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Jornalista assassinado em Amsterdão investigava narcotráfico — PM Rutte quer "justiça em honra de Peter de Vries" 16 Julho 2021

Um proeminente jornalista baleado na cabeça em Amsterdão morreu esta quinta-feira, 15, ao fim de nove dias e "rodeado da família" que se diz "inconsolável mas orgulhosa". Mensagens que homenageiam a coragem de Peter de Vries incluem o rei Guilherme dos Países-Baixos, a presidente da União Europeia e o primeiro-ministro holandês, Marc Rutte, que promete "que justiça será feita, para honrar Peter de Vries", contra executantes e mandantes do assassínio do jornalista.

Peter de Vries (Foto inserida ao centro), de 66 anos, era conhecido pelo jornalismo de investigação a que se dedicava, com um sentido de serviço público tal que criara o motto "É melhor morrer digno do que viver ajoelhado perante o crime".

Morreu nesta quinta-feira, 15, nove dias de ter sido na terça-feira, 6 baleado na cabeça, ao deixar o edifício da estação de televisão RTL no centro de Amsterdão. Os seus assassinos dispararam um total de cinco tiros.

No dia seguinte a polícia anunciou que tinha capturado os dois suspeitos, um polaco de 35 anos e "um residente em Roterdão de 21 anos", na autoestrada A4 que liga Amsterdão à Polónia, país a 900 km de distância.

Segundo informações dos media da referência, os assassinos terão tido apenas o papel de executantes a mando de Redouan Taghi (foto em baixo, à d.ta), barão da droga com monopólio da cocaína procedente do Peru e que controla um terço do total do tráfico para a Europa. Ainda, suspeito de vários assassínios, ele está desde outubro de 2019 detido na cadeia de alta segurança de Vugt enquanto decorre o seu julgamento rodeado de especiais medidas de segurança.

A prisão no município de Vugt, que acolhe 2.700 presos em quinze edifícios adaptados de um antigo campo de concentração nazi, está ligada a nomes grandes do crime. O terrorista Samir Azzouz. O assassino Mohammed Bouyeri (que matou o realizador Theo van Gogh) condenado a pena perpétua sem apelo. Willem Holleeder (ver entretítulo abaixo), condenado a pena perpétua. Outros.

Nacional neerlandês, Taghi é de origem marroquina. Está suspeito de dirigir um "super cartel de droga" com o traficante de drogas e armas Raffaele Imperiale (ligado à mafia italiana da Camorra), Daniel Kinahan (chefe do crime irlandês) e Edin Gačanin (narcotraficante bósnio).

Segundo a DEA-autoridade americana de combate ao narcotráfico, o grupo teve desde 2017 encontros no hotel Burj Al Arab, Dubai, que será a sede do "super cartel".

De Vries esteve envolvido na investigação que conduziu à prisão em 2019 do criminoso Taghi, que ao longo de vários anos escapou à polícia por obra de uma grande capacidade camaleónica, ajudada por perucas e variados outros disfarces, além de usar "dezenas de passaportes com visas legais"(!).

A polícia neerlandesa acredita que R. Taghi, que arrisca a pena perpétua, terá ordenado o assassínio de Peter de Vries, pelos dois agora detidos. Outro possível motivo é que Peter de Vries era o conselheiro de Nabil B., a principal testemunha do processo contra Taghi, e que acabou assassinado, assim como o seu advogado Derk Wiersum, no que foi considerado um ataque ao sistema legal holandês.

Rapto do herdeiro Heineken. De Vries ajuda à captura dum fugitivo

O jornalista fez a cobertura de vários crimes, a sua investigação foi importante para a condenação de criminosos como no notório rapto do filho do multimilionário dono da marca de cerveja Heineken.

Em 2013 o raptor Willem Holleeder foi condenado por ameaças de morte contra Peter de Vries. O condenado à prisão perpétua não esquecera que o trabalho do jornalista ajudara a atirá-lo e à sua quadrilha para a prisão.

Foi em 9 de novembro de 1983 que, após tentativas falhadas, a quadrilha de cinco — Cor van Hout, Willem Holleeder (outro possível envolvido na morte do jornalista?), Jan Boellaard, Frans Meijer e Martin Erkamps — conseguiu raptar o milionário e o seu motorista à saída do escritório, na capital económica neerlandesa, Amsterdão. O resgate pedido, 35 milhões de guildas (2 mil milhões CVE), foi pago e os dois reféns foram libertados no dia 30 desse mês.

Os raptores tiveram destinos diferentes. Dois foram capturados pouco depois. Van Hout e Holleeder fugiram para França, onde ficaram três anos até serem extraditados, depois de passarem algum tempo entre a prisão domiciliária e entre grades em França. Nenhum dos dois desistiu da vida do crime após deixarem a prisão neerlandesa.

O quinto raptor, Meijer, conseguiu fugir para o Paraguai onde viveu largos anos livre até ser descoberto por Peter R. de Vries. Em 2003, Meijer decidiu parar de resistir à sua extradição para o reino neerlandês.

Cumprida a sua pena, vários tornaram-se chefes do crime organizado. Entre eles, Van Hout: voltou a ser preso durante quatro anos por narcotráfico. Em 2002 saiu da cadeia pela segunda vez. Após ser alvo de duas tentativas de assassínio, morreu à terceira, em 24 de janeiro de 2003 em Amstelveen, na periferia de Amsterdão. O funeral ao estilo da máfia teve um séquito de 15 limousines brancas a acompanhar o féretro, que avançava dentro duma carruagem branca puxada por oito cavalos brancos.

Outro é Holleder que cumpre pena perpétua em Vugt e a polícia suspeita dele como outro possível envolvido na morte do jornalista.

Fontes: BBC/nltimes.nl/DutchNews.nl. Fotos: O local onde o jornalista foi baleado tornou-se lugar de romagem.

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