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Japão: 126 condenados à forca esperam dezenas de anos — Viúva-negra condenada dificilmente será executada 05 Junho 2022

O Japão é o último país desenvolvido a aplicar a pena de morte por enforcamento, o que aliás é apoiado pela maioria dos cidadãos e, porém, motivo de condenação em diversas instâncias mundiais de defesa dos direitos humanos. O governo de Fumio Kishida realizou três execuções em dezembro último, e o facto passou despercebido dos ’media’ internacionais.

Japão: 126 condenados à forca esperam dezenas de anos — Viúva-negra condenada dificilmente será executada

Um mês antes, teve no entanto ampla difusão a notícia de que dois condenados tinham dado entrada no tribunal de Osaka de uma queixa contra o governo. Motivo da queixa: o facto de só serem avisados no mesmo dia em que a execução se vai realizar, o que constitui "tratamento desumano", "uma tortura infinita que pode durar décadas".

Perante a contestação dos países europeus e diversas organizações internacionais, o Japão defende o seu sistema — e obtém 85% de aprovação da população — alegando que as sentenças de morte, regra geral, apenas são impostas em casos de assassinatos múltiplos. Os mais raros casos de enforcamento de assassinos únicos só acontecem depois de avaliada a gravidade do crime.

O anterior executado, em 2019, foi um nacional chinês, Wei Wei, de 40 anos, que matou uma família de quatro pessoas durante um assalto em 2003. Esse estrangeiro, jovem imigrado no Japão para estudar a língua, esteve no corredor da morte durante dezassete anos.

Para a Amnistia Internacional, a execução desse quádruplo homicida — que se conta entre as trinta e nove realizadas nos sete anos do governo do ex-primeiro-ministro Abe — foi "uma vergonhosa mancha nos direitos humanos, um ano antes das Olimpíadas" (antes do adiamento do Tokyo’20 para 2021).

Atualmente, os cento e vinte e seis condenados à espera de execução — entre eles, Chisako Kakehi (foto), serial-conjugicida (suspeita de onze mortes, o tribunal só a condenou por três) — põem o Japão muito atrás dos Estados Unidos, que dependendo das fontes conta 655 ou 2.005 no corredor da morte. A Amnistia Internacional aponta que estes são "os únicos países desenvolvidos e democráticos" que aplicam essa "vergonhosa" punição.

Os recordes da pena capital encontram-se, segundo a IA, na China — sem publicitação dos dados, as estimativas apontam para "milhares de execuções anuais". Seguem-se o Irão, Egipto, Iraque e Arábia Saudita.

’Quero ser enforcado’

A pena capital "era o seu objetivo ao cometer o "crime do Halloween": esta a insólita confissão de Kyota Hattori, mascarado de Joker que "feriu dezenas de pessoas" após incendiar a carruagem do metro da capital, Tóquio em 31-10-2021
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Fontes: Japan Times/Japan Today/South China Morning Post/. Relacionado: Japoneses condenados à forca processam governo por ’tratamento desumano’, "sistema que mata em segredo", 05.nov.021. Fotos: Kyota Hattori, de 24 anos, não está entre os 126 condenados à forca, mesmo se o seu objetivo ao cometer o crime do Halloween fosse mesmo esse, entrar numa das sete prisões que no Japão estão equipadas para executar a pena capital. A notória viúva-negra’ Chisako Kakehi, de 75 anos, teve indeferido o seu recente pedido de revisão da condenação à pena capital por três conjugicídios e um quarto tentado (entre 2007 e 2013), além de ser suspeita em mais sete mortes (anteriores a 2007) — que a instância de Acusação não conseguiu provar.

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