OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Juventude, o parente pobre da política 10 Mar�o 2022

É necessária uma verdadeira política de igualdade, inseparável da justiça social.Contudo, com este Governo, a imprevisibilidade sobre o futuro é a única certeza com que os jovens cabo-verdianos podem contar. E, sinceramente, nem procuraram escondê-lo.

Por: Fidel Cardoso de Pina*

Juventude, o parente pobre da política

Os jovens estão a ser esquecidos e desperdiçados. Não é justo e nada disto é - ao contrário do que nos tentam fazer crer - inevitável.

Os efeitos provocados pela COVID-19 levaram à regressão de muitos dos avanços alcançados em matéria de igualdade de oportunidades e empoderamento das camadas mais jovens da população. Por terem postos de trabalho mais inseguros, precários, auferindo rendimentos menores, desiguais, por verem sistematicamente negada a progressão na carreira, por tratarem por tu a instabilidade e insegurança na organização da vida pessoal e familiar, os jovens são hoje, infelizmente, o rosto do desemprego e do desalento cabo-verdiano.

Os jovens querem viver com dignidade. Os jovens querem políticas públicas alicerçadas nas suas necessidades, anseios e aspirações.

E, se todos concordamos que os mais jovens são a garantia de futuro em Cabo-Verde, teremos também de concordar que este Executivo pouco ou nada tem feito para garantir um futuro digno às gerações mais jovens.

Que futuro pode um jovem caboverdiano almejar sem políticas públicas que visem efetivamente desincentivar a precariedade? E, com medidas que direta e indiretamente contribuem para que seja impossível ter uma carreira e lhes neguem a possibilidade de ter um futuro no seu próprio país?

Estas gerações cresceram com os mais velhos a dizer-lhes que se apostassem na educação iam longe. Só não mentiram, porque efetivamente o futuro digno está, infelizmente para muitos, a milhas de distância.

É absolutamente central dar esperança e confiança à juventude caboverdiana, priorizando as políticas de habitação e laborais de forma a que quem é jovem em Cabo-Verde aqui queira viver e aqui queira pensar o seu futuro.

Por outro lado, a educação constitui um dos pilares fundamentais de uma sociedade democrática, próspera e desenvolvida e, portanto, deverá ser entendida como um bem tão precioso que todos os cidadãos, sem exceção, a ela tenham acesso.

Todavia, a educação é cada vez mais um previlegio. Quantos são os jovens que se vêm obrigados a abdicar dos estudos para trabalhar, ou dos estudos para comer e ter um teto?!

É preciso agir. É preciso garantir que os jovens tenham as condições necessárias para que não tenham que abdicar de certas prioridades em prol de outras.

O futuro do País, de cada ilha do nosso arquipélago e de cada família dependerá daquilo que fizermos pela educação e por todos aqueles que dela dependem e dela fazem parte integrante.

Por isso, não podemos compactuar com um Executivo, que quando chega à altura da verdade, de propor leis, de melhorar as condições de vida dos mais jovens e dos seus professores, recua, é incapaz.

Em relação ao desporto, é caso para dizer que o pontapé de saída nunca foi dado. E, por isso, nem o adepto mais ferrenho acredita que estas políticas desportivas algum dia irão reflectir-se em golos. Não há ousadia. Não há criatividade para driblar as dificuldades. Não há uma visão 360° para o desporto cabo-verdiano. Não há táctica.

Nem técnica. E, o brilhantismo dos discursos em matérias de gestão desportiva desaparece na espuma das ondas, à medida que assistimos à forma como os nossos atletas são tratados pelo país que nasceram e cujas cores orgulhosamente envergam.

O caminho de emancipação para a juventude que a Independência trilhou, trouxe a efetivação de muitos direitos na lei que continuam por se concretizar na vida de todos os dias. Persistem as situações discriminatórias sobre os jovens, ao nível do emprego, da educação, da saúde, da participação social, da fruição cultural, desportiva, aprofunda-se a violência contra as mulheres.

É necessária uma verdadeira política de igualdade, inseparável da justiça social.
Contudo, com este Governo, a imprevisibilidade sobre o futuro é a única certeza com que os jovens cabo-verdianos podem contar. E, sinceramente, nem procuraram escondê-lo.

Senão, vejamos, na anterior legislatura, o primeiro-ministro passou uma borracha na pasta ministerial da juventude. Os jovens deixaram de ter um Ministério que os representasse efetivamente e alguém a quem pudessem pedir contas. Atualmente, timidamente surgiu a figura do Ministro Adjunto para a Juventude e o Desporto, mas a verdade é que pouco ou nada mudou.

Ao efetivar os direitos dos mais jovens, na lei e na vida, transforma-se a sua condição social e garante-se a sua participação em igualdade, valorizando as suas competências e saberes no plano profissional, social, político, cultural e desportivo.
Ganha à juventude, ganha a sociedade e ganha Cabo-Verde.

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*Deputado Nacional e Presidente da JPAI
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