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Japão: Lei reconhece Ainus como povo indígena — “Salvos de desaparecer” 22 Abril 2019

A lei aprovada pelo Doma japonês na sexta-feira, 19, reconhece pela primeira vez que os Ainu de Hokkaido são o povo “indígena” de Hokkaido. O Japão, onde a homogeneidade cultural foi obtida com o perecimento das minorias, está a mudar para se tornar mais inclusivo, diz o espírito e a letra da nova lei.

Japão: Lei reconhece Ainus como povo indígena  — “Salvos de desaparecer”

“É importante para toda a sociedade que os Ainu possam manter a sua dignidade étnica e transmitir a sua cultura para criar um Japão mais forte, vibrante e diverso”, disse em conferência de imprensa o ministro Keiichi, que tutela o ordenamento territorial no país do sol nascente.

Mas há vozes descontentes entre os Ainu. Sentem que falta uma parte importante na nova lei: um pedido de desculpas do governo japonês pelo sofrimento dos Ainu desde os anos de 1880.

Foi nesse decénio após quase mil anos desde os primeiros contactos datados do século nono e os encontros comerciais a partir do século quinze, que desembocaram no século dezoito em conflitos armados entre Ainus e Japoneses, que o Japão decidiu ocupar Hokkaido. A grande ilha mais a norte, que os Ainu habitaram desde tempos imemoriais, que recentes estudos apontam ter sido entre 50 mil e 25 mil a.C.

O pretexto era a defesa do território japonês ante o avanço da Rússia czarista. Mas a este se juntavam os objetivos económicos do Japão prestes a integrar a onda capitalista mundial. Seguiu-se, assim, a exploração dos recursos naturais da ilha e o controlo das terras, boa parte das quais foram doadas aos samurais, a classe guerreira que estando desocupada podia ameaçar a estabilidade do império japonês.

Em 1899, o governo aprovou a lei que reconhecia os Ainu como “antigos aborígines" e lhes reconhecia automaticamente a cidadania japonesa. A partir daí, relatos na primeira pessoa dão conta da discriminação contra os Ainu pelos novos recém-chegados.

Yuji Shimizu, de 78 anos, contou à reportagem que para o proteger das outras crianças, japonesas, que o chamavam ‘cão’ e o provocavam devido às suas origens ainu, os pais decidiram não lhe ensinar a cultura – língua, religião, usos e costumes.

“A minha mãe disse-me: ‘Tens de esquecer que és Ainu se queres ser alguém, tens de te tornar Japonês”.
— -
Fontes: Japan Times/CNN/... Foto: Uma das sessões de trabalho no Doma (parlamento) prévias à aprovação da lei na sexta-feira, 19.

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