MUNDO INSÓLITO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Javalis invadem espaços urbanos em França, Alemanha: 1 atacou transeuntes, outro roubou PC de nudista em Berlim — Caçador matou colega que confundiu com a caça 26 Dezembro 2020

"As pessoas ficaram como que paralisadas, ninguém se mexeu ao ver o enorme javali a aproximar-se delas", explicou o comissário da polícia da cidade de Cahors, no centro de França. "A nossa sorte foi que era feriado e em tempo de Covid há pouca gente nas ruas, senão era uma catástrofe".

Javalis invadem espaços urbanos em França, Alemanha: 1 atacou transeuntes, outro roubou PC de nudista em Berlim — Caçador matou colega que confundiu com a caça

Em França, segundo a descrição do comissário à imprensa, o animal selvagem fez nesta última semana do ano uma longa caminhada desde a montanhosa reserva de Chartreuse. A incursão não é inédita, já que nos últimos meses foram avistados javalis perto de Toulouse, grande metrópole da região do Lot onde, segundo a federação de caça regional, todos os anos se caçam em média 6000 javalis.

Neste caso recente, o javali atravessou por três vezes, o rio Lot, com passagem em três pontos até chegar à cidade.

"Duas pessoas ficaram feridas, felizmente sem gravidade, já que o enorme javali, de 87 quilos, estava preparado para atacar, pois tinha as presas armadas para esse fim".

A polícia atirou de imediato mas "não foi fácil dominá-lo". Tiveram de chamar um perito em vida animal selvagem e foi este que, com uma só bala, abateu o animal já cercado numa garagem.

"Saúdo o sangue-frio dos agentes e do perito que evitaram uma catástrofe. O animal podia ter ferido e mesmo matado alguém". "A sorte mesmo foi que havia pouca gente no centro da cidade", ao contrário do que é hábito no feriado da véspera de Natal, disse o comissário no noticiário da noite.

Menos sorte teve, no dia 2 deste mês, o participante numa caçada ao javali na mesma região do Lot, que acabou abatido por um colega caçador que estava a cem metros.

O involuntário homicida foi logo apresentar-se à polícia e garantiu que disparou sobre o outro participante de 25 anos por o ter "confundido com um javali".

Esta morte dum jovem tem dividido a sociedade francesa. Há os que criticam o facto de ter a época de caça permanecido inalterável na região venatória, não obstante todas as restrições impostas pelo surto pandémico.

Outros destacam que a caça ao javali (foto) — que garantem estar a ser feita a título preventivo e não desportivo - tem permitido controlar a proliferação nociva da espécie, que destrói vastas extensões agrícolas.

Javali rouba PC de nudista em Berlim — 4 mil peticionam pela vida selvagem

Há quatro meses, as fotos na internet contam o episódio presenciado por quem esteve no lago Teufelssee, muito procurado para banhos de sol dos berlinenses que preferem banhar-se despidos, mesmo se os nudistas são a minoria a crer nas fotos e vídeos a circular desde 7 de agosto quando se deu o caso da "javali que roubou o portátil".

A súbita aparição da mãe javali com duas crias, saídas da floresta circundante, não perturba o homem que está a banhar-se de sol. Está como veio ao mundo e tem junto de si um saco amarelo. Dentro — saber-se-á depois — está o seu computador portátil. Sem que nada o fizesse prever, a javali abocanha o saco e corre seguida das crias. O dono do saco corre atrás do trio, passa pelas pessoas que olham espantadas esse espetáculo de um homem pesadote nu a correr atrás de um javali com um saco amarelo. Minutos depois, é o regresso triunfal do dono com o seu portátil recuperado.

"Todos nós ficámos a admirá-lo, por ter estado tão focado, e quando ele voltou com o seu saco amarelo na mão, todos aplaudimos e demos-lhe os parabéns", escreveu no Twitter a Adele Landauer que fotografou e foi autorizada a publicar no Insta e no Facebook. O ’dono do saco amarelo’ mostrou muito fairplay: "riu-se muito ao ver-se", escreveu a fotógrafa residente em Berlim.

Ouvido pelo Deutsche Welle, o responsável municipal do Departamento do Ambiente na capital, explicou: "Estes javalis estão habituados a comer em sacos de plástico" e "se as pessoas trazem comida, os animais podem farejá-la até mil metros de distância". Não só javalis mas também raposas, guaxinins e texugos costumam ir ao local muito frequentado no verão, "cada vez mais escaldante em Berlim, em busca de comida ao anoitecer", acrescentou.

O responsável pelo Ambiente no município de Berlim deixou, por isso, um apelo aos frequentadores do lago : "Por favor, não deixem restos no lago e floresta. Cada um leve o seu lixo consigo".

Em setembro, um mês depois do episódio, a câmara de Berlim deferiu a petição online para não se abater a mãe javali.

Alemães habituados ao naturismo há mais de um século

Os "guias para a vida na natureza" são um ramo literário muito prolífico na Alemanha. Muitos são escritos por médicos conceituados, que aconselham aos cidadãos dos países mais industrializados o regresso à natureza como estilo de vida ou como forma de curar doenças associadas à vida urbana.

Em nome da Saúde, a tendência "pela e para a natureza", que surgiu na Alemanha industrializada desde o século XIX, traduziu-se no final desse século na prática do naturismo associado também ao nudismo à volta de lagos e parques.

A prática tornou-se tão popular que em 1898 surgiu em Berlim a organização FKK-Freikörperkultur (Cultura do corpo livre) que, em diálogo com as autoridades, estabeleceu as normas próprias do naturismo.

Uma das normas, tornada necessária após a reunificação das duas Alemanhas, Ocidental e Oriental, no pós-Queda do Muro, é a que "delimita as áreas de espaços de lazer onde pode ser praticado o naturismo".

O estilo de vida muito popular na parte mais oriental do país — onde era visto como "uma forma de vida mais saudável" e "uma forma de liberdade contra a vergonha, a desigualdade social" — e que se propagou a países vizinhos, no Báltico e Mar do Norte, todavia é menos apreciado na parte oeste da Alemanha.

Por isso, há quem esteja a lutar para que haja mais zonas FKK no país. Um deles é o eurodeputado Gregor Gysi. Segundo este "nativo de Berlim-Leste", a sexualização da nudez a Oeste fez "perder a noção do que significa", como "estilo de vida natural", "para a respiração livre" sem roupas que apertam.

Fontes: Le Figaro/DW.de/Outras referidas. Fotos (AFP/DW).

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project