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José Maria Neves anuncia candidatura presidencial: Defende que Cabo Verde precisa de um Presidente líder com visão inovadora 19 Mar�o 2021

O ex-Primeiro-ministro José Maria Neves anunciou, esta manhã, numa conferência de imprensa com transmissão live no Hotel Praia Mar, na Praia, a sua candidatura à chefia do Estado de Cabo Verde nas eleições de 17 de Outubro deste ano. Neves fundamentou a sua corrida ao Palácio do Plateau por considerar que o país precisa de um líder forte com uma visão inovadora, capaz de unir os cabo-verdianos na luta pela reconstrução da nação na pós-pandemia.

José Maria Neves anuncia candidatura presidencial: Defende que Cabo Verde precisa de um Presidente líder com visão inovadora

No seu discurso (ver no espaço Registos deste jornal), José Maria Neves explicou que escolheu Março como mês da árvore, da criação, da poesia e do artesão para lançar a sua candidatura à Presidência da República. «Anuncio esta candidatura em Março. Mês da árvore, da criação, da poesia, da primavera; anuncio esta candidatura neste 19 de Março, Dia do Pai e do Artesão. Um dia que lembra a responsabilidade, o trabalho árduo, o orgulho, a honestidade, a necessidade de amar, de cuidar e de reparar. O país precisa de um Presidente Artesão que ama, que cuida, que repara e nos ajuda a unir as partes, a fazer novas e boas escolhas e a escrever o nosso destino com as nossas próprias mãos».

No seu estilo poético já conhecido, Neves advogou que tem a certeza que quando a estiagem passar, como escreveu o poeta, “... novas seivas brotarão da terra dura e seca, vivificando os sonhos, vivificando as ânsias, vivificando a vida”.

O candidato ao mais alto cargo de magistrado da nação anunciou a sua vontade firme de trabalhar para um Cabo Verde melhor. «Temos grandes sonhos para este nosso país, podemos, juntos, fazer-nos grandes, como os nossos sonhos. Podemos, juntos, escrever com as nossas próprias mãos o nosso destino comum. Estou aqui, para vos dizer que sou Candidato a Presidente da República de Cabo Verde, porque tenho a indómita vontade de construir, com todos, um Cabo Verde melhor, muito melhor».

Tempos complexos e reconstrução do país

José Maria Neves advertiu que Cabo Verde vive momentos difíceis e complexos com a pandemia de Covid-19. «Temos pela frente tempos inéditos e complexos. Já começou o processo de vacinação e espero que, no horizonte de 2021, consigamos, como já anunciou o Governo, a imunização de grupo».

Por isso, JMN garantiu que se for eleito chefe de Estado será o primeiro Embaixador da República a mobilizar a nação na pós-pandemia. «Se eleito Presidente, serei o primeiro Embaixador da República. Trabalharei, em estreita cooperação estratégica com o Governo, para mobilizar a nação, os cabo-verdianos nas ilhas e na diáspora, e parcerias internacionais, públicas e privadas, para continuarmos a combater o vírus, ganhar a imunidade e garantir os investimentos necessários para levantar o país na pós-pandemia».

Face a tudo isto, o candidato presidencial anunciou que tem como prioridade da sua agenda trabalhar para a reconstrução do país. «A reconstrução do país será a minha prioridade. A significativa retração da economia, o aumento do deficit, da dívida, do desemprego, da pobreza e das desigualdades, a falência de empresas, as perdas emocionais e sociais devem levar-nos ao reforço da confiança mútua entre os partidos políticos, ao diálogo, à partilha e à busca conjunta de soluções», defendeu.

Liderança forte e visionária

Para José Maria Neves, todos os cabo-verdianos juntos são poucos para a grandeza da obra que os espera. «Cabo Verde precisa de uma liderança forte, para mobilizar os partidos, as empresas, os sindicatos, as Igrejas, as ONGs, a sociedade civil e os cidadãos, nas ilhas e na diáspora, visando a reconstrução do país, na pós-pandemia. Precisamos mobilizar todas as energias, de um amplo e fundamentado debate nacional, mas também de uma liderança forte, visionária, estratega, inclusiva e catalisadora de processos transformacionais, capaz de marcar a diferença», anunciou.

Atendendo a sua experiência na política, na governação e na academia ao serviço da República, Neves disse que pretende ser não apenas um bom árbitro – conhece bem as regras do jogo -,mas também um dinamizador de novos processos políticos, abrir espaços de participação à todos, uma instância moral, um traço de união, um provedor das liberdades, da democracia e do Estado de Direito, um promotor do país no mundo e um catalisador de dinâmicas sociais orientadas para um crescimento inclusivo e ambientalmente sustentável.

«Precisamos, sim!, de uma perspectiva inovadora e disruptiva, de construir pontes e compromissos, de fazer diferente, de fazer melhor, de cuidar mais das pessoas e da sociedade; precisamos de ruturas – o país tem bem feito tudo o que fez até agora, mas este é o momento de darmos o salto, de buscarmos a sofisticação, a eficiência, a excelência e a eficácia – de reengenharias, de novos consensos, de novos pactos; precisamos acelerar o passo rumo a um futuro muito melhor para as gerações futuras», desafiou.

É que, segundo Neves sintetizou, Cabo Verde precisa de um PR líder neste momento. «O país precisa de um líder, a República precisa de um Presidente disponível para ser o fermento desse novo momento. De um Presidente que une, que aconselha, que adverte, que sugere, que cuida. De um Presidente que assume toda a nossa história, que valoriza a luta contra a subjugação, a independência, as liberdades, a democracia e a ânsia pelo desenvolvimento sustentável», fundamentou.

Legislativas e questionamentos

José Maria Neves aproveitou a ocasião para saudar os partidos fundadores da democracia representativa– a UCID, o PAICV e o MPD – e os partidos concorrentes às próximas eleições legislativas de 18 de Abril. «Espero que as eleições de Abril sejam uma grande jornada cívica, um momento de debate de ideias e de projetos alternativos de governação e uma oportunidade para os cidadãos livremente fazerem as suas escolhas políticas para os próximos cinco anos».

Respondendo a questionamentos de jornalistas, JMN considerou não existir nenhuma conexão entre as eleições legislativas e presidências, admitindo discutir, depois de 18 de Abril, apoios dos partidos, nomeadamente com o PAICV que foi seu líder. Anunciou fazer, durante a campanha, um debate com elevação, respeitando os adversários, principalmente Carlos Veiga que já anunciou a sua participação, pela terceira vez, na corrida ao Palácio do Plateau. Prometeu ainda dar uma atenção especial à diáspora, que tem um papel importante a desempenhar no processo de desenvolvimento da Nação Global que é Cabo Verde. Quanto à situação da Justiça no país, José Maria Neves defendeu que, caso for eleito Presidente da República, vai respeitar com responsabilidade a independência do poder judicial e dos magistrados. Considerou que os questionamentos dos cidadãos sobre o funcionamento da justiça devem ser analisados em espaços apropriados e resolvidos com reformas a serem aprovadas e implementadas por órgãos da soberania. Ver o discurso do anúncio da candidatura de JMN no espaço Registos, deste jornal e imagens do ato a seguir.

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