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Julgamento do vereador do Rio acusado de matar enteado de 4 anos 17 Fevereiro 2022

A autópsia que afastou a alegação de morte acidental, mais o pedido do vereador e médico para agilizar o atestado de óbito do enteado estão entre os fundamentos da prisão preventiva da mãe e padrasto de Henry de 4 anos. Em julgamento esta semana pela morte há onze meses, o padrasto e mãe indiciados contestam as conclusões do MP baseadas no relatório médico-legal.

Julgamento do vereador do Rio  acusado de matar enteado de 4 anos

Nesta segunda-feira, as equipas de defesa de Monique Medeiros e Jairo Sousa avançara que vão contestar os termos da acusação. O ex-vereador e médico mantém o depoimento inicial e a sua defesa promete rebater ponto por ponto os quesitos do Ministério Público.

Também presente na primeira audiência do julgamento iniciado esta segunda-feira 14, o pai de Henry, Leniel Borel, teve de sair da sala "para não comprometer o curso da justiça", pois "a defesa dos dois" podia vir a "usar" isso, disse em entrevista à UOL News.

"Gostava de estar lá dentro", "participar, ajudar que a justiça seja feita", disse Leniel. Interrogado sobre o que presenciara durante os momentos em que esteve na sala do tribunal, expressou a sua indignação porque "nenhum dos dois chorou pelo menino bom que se foi. Choraram, os dois e as suas famílias, porque os dois vão ficar presos por muito tempo".

Em abril transato, um mês depois da morte de Henry, de quatro anos, declarada no hospital na madrugada de 08 de março, a mãe Monique Medeiros e o padrasto Jairo Souza Santos Júnior foram detidos preventivamente. Para a investigação da polícia, a hipótese de acidente "não cola".

A autópsia revelou que a causa da morte do menino de 4 anos foi "hemorragia interna e laceração hepática [no fígado]" atribuível a "uma ação contundente [violenta]".

Na madrugada de 08 de março, o menino alegadamente após ter caído da cama deu entrada no hospital, levado pelo padrasto, o vereador conhecido por Dr. Jairinho, e a mãe Monique Medeiros. Logo à chegada, o menino foi dado como morto. Com o avançar da investigação, aponta-se que teria morrido cinco horas antes de dar entrada no hospital.

Defesa

Os dois detidos preventivamente viram-se pela primeira vez em dez meses. Durante este tempo, mudaram estratégias de defesa. Monique Medeiros contratou o famoso advogado Thiago Minagé, desligando-se assim da equipa de defesa do cônjuge.

Há três semanas, o advogado do ex-vereador, Braz Sant´Anna, alegou motivos pessoais para renunciar ao caso, afastando o seu escritório de advogados.

Queixa à AOB. Esta semana o engenheiro Leniel Borel entrou com uma queixa na Ordem dos Advogados do Brasil contra o ex-defensor dele, Flávio Fernandes. Este, que deixou a representação do pai da criança como assistente de acusação em agosto, reage "surpreso" e "com estranheza" à queixa "sem qualquer fundamento".

Em causa está o facto de que no mês transato, janeiro deste ano, Flávio passou a defender o ex-vereador Jairinho, num outro caso, em que é acusado de tortura contra a filha de uma ex-namorada, crime que segundo o MP aconteceu entre os anos de 2011 e 2012. A primeira audiência estava marcada para o mês passado, mas foi adiada devido à troca de advogados.

No documento enviado à OAB, Leniel Borel diz que o advogado teve acesso a informações privilegiadas sobre o caso Henry por meio de ligações, mensagens e reuniões. Ele afirma que o advogado passou a defender Jairinho mesmo depois de lhe dizer, em reuniões e conversas pessoais, que acreditava na culpa do ex-vereador e de Monique Medeiros.

Ameaças? Há pouco mais de uma semana, Monique Medeiros denunciou "ameaças" contra si feitas por uma advogada, Luciana Fróis, contratada paralelamente pela família do ex-vereador.

Segundo a mãe acusada de infanticídio, Fróis visitou-a na cadeia e fez ameaças para a obrigar a assumir a morte do filho. A advogada negou a denúncia e disse que estava, apenas, a colher informações do caso.

Fontes: Estadão/TV Globo/UOL. Relacionado: Vereador do Rio preso por infanticídio do enteado de 4 anos, 18.abr.021.

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