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Japão: Enfermeira que matou doentes com cloro no soro escapa à pena capital 12 Novembro 2021

A acusação só conseguiu provar que Ayumi Kuboki (foto), então com 29 anos, matou três pacientes, mas as autoridades japonesas acreditam que o número pode estar próximo de 20. Foi condenada à prisão perpétua esta terça-feira, porque "confessou e pediu desculpas aos familiares das vítimas", segundo a sentença do tribunal.

Japão: Enfermeira que matou doentes com cloro no soro escapa à pena capital

A enfermeira acusada de ter matado três pacientes — ao colocar desinfetante nos sacos de soro intravenoso dos doentes no Hospital Oguchi da prefeitura de Kanagawa da área metropolitana de Tóquio — admitiu a sua culpa. Mas a cremação da grande maioria das vítimas, talvez em número de vinte, impediu apurar toda a verdade segundo admitiu o tribunal de Yokohama, na leitura da sentença na terça-feira, 09.

Foi em setembro de 2016 que uma enfermeira — que entrou no turno a seguir a Ayumi — se deu conta de que o soro do moribundo paciente Sozo Nishikawa de 88 anos apresentava sinais de ter sido manipulado. A investigação chegou a outros dois pacientes que tinham morrido nesse verão: Nobuo Yamaki, também de 88 anos, e Asae Okitsu, de 78.

Kuboki confessou às autoridades, em 2018, que fazia com que os doentes morressem fora das suas horas de trabalho, para não ser acusada pelos familiares.

Cinco anos decorridos, o juiz Kazunori Karei considerou que Kuboki "cometeu os atos sabendo que eram ilegais", pelo que "é legalmente responsável pelas mortes" tal como defendeu o Ministério Público. No entanto, o juiz justificou a mitigação da pena em perpetuidade dado que a criminosa disse estar arrependida e pediu desculpa aos familiares das vítimas.

"Ela compreende a gravidade dos crimes, e disse mesmo na sua declaração final que quer compensar os crimes com a sua morte. Ao fazê-la enfrentar o peso da sua culpa para o resto da sua vida, faz-se justiça", rematou o juiz.

Perpetuidade e pena capital

O debate mundial sobre a pena capital ainda não chegou ao Japão que é o único país desenvolvido onde a pena capital é generalizada (nos EUA é só em alguns Estados). A execução faz-se por enforcamento e, apesar dos esforços "ocidentais" contra o "bárbaro regime penal", mais de 80 por cento dos japoneses aprovam-no.

Kyota Hatori, de 24 anos, o perpetrador do recente atentado no metro de Tóquio, no dia do Halloween nipónico, confessou que procurava ser enforcado quando incendiou o metro e esfaqueou "umas vinte pessoas".

O ano passado foi executado Satoshi Uematsu que, em 27 de julho de 2016 aos 26 anos, matou dezanove pacientes em dois lares contíguos.

Em poucos minutos, entre as 02H20 e 02H40, nove homens e dez mulheres todos deficientes com idades a partir dos 18 anos e até os setenta foram esfaqueados até à morte. Outros 36 sobreviveram, mas treze ficaram com sequelas graves.

Meses antes, depois de se desempregar do lar em fevereiro, o antigo professor primário escrevera ao presidente do parlamento a defender que seria um ato de misericórdia e de alto patriotismo "eliminar os deficientes".

O caso foi investigado. Uematsu foi internado para observação psiquiátrica e ao fim de dois meses, os médicos declararam que ele "não representava uma ameaça".

Fontes: Japan Times/Japan Today/Tokyo Times/. Relacionado: Japoneses condenados à forca processam governo por ’tratamento desumano’, "sistema que mata em segredo", 05.nov.021. Foto: Enfermeira serial-killer condenada à prisão perpétua. O Japão conta 129 condenados à forca, a maior parte espera há dezenas de anos.

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