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Justiça feita: Por injúria racial funcionária é indemnizada em R$ 5 mil 14 Julho 2021

A mãe de três alunas que injuriou uma vice-coordenadora da escola — com o epíteto de "moreninha imprestável" — vai ter de pagar à ofendida uma indemnização de cinco mil reais (c. 170 contos) por danos morais, segundo a decisão do tribunal de Goiânia divulgada esta terça-feira, 13. A situação foi presenciada por várias pessoas, incluindo alunos.

Justiça feita: Por injúria racial funcionária é indemnizada em R$ 5 mil

"A gente vê que a justiça está sendo feita. Pode demorar, foi em 2018, se passaram mais de três anos, mas agora, de toda a forma, ela vai perceber que as atitudes dela têm consequências", disse a ofendida esta terça-feira ouvida pela comunicação social.

Segundo a emissora Globo, a situação que levou ao processo aconteceu em fevereiro de 2018, numa escola particular da capital de Goiás, Goiânia. A vítima da injúria relatou que enquanto vice-coordenadora da escola foi confrontada pela mãe das alunas que queria pagar com desconto uma mensalidade fora da data em que o benefício era aceite.

Na segunda tentativa, " [e]la falou que eu era uma moreninha imprestável, que não resolvia nada. Eu saí do meu almoço para atendê-la e ela continuou me agredindo, falando que ela que pagava meu salário, que não sabia o que eu estava fazendo ali", contou a vítima da injúria.

A ofendida contou à reportagem que depois de ser agredida verbalmente deixou a mãe das alunas ser atendida por outra pessoa, mas que a ofensa não terminou aí: "Ela tinha três filhas na escola e elas falaram entre os alunos que a mãe delas tinha ‘me colocado no meu devido lugar’. Alguns alunos não me respeitavam mais e eu não consegui mais trabalhar lá", completou.

Segundo a então assistente, ela precisou ir a um psiquiatra que avaliou a sua situação como de muito stress. Decidiu então fazer um acordo com a escola para deixar o emprego.

"Ficou um ambiente muito pesado. Eu era a ponte entre os alunos, os professores e os pais. Como eu ia continuar fazendo meu trabalho se ninguém me respeitava? Se qualquer coisa falavam que ’iam chamar mãe de fulana para me colocar no meu lugar’?", desabafou.
A vítima de injúria disse que não consegue mais trabalhar em escolas por causa do episódio e que mudou de profissão e que está desempregada no momento.

Ao saber que a Justiça havia decidido em seu favor no processo, ela descreve a sensação como de alívio. Para ela, o mais importante não é o pagamento em dinheiro, mas o exemplo.

Mesma cidade-capital de Goiás

A porteira de um prédio a quem um morador insultou com palavras aguarda que o mesmo possa ser indiciado. É que depois de lhe chamar "chimpanzé", o morador não mais foi encontrado em casa, no condomínio da Goiânia onde um residente é delegado e tomou logo em mãos o crime de injúria racial.

Estes e similares crimes de injúria racial têm vindo a ser noticiados no Brasil, por ocasião do Dia da Mulher Negra Afro-Latino-Americana, que se celebra a 21 deste mês.

Fontes: Globo. Foto Instagram.

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