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Jazz: Faleceu Jonas Gwangwa, ícone anti-apartheid 31 Janeiro 2021

O jazzista, compositor e produtor sul-africano Jonas Gwangwa foi a enterrar no Soweto nesta sexta-feira, 29. A sua carreira, que atravessa quase sete décadas, arrancou ainda na sua adolescência e gozou de "fama merecida" no ambiente multicultural da África do Sul. O regime do ’apartheid’ perseguiu Gwangwa que, para salvar a vida dele e dos seus, por fim foi forçado a ir viver com a família no exílio.

Jazz: Faleceu Jonas Gwangwa, ícone anti-apartheid

A militância anti-apartheid de Gwangwa, que associava música e intervenção política, custou-lhe primeiro a liberdade de tocar livremente, desde 1960 no seu país natal.
Mas deu-lhe a projeção internacional de "ícone do jazz" necessário para tornar mais visível a luta de Mandela.

A viver no estrangeiro, durante mais de uma década, foi num regresso ao país natal, em 1965, que Jonas reencontrou a namoradinha Violet com quem se casaria poucos dias depois.

Anos depois, com a família estabelecida no Soweto natal, Gwangwa pôde continuar a desenvolver a sua carreira em benefício da luta pela liberdade da maioria negra sul-africana.

O exílio resultou dum atentado que destruiu a casa da família de seis. Dessa vez, em 1985, partiram para a Inglaterra e depois para os Estados Unidos — de onde regressaram com a queda do apartheid em 1991.

Casados em 1965, Violet e Jonas Gwangwa, que sofria de complicações cardíacas, faleceram com 17 dias de intervalo, este mês nos dias 6 e 17 aos 82 e 83 anos, respetivamente.

Ramaphosa: Presciência de Violet salvou família de atentado

A carreira musical de Gwangwa, que começou como integrante dos Jazz Epistles/Epístolas do Jazz cresceu e reforçou-se com a militância anti-apartheid.

Os músicos, que como Gwangwa utilizaram a sua arte para promover a igualdade racial, foram perseguidos pelo regime.

A repressão da música anti-apartheid fez-se logo sentir em 1960, com a imposição do estado de emergência aos clubes multiculturais onde se tocava jazz.

Em 1985, a sua casa no Soweto foi incendiada pelo regime. Mas a esposa, Violet (na foto à direita), "prescientemente", segundo o elogio fúnebre do presidente sul-africano, ganhara o hábito de fazer a família alternar as dormidas entre a sua casa e as de familiares.

Os seis membros da família Gwangwa sobreviveram, pois, ao atentado em que perderam a casa e os bens. Rumaram ao exílio, primeiro em Londres, depois nos Estados Unidos. Em 1991 regressaram, com a queda do regime.

Fontes: BBC/ANA-South African News Agency /Billboard. Fotos (Getty/ANA): O jazzista lendário no festival de Jazz em Joanesburgo em 2017. A família de Jonas Gwangwa celebra o seu 82º aniversário: filhas Keituletse e Mpho, a esposa Violet, sentadas, e os filhos Mojalefa e Malose.

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