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Legado de Angela Merkel maculado por "relações económicas estreitas com Rússia" 27 Mar�o 2022

A dirigente política de centro-direita, que ficou no poder por quase 20 anos, apostava nos contratos comerciais para democratizar e ganhar a confiança de regimes autoritários como os da Rússia e da China. Foi um "erro", apontam analistas ouvidos pela imprensa alemã por ocasião da cimeira da NATO na semana transata.

Legado de Angela Merkel  maculado por

Merkel "deve assumir a sua parte da responsabilidade" por ter ativado "relações económicas estreitas com a Rússia", pois isso fez a Alemanha ser mais dependente dos russos em matéria de energia, apontam os diários Die Welt e Süddeutsche Zeitung.

"Vivemos agora com as consequências desse erro terrível", acrescenta o Süddeutsche Zeitung na sua edição de quarta-feira 23.

"O maior erro de Angela Merkel". A ex-chanceler alemã, a primeira aliás a dirigir o país, é aplaudida por muitos como uma das maiores dirigentes europeias do pós-guerra.

Contudo, na conjuntura atual da invasão russa à Ucrânia está a ser criticada devido à proximidade que manteve com a Rússia de Putin.

"Fez aumentar a dependência da Europa em relação à energia russa e não investiu o suficiente em Defesa", para democratizar e ganhar a confiança de regimes autoritários como os da Rússia e da China. Foi um "erro histórico", aponta o diário ’Die Welt’.

"O que a Alemanha e Europa têm vivido estes últimos dias não é nada mais nada menos que a derrocada da política de Merkel, que consistia em garantir a paz e a liberdade por meio de tratados com ditadores", acrescenta o jornal berlinense.

Na última década, a dependência energética da Alemanha em relação à Rússia passou de 36% das importações totais de gás em 2014 para 55% hoje.

Alemanha lenta na vacinação: Merkel penalizada nas eleições estaduais

Outra frente em que a chanceler volta a ser mal avaliada ´e na luta anti-Covid. Já o tinha sido há um ano, aquando da derrota da UDC-União Democrata Cristã.

Em março de 2021, atribuiu-se o insucesso à lentidão no plano de vacinação anti-Covid que só chegou a 7,5% da população, no momento em que a Alemanha registava um total de 2.578.835 de casos confirmados e 73.959 óbitos causados pelo coronavírus. Um ano depois, a Alemanha regista neste 27-3-2022, mais de vinte milhões de casos (20.245.069) e 128.944 óbitos.

Confirma-se a tendência para a maior transmissibilidade da Ômicron e menor mortalidade, sobretudo devido ao sistema de saúde robusto e menos pelas vacinas que na Alemanha ainda enfrentam muita resistência —apesar de em 12 meses o programa vacinal ter passado de 7,5% para 75% (segundo o site Our World in Data).

Impacto nas eleições. Para Merkel frustrou-se, pois, a expectativa em março 2021 sobre a escolha da composição dos parlamentos dos Estados de Baden-Württemberg e da Renânia-Palatinado, ambos no sudoeste do país. Os resultados das estaduais tidos como um indicador para a eleição geral do terceiro trimestre iriam definir a sucessão de Merkel.

As projeções iniciais divulgadas apontavam que a CDU perdeu quatro pontos percentuais entre os eleitores de Baden-Württemberg em relação à última eleição, em 2017. Piorou ainda mais na Renânia-Palatinado: a queda foi de 5,8%.

A derrota da CDU que caiu para 27%, o pior resultado de sempre do partido em Baden-Württemberg, veio a determinar a sua saída da coligação liderada pelo Partido Verde, do presidente estadual Kretschmann com 31%. Os Verdes cresceram face aos 30,3% de 2016.

Daí as atenções viradas para o partido de Kretschman, o único "Verde" que preside um Estado na Alemanha. Os prognósticos eram de que haveria uma recomposição sem a CDU, dado o crescimento do número de presidentes estaduais "Verdes" e ainda que os Ecologistas iriam, em setembro, entrar na governação federal coaligados com a CDU. Os factos estão aí.

Eleição pelo correio. A participação nas eleições de ambos os Estados foi marcada por um número recorde de eleitores a escolher a eleição pelo correio.

Covid-19, corrupção. As críticas sobre a lentidão na vacinação anti-Covid juntaram-se aos escândalos que envolveram três deputados da CDU e CSU, da coligação governamental. Num dos casos, um deputado da CDU, Nikolas Löbel de Baden-Württemberg, demitiu-se quando se confirmou que a sua empresa intermediou a venda de máscaras anti-Covid, e ele lucrou 250 mil euros (c. 2,8 mil contos).

Três dias depois demitiu-se Georg Nüsslein, parlamentar da CSU-União Social Cristã, aliado da CDU, acusado de receber mais de 600 mil euros (c. 6,7 mil contos) para intermediar a venda de máscaras contra a Covid-19. O caso deste deputado é considerado mais grave porque a venda de máscaras foi feita para dois ministérios e o governo da Baviera.

Ainda na mesma semana, um terceiro escândalo eclodiu. O deputado democrata-cristão (CDU)Mark Hauptmann, que representava a Turíngia, teve de deixar o Parlamento federal após ser acusado de receber indiretamente dinheiro do governo do Azerbaijão, que comprou espaço publicitário para promover turismo num pequeno jornal regional publicado pelo político. Nos últimos anos, Hauptmann atuou no Parlamento para fortalecer as relações entre a Alemanha e o Azerbaijão, nação do Cáucaso e "país pária" com um preocupante histórico de abuso dos direitos humanos segundo a ONU.

O mau resultado, registado apenas seis meses antes das legislativas de setembro, ocorria no momento em que a Alemanha figurava no grupo dos cinco países europeus (com Reino Unido, Itália, França, Espanha) com maior número de casos confirmados e óbitos causados pelo coronavírus. Hoje, neste 27-3-2022, a Alemanha está na 6ª posição mundial e 3ª europeia ao registar mais de vinte milhões de casos (20.245.069) e 128.944 óbitos — melhorou a taxa de letalidade de 1.531 por milhão de habitantes e ocupa a 158ª posição entre 230 países e territórios. Cabo Verde com 55.947 infeções e 401 óbitos ocupa a 115ª e a 113ª posições no mundo.

Fontes: DW.de/BBC/ABC.au/Der Spiegel/.... Fotos: No Kremlin em agosto transato, foi em vão que a chanceler intercedeu pelo opositor detido, como ela afirmou: "pedi a Putin a libertação de Navalny". Ao fim de quinze anos no poder, Angela Merkel avisou em março’21 que ia deixar a liderança do governo alemão após as eleições de setembro.

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