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José Maria Neves garante que Angola é prioridade nas relações com Cabo Verde 10 Novembro 2021

O novo Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, apontou, esta terça-feira (09), na Cidade da Praia, que ngola como está entre os países que devem continuar a ser prioritários nas relações externas do arquipélago lusófono.

José Maria Neves garante que Angola é prioridade nas relações com Cabo Verde

José Maria Neves fez essa referência quando discursava, pela primeira vez, como Chefe de Estado cabo-verdiano, no ato da sua investidura, perante a Assembleia Nacional, várias personalidades nacionais e estrangeiras, entre os quais, alguns chefes de Estado da CEDEAO e da CPLP, com destaque para o Presidente João Lourenço, igualmente o líder em exercício da organização lusófona.

Num discurso bastante “”«emotivo” e proferido em crioulo cabo-verdiano e português, o novo Presidente defendeu que África deve continuar a ser a prioridade nas relações externas de Cabo Verde, tendo destacado os Estados-Membros da CEDEAO e países como a Mauritânia, Marrocos, Angola e África do Sul.

"África tem de merecer toda a prioridade, enquanto continente a que pertencemos, sendo assim o espaço natural e de ancoragem de toda e qualquer estratégia de valorização e projeção das nossas vantagens comparativas, transformando-as em fontes de vantagens competitivas", afirmou.

José Maria Neves insistiu que Cabo Verde tem de "acelerar o passo na frente da integração regional e da inserção nas dinâmicas continentais", no plano económico e não só, sempre defendendo as suas especificidades e necessidades particulares, enquanto pequeno Estado arquipelágico e no meio do Atlântico, num "corredor que é tanto de oportunidades, quanto de ameaças de cariz global".

"O Presidente da República (de Cabo Verde) garante todo o respaldo a uma crescente presença na CEDEAO e nas instâncias e iniciativas da União Africana e outras instituições de âmbito nacional", lembrou. Na mesma senda, considerou que se "impõe uma política muito forte de grande vizinhança que considere a nossa comunidade regional (CEDEAO) e os Estados que a integram, a Mauritânia, Marrocos, Angola e África do Sul, bem como, a Oeste e a Sul, os Estados Unidos, o Brasil e o Mercosul".

Na ótica do novo Chefe de Estado, "a parceria especial" de Cabo Verde com a União Europeia tem, ainda, enormes margens de crescimento e deve continuar a afirmar-se como instrumento valioso para o desenvolvimento e a competitividade do arquipélago. "Estarei empenhado no reforço dos especiais laços e das relações bilaterais com os países amigos e parceiros tradicionais de Cabo Verde, alguns deles hoje representados ao mais alto nível", garantiu.

O quinto Presidente da República de Cabo Verde começou o discurso, deixando palavras de apreço aos seus antecessores na chefia do Estado cabo-verdiano, Aristides Pereira, António Mascarenhas Monteiro, Pedro Pires e Jorge Carlos Fonseca. Agradeceu aos presidentes Marcelo Rebelo de Sousa (Portugal), João Lourenço (Angola), Umaro Sissoko Embaló (Gui-né-Bissau), Macky Sall (Senegal) e Nana Akufo-Addo (Gha-na), por terem prestigiado a sua investidura.

Já Marcelo Rebelo de Sousa anunciou, que também esteve presente na cerimónia, garantiu que vai convidar o novo Presidente de Cabo Verde a realizar uma visita de Estado a Portugal no início do próximo ano. "Espero, ainda esta tarde (ontem), ter uma bilateral com o Presidente e convidá-lo para ir a Portugal no começo do ano que vem. Era muito bom para nós ter o irmão Presidente cabo-verdiano numa visita de Estado", disse, após a investidura de José Maria Neves.

Reconstrução do país entre as prioridades

O novo Chefe de Estado cabo-verdiano considerou que a grande prioridade nacional tem de ser, necessariamente, a reconstrução do país neste "ciclo doloroso do pós-pandemia". Disse tratar-se de "uma tarefa ingente e que exige a convocação de toda a Nação Global cabo-verdiana".

José Maria Neves admitiu que Cabo Verde vive uma situação de crise, a qual ficou revelada e agravada pela Covid-19, cujos efeitos têm sido extensos e profundos, designadamente nos planos social, económico e emocional.

"A dívida pública e o deficit público estão em níveis muito preocupantes. São elevadas as taxas de desemprego e temos ainda na sociedade manchas significativas de pobreza. São acentuadas a desigualdade social e outras formas de exclusão social", reconheceu, antes de apelar a todos para cerrarem fileiras, dando o melhor de si para o progresso de Cabo Verde e o bem-estar de todos.

Entre as suas "preocupações fundamentais", o novo Presidente de Cabo Verde apontou o sector da Justiça. "As soluções, legislativas ou de outra natureza, têm de existir. Para nunca mais falarmos de morosidade! Para nunca mais falarmos de denegação de Justiça", defendeu.

Nos termos da Constituição da República de Cabo Verde, o Presidente da República é o Chefe de Estado, enquanto a chefia do Governo cabe ao Primeiro-Ministro. O Presidente da República é o garante da unidade da Nação e do Estado, da integridade do território, independência nacional, vigia e garante o cumprimento da Constituição e dos tratados internacionais. É também o comandante supremo das Forças Armadas.

Líder do Parlamento promete cooperação

O presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Austelino Tavares Correia, prometeu maior diálogo e cooperação institucional com o novo Chefe de Estado, tendo como balizas o respeito pela separação e interdependência de poderes.

Com a eleição de José Maria Neves como novo Presidente da República, Cabo Verde volta a viver uma coabitação política, já que o novo Chefe de Estado é do PAICV, partido na oposição, e o Chefe do Governo, Ulisses Correia, do MpD.

O líder do Parlamento cabo-verdiano, que interveio na investidura de José Maria Neves, considerou que não se deve temer pelo novo cenário político no país. "A coabitação política não nos pode meter medo", encorajou Austelino Correia, que é deputado do MpD, depois de garantir, da parte do Parlamento, um diálogo e cooperação institucionais com a Presidência da República.

O presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde destacou a clareza na vitória de José Maria Neves, nas eleições de 17 de outubro. Como prova, apontou o facto de todos os candidatos, incluindo o segundo classificado, Carlos Veiga (apoiado pelo MpD), terem reconhecido a vitória do concorrente suportado pelo PAICV. "Ganhou a democracia, ganhou Cabo Verde", declarou. Austelino Correia felicitou o ex-Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, pelos dois mandatos consecutivos e espera que continue a dar o melhor de si para o aprofundamento da democracia e desenvolvimento de Cabo Verde.

Em declarações ao Jornal de Angola, Pedro Pires, terceiro Presidente na história de Cabo Verde, encorajou o novo Chefe de Estado a mobilizar e unir o país para, vencer a crise económica, agravada pela pandemia da Covid-19.

"Cabe às lideranças e, neste caso, particularmente ao Presidente da República uma ação no sentido de mobilizar, unir e estimular o país para que todos participem nessa tarefa enorme que é vencer a crise", disse.

Asemana C/Jornal de Angola

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