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José Maria Neves admite que vai ganhar as eleições nas condições normais ou anormais 03 Setembro 2021

Perante um ato público com uma plateia eufórica que decorreu, esta quinta-feira, no palácio da Assembleia Nacional, na Praia, o candidato à Presidência da República, José Maria Neves, admitiu que nas condições normais e anormais vai ganhar as eleições de 17 de Outubro. «Nas condições normais, vamos ganhar as eleições de 17 de Outubro deste ano. Mas nas condições anormais (nr. se surgir irregularidades processuais e compras de consciências) vamos também trabalhar para ganhar essas eleições», desafiou o já apelidado « presidente necessário» para acelerar o ritmo de crescimento económico e busca de soluções para os principais desafios do país pós-pandemia.

José Maria Neves admite que vai ganhar as eleições nas condições normais ou anormais

O início da cerimónia conheceu um momento sublime, quando José Maria Neves destacou, depois de cumprimentar os presentes e demais cabo-verdianos no país e na diáspora através da transmissão em direta via a sua página no Facebook, a presença do comandante Pedro Pires. Uma figura que, entre outros atributos, considerou ser o cabouqueiro da nossa independência (negociou a independência de Cabo Verde com o poder colonial, foi o primeiro chefe do governo durante 15 anos depois de 5 de julho de 1975) e estadista que deixou marcas importantes durante os 10 anos em que exerceu o alto cargo de Presidente da República.

Entre aplausos com apitos e vivas de mãos levantadas (ver fotos), José Maria Neves apelou aos presentes, que encheram o Palácio da Assembleia Nacional, para se empenharem fortemente na campanha eleitoral, pedindo «um voto inteligente» de todos os cabo-verdianos residentes e na diáspora, com «djunta mon, kabesa y korason», como diz o lema da sua candidatura.

«Nas condições normais, vamos ganhar as eleições de 17 de Outubro deste ano. Mas nas condições anormais (nr. se surgir irregularidades processuais e compras de consciências) vamos também trabalhar para ganhar essas eleições», vai avisando o candidato a PR apoiado pelo PAICV, que moralizou os apoiantes presentes para a jornada da luta que segue, apelando: «Não tendes medo!».

Movimento nacional e vontade de trabalhar e abraçar pessoas

O concorrente à chefia do Estado de Cabo Verde considerou que a sua candidatura está a transformar-se num grande Movimento de cidadania com aderência de milhares de cidadãos no país e na diáspora. Um movimento que quer protagonizar mudança no dia 17 de Outubro e iniciar assim um novo ciclo político para acelerar o processo de desenvolvimento de Cabo Verde, depois da crise da pandemia de covid-19 que está a devastar a economia nacional com aumento da dívida pública, falência de empresas, aumento do desemprego e das desigualdades sociais.

«Estava com saudade de abraçar os cabo-verdianos no país e na disporá. Estava com vontade de voltar a trabalhar para ajudar Cabo Verde a acelerar o seu processo de desenvolvimento e melhorar o nível de vida de todos os cabo-verdianos», desabafou emocionado JMN, fazendo questão de realçar que a sua candidatura é aberta a todos os cidadãos, independentemente da sua ideologia, crença religiosa e do partido a que pertencem.

Equilíbrio e desafios principais

O apelidado « presidente necessário» defendeu, no seu discurso, o princípio segundo o qual é importante do ponto de vista democrático se preservar o pluralismo com o «equilíbrio no exercido do poder» em Cabo Verde. Referiu que se deve respeitar a diferença do ponto de vista de cada um e construir consensos para a busca de soluções para os principais problemas do país através de diálogos.

Pensando na defesa e consolidação do processo democrático no país, Neves alertou também para a necessidade de se não colocar «os todos ovos no mesmo cesto», isto numa alusão clara de não se concentrar mais poderes no MpD – tem governo, uma maioria no parlamento e 14 dos 22 Câmaras do País, não precisando de mais poderes.

Como principais desafios da sua candidatura, JMN anunciou como prioridade, caso vença o pleito de 17 de outubro, exercer a sua magistratura de influência para se resolver o problema dos sectores de transportes, que se encontram numa situação difícil com nula ou deficientes ligações inter-ilhas. Prometeu também trabalhador junto do governo, dos outros órgãos da soberania e da sociedade civil em geral contra a morosidade judicial e a insegurança reinante no país, com destaque para a Capital. Anunciou ainda influenciar para uma reforma profunda do Estado, nomeadamente com a descentralização de poderes através da regionalização. Defendeu igualmente reforma na administração pública, visando despartidarizar os serviços e promover o mérito com a igualdade de oportunidade para o ingresso na administração pública através de concurso público, privilegiando a meritocracia no recrutamento e na ascensão na carreira.

Presidente necessário e animação cultural

O mandatário Nacional Germano Almeida, escritor e Prémio Camões, interveio no ato para, em nome da equipa nacional, desenvolver a tese de que José Maria Neves é o Presidente necessário de que Cabo Verde precisa» em tempos da crise provocada pela pandemia de covid-19. De entre outros aspetos, destacou a desempenho de JMN durante os 15 anos em que exerceu o cargo de chefe de governo, cujas obras, principalmente as barragens e as estradas asfaltadas e de desencravamento de zonas construídas em todas as ilhas, ficam como marcas importantes na história de Cabo Verde.

Perante uma assistência eufórica, JMN repetiu a ideia de ser um Presidente que une e trabalha para todos e seja a voz dos que não tem voz em Cabo Verde – ouvidor e fiscalizador dos problemas da população e da sociedade civil em geral. Quer ser ainda árbitro do sistema político, um PR de diálogo e o 1º Embaixador da República na mobilização de recursos para o desenvolvimento do país junto de parceiros, instituições financeiras internacionais e privados. Um Presidente que faz política diferente - com amor e respeito pela diferença, rejeitando discursos revanchistas e de ódio, com recurso ao conservadorismo do passado recente. Daí, segundo concluiu, ter escolhido a cor branca para a sua campanha, que deve ser leve e alegre.

O ato público da apresentação da candidatura de José Neves à Presidência da República antecedeu a um momento cultural com a atuação bem conseguida de um grupo de batucadeiras de Santiago. O mesmo abriu a sessão com um tema dedicado ao candidato. «JMN é nós Prsidenti ki nu kré/Ó povo/ É pa tudo mundu vota na urna». Numa outra composição feliz esse grupo de batuque concluiu. «JMN tudo mundu krebu tcheu!».

A sessão toda foi transmitida em direto através da página oficial no facebook da candidatura de José Maria Neves, com a apresentação do antropólogo e homem da cultura Manuel Brito Semedo, que se revelou como um grande comunicador perante o público presente que transbordou a Assembleia Nacional.

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