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Jovens iniciam dois meses de protestos contra Parlamento Nacional timorense 07 Novembro 2022

Cerca de centena e meia de jovens concentraram-se hoje em protesto à frente do Parlamento Nacional timorense, contra o que dizem ser políticas de “elite”, que ignoram as carências da maioria da população.

Jovens iniciam dois meses de protestos contra Parlamento Nacional timorense

Organizado pela Aliança Maubere Nacional (AMN), o protesto vai decorrer todas as segundas, terças e quartas-feiras durante dois meses, segundo explicou à Lusa Miguel Monsil, porta-voz do movimento de jovens.

“Representamos os jovens e o povo mais pequeno que não se considera representado pelos deputados. A elite política goza de bons salários, direitos e regalias e pensão vitalícia. E depois gastam muito dinheiro a comprar novos carros”, explicou Monsil.

“Mas, em contrapartida, muita da população vive na miséria. Muitos trabalhadores são escravos salariais, recebendo 115 dólares [115,8 euros] por mês, os vendedores ambulantes não têm espaço e o setor agrícola não tem apoio e continuamos a importar a maior parte do que comemos”, disse.

O protesto está a decorrer na altura em que se iniciava no plenário o debate na generalidade da proposta de lei do Orçamento Geral do Estado para 2023.

Com palavras de ordem em defesa de Timor-Leste e de críticas ao que chamaram de “deputados traidores”, os jovens concentraram-se no passeio em frente à entrada principal da Universidade Nacional Timor Lorosa’e, do outro lado da estrada da entrada do Parlamento Nacional.

Empunhando cartazes acusando os deputados de políticas neocolonialistas e considerando que não representam os interesses do povo, os manifestantes contestam, simbolicamente, a decisão do Parlamento de comprar novos carros e computadores portáteis para os deputados.

“Lançamos esta ação com o objetivo de fazer pressão política ao parlamento para que não transformem o orçamento num orçamento de interesses privados e invistam em setores de grande importância para o país, como educação, saúde, água e agricultura”, sublinhou Miguel Monsil.

O porta-voz disse que muitos professores continuam sem contrato, que a economia não avança, que os jovens são obrigados a emigrar e que o parlamento “é um negócio de interesses privados” que “não é a favor do povo”.

E justificou com políticas erradas e o investimento desadequado no setor educativo o facto de terem aumentado nos últimos meses os conflitos entre jovens em vários bairros de Díli e noutros locais do país, em muitos casos ligados a grupos de artes marciais.

“Estes conflitos são a consequência lógica da elite não dar atenção adequada à educação. Um dos fatores dos conflitos tem a ver com o caráter dos jovens que não é ajudado pela educação, mas também pela falta de trabalho”, afirmou Monsil.

O protesto decorreu sob observação de um pequeno grupo de polícias que obrigaram os jovens a confinar a sua ação ao passeio.

A Semana com Lusa

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