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Japoneses condenados à forca processam governo por ’tratamento desumano’, "sistema que mata em segredo" 05 Novembro 2021

O Japão é o último país desenvolvido a aplicar a pena de morte por enforcamento, o que é motivo de condenação em diversas instâncias mundiais de defesa dos direitos humanos. Esta quinta-feira, as atenções concentram-se neste tipo de pena "impróprio de sociedades democráticas", dada a notícia de que dois condenados deram entrada no tribunal de Osaka de uma queixa contra o governo. Motivo: o facto de só serem avisados no mesmo dia — em que a execução se vai realizar — constitui "tratamento desumano", "uma tortura infinita que pode durar décadas".

 Japoneses condenados à forca processam governo por ’tratamento desumano’,

Perante a contestação dos países europeus e diversas organizações internacionais, o Japão defende o seu sistema — e obtém 85% de aprovação da população — alegando que as sentenças de morte, regra geral, apenas são impostas em casos de assassinatos múltiplos. Os mais raros casos de enforcamento de assassinos únicos só acontecem depois de avaliada a gravidade do crime.

O último executado, em 2019, foi um nacional chinês, Wei Wei, de 40 anos, que matou uma família de quatro pessoas durante um assalto em 2003. Esse estrangeiro, jovem imigrado no Japão para estudar a língua, esteve no corredor da morte durante dezassete anos.

Para a Amnistia Internacional, a execução desse quádruplo homicida — que se conta entre as trinta e nove realizadas nos sete anos do governo do ex-primeiro-ministro Abe — foi "uma vergonhosa mancha nos direitos humanos um ano antes das Olimpíadas" (antes do adiamento do Tokyo’20 para 2021).

Atualmente, os cento e vinte e nove condenados à espera de execução (entre eles, a notória viúva-negra) põem o Japão muito atrás dos Estados Unidos, que dependendo das fontes conta 655 ou 2.005 no corredor da morte. A Amnistia Internacional aponta que estes são "os únicos países desenvolvidos e democráticos" que aplicam essa "vergonhosa" punição.

Os recordes da pena capital encontram-se, segundo a IA, na China — sem publicitação dos dados, por ser ", as estimativas apontam para "milhares de execuções anuais". Seguem-se o Irão, Egipto, Iraque e Arábia Saudita.

’Quero ser enforcado’

A pena capital "era o seu objetivo ao cometer o "crime do Halloween": esta a insólita confissão de Kyota Hatori, mascarado de Joker que "feriu dezenas de pessoas" após incendiar a carruagem do metro no domingo, 31.

Fontes: Japan Times/Japan Today. Relacionado: Fotos: Kyota Hatori, de 24 anos. O Japão conta 129 condenados à forca, a maior parte espera há dezenas de anos. Um total de sete prisões no Japão estão equipadas para executar a pena capital.

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