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Japão: Shiori Ito obtém por fim justiça, ’big boss’ que a violou condenado 19 Dezembro 2019

A jornalista Shiori Ito teve de esperar quase cinco anos, mas esta quarta-feira, 18, obteve por fim a justiça que tanto esperou: o tribunal de Tóquio condenou o seu agressor, um responsável por uma cadeia de televisão que é também conhecido como biógrafo de Shinzo Abe, o primeiro-ministro.

Japão: Shiori Ito obtém por fim justiça, ’big boss’ que a violou condenado

"Nós, ganhámos, ele foi derrotado, não temos os detalhes do julgamento, mas esta é uma etapa importante", disse Shiori Ito, à saída da audiência. "Apresentámos testemunhas que foram ouvidas pelo tribunal", confirmou a jornalista.

O tribunal deu como provada a acusação contra Noriyuki Yamaguchi, antigo chefe de redação em Washington da Tokyo Broadcasting System Television, a quem a jornalista acusou de a ter violado num hotel de Tóquio em 4 de abril de 2015.

Segundo Shiori Ito contou em tribunal, ela aceitou jantar com o chefe de redação para discutirem a sua contratação. Ao fim do jantar regado com "algumas bebidas", ela acabou por perder a consciência. Acordou num quarto de hotel, onde foi violada. Tinha sido drogada, afirmou ela que no entanto admite que não tem como prová-lo.

Mas as imagens da câmara do hotel, bem como, o depoimento do taxista que os levou ao hotel confirmaram que ela não se encontrava consciente.

Também foi apresentada como prova uma gravação da conversa entre Yamaguchi e dois colegas, do sexo masculino, em que ele refere o comportamento de Shiori Ito como de alguém que bebeu além da conta, "mais do que pode aguentar".

Shiori Ito bebeu "mais do que pode aguentar" foi a afirmação que Yamaguchi repetiu numa carta-aberta publicada, em dezembro de 2015, pelo mensário Hanada, na qual nega as acusações.

Caso arquivado em juízo criminal, condenação em juízo cível


A queixa apresentada deu lugar a uma investigação que concluiu em junho, com o tribunal a emitir um mandado de detenção do agressor, Yamaguchi. Mas a meio da intervenção, os agentes receberam "uma ordem superior" para deixarem Yamaguchi seguir para o aeroporto.

O tribunal arquivou a queixa. Shioro Ito continuou a lutar. Recorreu ao tribunal cível com um pedido de indemnização.
Mas a pressão familiar — com o pai a não apoiá-la pois ela não se defendeu da violação — juntou-se à ostracização socioprofissional que fez com que ela nunca mais tenha conseguido um emprego no país. Shiori Ito teve de deixar o Japão para conseguir um emprego, em Inglaterra.

Quase cinco anos depois, o tribunal cível deu razão à queixosa ao condenar Yamaguchi a indemnizá-la pagando-lhe 33 milhões de yens/ienes (c.3 milhões CVE).

Fontes: Japan Times/Time/Le Monde.

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