a preposição denotativa de movimento).

Primeiro, sobre a ema, diferente da Ema (da heroína de Jane Austen, Emma, um nome muito popular nos assentos de batismo dos EUA). Quem é cruciverbista, fã de palavras cruzadas embora sem mercado neste Paralelo 14, está familiarizado com esta palavra proposta sempre como “grande ave corredora australiana” e com o espaço equivalente, três letras. A resposta certa é ema, mas a origem é mais lata: também há uma ema um pouco menos possante na América do Sul.

A fotografia mostra uma ave de aparência possante, que pouquíssimo deve à beleza. Admirável seria vê-la levantar voo, mas é uma corredora de respeito, que atinge 50 km/h, como denota o seu nome científico: Dromaius novaehollandiae — ’corredor da Austrália’, no masculino porque em inglês é escrito ’emu’ e muitos lusófonos ‘seguem o líder’. A ecmnésia, pois claro, seletiva, fez perder a etimologia portuguesa "ema", registada nas viagens de regresso das Molucas a partir da era de Quinhentos.

A outra espécie vítima do felídeo, as alpacas têm um habitat muito mais restrito. São exclusivas das montanhas dos Andes, na Argentina, Peru e … e são famosas pela sua preciosa lã, matéria-prima de artigos de luxo. Ah, e a ecmnésia não nos pode deixar de referir que no tempo dos tinteiros houve os famosos mangas de alpaca, bem humanos.

O jaguar é um ‘grande gato’, um felídeo menor que o leão e o tigre, com dentes cortantes que atravessam armaduras possantes. Originário da América do Sul como o nome tupi denota, este primo do tigre é marcado por uma grande agressividada, com ’dentes de sabre’ que estraçalham as vítimas, mesmo as que têm revestimentos como armaduras.

Antropomorfizado, ou seja, criado à imagem do homem pela sua agressividade, inspirou os topos de gama da indústria automóvel (vendidos até nove dígitos CVE).

A raposa? Releia acima e relembre as fábulas da praxe. Ou leia o "Romance da Raposa" de Aquilino Ribeiro, que começa assim: Havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas – raposeta matreira, fagueira, lambisqueira – corria os bosques, farejando, batendo mato, sem conseguir deitar a unha a outra caça além de uns míseros gafanhotos, nem atinar com abrigo em que pudesse dormir um soninho descansado. Desesperada de tão pouca sorte, vinham-lhe tentações de tornar para casa dos pais, onde, embora subterrânea, a cama era mais quente e segura que em castelo de rei, e onde nunca faltava galinha, quando não fosse fresca, de conserva, ou então coelho bravo, acabado de degolar.

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