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"Testa de ferro" Corinna Larsen leva Juan Carlos de Espanha ’aforado’ à justiça britânica 31 Julho 2021

O Supremo Tribunal de Justiça no Reino Unido abriu um "processo civil por assédio" em que impede Juan Carlos de "se aproximar da ex-amante ou de a caluniar". Alegada "testa de ferro" de Juan Carlos I, Corinna Larsen pediu em tribunal uma ordem para o rei emérito de Espanha "manter distância de pelo menos 150 metros".

O El País na edição desta terça-feira, 27, divulga o mais recente desenvolvimento do ’affair’ que se tornou um caso de Estado. E que agora envolve o Supremo Tribunal de Londres.

O processo de vinte páginas — apresentado em dezembro pela equipa de advogados da alemã Corinna Larsen residente em Londres e na capital do Mónaco — contém uma série de acusações contra o rei emérito espanhol: difamação (acusou-a de roubo), perseguição e assédio que inclui vigilância sobre a alegada vítima, apresentada como "amiga especial" de Juan Carlos I.

Segundo a queixa apresentada, foi em 2012 que o ainda rei de Espanha doou $100 milhões à amiga Larsen. Depois pediu o montante de volta ou que lhe fosse disponibilizado. Ela recusou.

Juan Carlos, prossegue a queixosa, começou a partir daí a difamá-la, acusando-a de lhe ter roubado esse dinheiro — que o monarca espanhol recebera do rei Abdullah bin Abdulaziz Al Saud, falecido em 2015. O montante fora transferido em 08.08.2008, para uma conta secreta na Suíça em nome da Lucum Foundation, entidade sediada no Panamá e cujo primeiro beneficiário era Juan Carlos I. Em 2012, dadas as mudanças na lei suíça, o dinheiro foi transferido para a conta de Corinna Larsen no banco Gonet & Cie, sediado nas Baamas.

Segundo o que foi publicado ontem, o rei emérito Juan Carlos acusou Corinna de roubo perante o rei Salman da Arábia Saudita e o respetivo herdeiro, o príncipe Mohammed bin Salman (com quem aparece um mês seguinte ao assassinato do jornalista Khashoggi: Espanha indigna-se com foto "da vergonha" rei Juan Carlos-saudita Bin Salman, 28.nov.018).

Esta quarta-feira, decorridas vinte e quatro horas sobre a publicação do processo judicial, o rei emérito espanhol voltou ao centro dos debates da webesfera. Perguntas lapalissianas, como esta: "Será que ele pode ser processado?" — o processo foi aceite, o Supremo de Londres designou o respetivo magistrado.

Contudo, Juan Carlos só pode ser julgado pelo Supremo porque como ex-monarca goza de imunidade (parcial) de aforado, que no sistema judicial espanhol designa individualidades de alto estatuto social, que ficam assim fora da alçada dos tribunais comuns.

Amiga especial

Em tudo o que a investigação divulgada desde o ano transato revela sobre corrupção, subornos recebidos dos reinos árabes, contas em paraísos fiscais, em tudo que macula Juan Carlos I, a tal ponto que o cognominaram "o rei que só sabe meter-se em sarilhos", aparece o nome da amiga especial desde 2004.

A primeira vez, todavia, em que a relação entre os dois começa a ser tratada como um caso de Estado acontece na sequência do acidente de caça no Botswana em 2012. A primeira mancha na reputação do monarca, em quem a Espanha reconhecia a autoridade moral de fundador da democracia após quarenta anos de ditadura do general Franco.

Em 2014, não resta a Juan Carlos senão abdicar.

Tesouro. Há onze meses, a imprensa do reino de Espanha (edição de 22 de agosto último) divulgou a investigação sobre mais outra vertente dos escândalos protagonizados pelo rei emérito Juan Carlos I.

Em agosto transato, Juan Carlos voltava, pois, às primeiras páginas como suspeito de ter usado os cofres públicos para presentear "amigas especiais", entre elas Corinna Larsen. Mais um foco incendiário a envolver o rei emérito, além das contas secretas em bancos suíços e offshore, de que a "amiga especial" é, segundo os investigadores na Suíça e Espanha, uma mera testa-de-ferro (mais uma, entre outros alegados testas-de-ferro do monarca espanhol).

Dois meses antes, o rei Felipe VI fez, no início de junho de 2020, uma declaração pública de repúdio à riqueza do pai envolta em ilegalidades. Através dum comunicado o atual monarca diz renunciar à herança do ex-monarca "cuja origem, caraterísticas ou finalidade podem não estar em conformidade com a legalidade ou os critérios de probidade e integridade".
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Fontes: El País/BBC/.... Fotos (AP/Getty): O rei Juan Carlos. O colar de esmeraldas de Corinna (suspeito de ser um presente régio) comparado ao ’colar da rainha’ (Maria Antonieta) que, segundo o escritor francês Alexandre Dumas, é um dos motivos subjacentes à execução da família real sob Luís XVI, ditada pelo tribunal da Revolução Francesa.

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