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Japão: Eleito primeiro-ministro Kishida é da ala mais conservadora do LDP — Suga desgastado com Tokyo’20 esteve só 1 ano 30 Setembro 2021

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Fumio Kishida foi eleito, nesta quarta-feira, 29, como novo líder do partido no poder, o LDP-Partido Democrata-Liberal, e por inerência primeiro-ministro do Japão. Incumbido de ganhar em novembro as próximas eleições — que Yoshihide Suga iria perder, dada a baixa popularidade após teimar em manter as Olimpíadas —, Kishida não se afastará da linha partidária definida pelos anciãos do LDP, antecipam os politólogos.

Japão:  Eleito primeiro-ministro Kishida é da ala mais conservadora do LDP — Suga desgastado com Tokyo’20 esteve só 1 ano

Fumio Kishida toma posse na próxima segunda-feira, 4. É o sexagésimo-sexto (desde 1885, ano inaugural da função) a ocupar o cargo de primeiro-ministro do Império Nipónico.

Esta quarta-feira, o "nada assertivo" Kishida ganhou o cargo que de há muito ele ambicionava — como rebento duma família que há mais de um século dá as cartas na esfera político-governativa. A sua última derrota foi há um ano na disputa com Suga. A sua vitória hoje — em virtude do apoio da ala mais conservadora do LDP — obteve-a sobre quatro oponentes.

O mais forte: Taro Kono, o ministro da Saúde e czar do combate à Covid — que logrou a façanha de em dois meses fazer subir para 60% a taxa de vacinados anti-Covid (que, em vésperas de Olimpíadas, era de menos de 10%). Taro Kono é "o anti-conformista" cuja assertividade desagrada à elite de anciãos do LDP e o torna muito popular junto do eleitorado e da base partidária.

Dentre os grandes desafios que Kishida terá pela frente, deixou de constar a gestão da pandemia anti-Covid — que está mais controlada, vantagem que não teve Suga. Os principais problemas cuja solução se espera do próximo governante chefe são: a economia em recessão, as catástrofes naturais incrementadas pela crise climática, o défice público "gargantuesco" que os sucessivos governos foram alimentando e a população mais idosa do mundo, numa demografia marcada pelo grande número de "virgens" que não querendo casar não renovam a geração.

Porém os críticos de Kishida não escondem a desconfiança com a sua escolha que, dizem, não vai permitir renovar a geração política que decide no LDP. Nem tão-pouco solucionar os problemas do país. Nada disto transparece no discurso de vitória do novel líder do LDP.

"Temos montanhas de desafios que o Japão vai ter de enfrentar", disse: as tensões na região geradas pela crescente agressividade da China e os testes com mísseis balísticos que a Coreia do Norte tem realizado; a entrada de Taiwan num pacto de comércio multilateral, com o apoio japonês que tem tudo para desagradar à China.

A nível das relações com os Estados Unidos, prevê esta quarta-feira (com a vantagem de doze horas a menos) a edição do New York Times que o ex-MNE Kishida irá manter os laços que estreitou com a primeira potência e procurará fortalecer a aliança com a Austrália e a Índia, contra a China.

Novo capitalismo?

As dificuldades da economia nipónica têm vindo a aprofundar-se no sentido da desigualdade social e a culpa é dos Liberais —LDP— no poder há vários anos.

Sem surpresa, Kishida defendeu na sua plataforma eleitoral o "novo capitalismo" para uma melhor distribuição da riqueza gerada. O conceito foi criado por partidos da oposição na sua luta para derrotar Shinzo Abe nos seus oito anos de governo. Adotando-o, Kishida serve-se de uma velha estratégia do Partido Democrata-Liberal, que é pegar em medidas políticas propostas pelos opositores e usá-las para "amansar" o eleitorado — o que explica a sua longevidade como partido.
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Fontes: Japan Times/Indian EXpress/NY Times/... Foto (Kyodo/Reuters)

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