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Khashoggi: ONU tem "provas fiáveis" de implicação de príncipe herdeiro saudita 20 Junho 2019

O relatório da ONU divulgado esta quarta-feira, 19, aponta que há "elementos probatórios fiáveis" para incriminar o príncipe herdeiro Mohamed Ben Salman, o "MBS", na morte de Jamal Khashoggi, a 3 de outubro, dentro da embaixada saudita na Turquia.

Khashoggi: ONU  tem

A relatora especial responsável da ONU pelas execuções extrajudiciais, Agnès Callamard, pede por isso a António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, que mande abrir "um inquérito penal internacional, independente da intervenção de um Estado".

A medida deve ser acompanhada, segundo a relatora, de "sanções financeiras contra os bens pessoais do príncipe herdeiro" MBS.

Seis meses demorou a "investigação profunda" ao caso do jornalista Jamal Khashoggi que, há oito meses, entrou e não saiu do consulado saudita em Istambul, enquanto a noiva o esperava fora do edifício.

Desde a primeira hora, a Turquia apontou que agentes sauditas entrados no dia 2 no país teriam a missão de assassinar o jornalista que escrevia no ’Washington Post’ críticas acerbas à "renovação de fachada" do príncipe herdeiro do reino saudita.

Uma semana depois do desaparecimento de Khashoggi, e três dias após a Turquia acusar a Arábia Saudita, não restou à administração Trump senão juntar a voz à União Europeia e à Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas para exigirem que o reino saudita participasse numa "investigação profunda" sobre o caso do jornalista de 59 anos, conhecido internacionalmente como um progressista que desagradava ao regime vigente no seu país.

O jornalista, ex-diretor do Arab Channel News, de Riade, autoexilou-se nos Estados Unidos, onde assinava uma coluna quinzenal no Washington Post.

Entrou e não saiu

O jornalista tinha feito uma reserva para tratar de documentos relativos ao seu próximo casamento com a jornalista turca Hatice Cengiz (foto ao alto). A noiva acompanhou-o até à porta e em vão esperou por ele fora do edifício consular.

Os primeiros alertas, tanto pela noiva, cujo nome só foi divulgado em novembro, como pelos amigos e colegas, referiam "a detenção de Khashoggi no consulado saudita de Istambul".

Com o passar dos dias, começaram as suspeitas de rapto e por fim de homicídio.

O presidente Erdogan exiga a Riade provas de que Khashoggi saiu do edifício consular, como afirmaram as autoridades consulares. “Os funcionários do consulado têm de provar o que dizem. Só acreditaremos quando virmos as imagens da videovigilância”, afirmou em Ancara, o presidente turco em conferência citada por vários media internacionais.

As autoridades sauditas, que negaram sempre qualquer envolvimento no desaparecimento de Kashoggi, viriam a apresentar onze agentes sauditas como responsáveis pelo assassinato "acidental" do jornalista. Cinco dos acusados terão sido executados, segundo a lei vigente no reino saudita.

Agora o relatório da investigação de seis meses relança de novo a questão do autor moral do homicídio de Jamal Khashoggi.

Fontes: Le Monde/AFP/Washington Post/Reuters/Angelou. Fotos: Em março de 2018, Trump recebeu a visita do "príncipe renovador", Mohammed Salman, o filho e herdeiro do rei Salman. A amizade Trump-Salman é alimentada pelo ódio comum ao Irão.

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