Legislativas 2021

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Maio/Edson Alves PAICV-“É necessário criar empregos seguros e fixos e não os informais que temos assistido” 04 Abril 2021

O cabeça-de-lista do PAICV pelo círculo eleitoral da ilha do Maio, Edson Alves, defende que é preciso criar empregos seguros e fixos "e não os informais a que a ilha está acostumada a ter, com salários míseros sem qualquer garantia, a não ser eleitoralista para beneficiar o partido da situação (MpD)". Em entrevista ao Asemanaonline, Alves afirma ainda que a sua equipa pretende mobilizar um turismo sustentável, inclusivo e interactivo em que a população e os operadores locais possam participar e tirar proveitos desse sector que contribui para o desenvolvimento da ilha do Porto Inglês.

Entrevista conduzida por: Maria Cardoso/Redação

Maio/Edson Alves PAICV-“É necessário criar empregos seguros e fixos e não os informais que temos assistido”

A Semana: Como está composta a lista do PAICV em termos de competências técnicas e género?

Ulisses Duarte - A nossa lista é composta por jovens quadros de diversas áreas de formações com experiências comprovadas no setor público e projetos. Onde destacam-se as áreas de história cientifica, história e geografia via ensino, sociologia, ensino da matemática e engenharia. Todos com experiências de chefias intermédias sendo quatro a nível local. Em relação à paridade a nossa lista cumpre com o estipulado pela lei relacionada, tendo em conta que temos uma média de 40% da representação feminina exigida, ou seja, duas senhoras face a 3 senhores.

Apostas do PAICV para desenvolver a ilha do Maio

Quais são as grandes apostas da vossa candidatura para o desenvolvimento da Ilha do Maio?

- As grandes apostas da nossa candidatura passam, primeiramente, pela aposta no aproveitamento das grandes potencialidades da Ilha do Maio, a saber: O turismo, onde pretendemos ter um turismo de qualidade e sustentável, reforçando o turismo interno sobretudo na melhoria das ligações aéreas e marítimas com aumento da frequência das viagens a preços acessíveis. Em segundo lugar, modernizar a agricultura, pesca, pecuária e criação de gado, áreas com forte penetração na Ilha, que precisam dar um salto qualitativo não só para fornecer o mercado local como para exportar para as outras ilhas do país.

Igualmente, não podemos esquecer dos jovens que serão os principais beneficiários, a nossa aposta será centrada na busca de parcerias para qualificar os jovens maienses e profissionais das diversas áreas em todos níveis de formações, do profissional a superior em áreas prioritárias, para que possam contribuir e participar no desenvolvimento da Ilha. Por outro lado, usar influências junto dos poderes instituídos para trazer mais investimentos privados para Ilha, gerando empregos locais impedindo a grande saída de mão de obra ativa de jovens para outras Ilhas.

Também é do nosso entender que são necessários investimentos locais através de politicas de empreendedorismo e empoderamento de jovens com créditos acessíveis e a juros bonificados para criação de micro-empresas e de prestações de serviços variados, onde podemos mobilizar a nossa grande comunidade imigrada para aproveitarem oportunidades em diversos setores da atividade económica.

Calendarização de três voos semanais

O que está previsto em relação ao transporte para tirar a Ilha do Maio do estado de isolamento em que se encontra?

- Relativamente aos transportes, permitam-nos dizer que estamos neste momento numa situação critica no que tange ao setor aéreo com uma viagem semanal, sabendo que estamos a 6 a 8 minutos da capital do país. Com isso, queremos dizer que defendemos uma calendarização de 3 voos semanais com possibilidades das pessoas poderem passar o final de semana na Ilha.

A nível marítimo passa efetivamente pela renovação da frota dos navios que fazem o percurso Maio – Praia e vice-versa. Se queremos impulsionar o turismo temos que ter barcos novos e rápidos para oferecerem melhores qualidades e confortos aos viajantes e seguranças nos transportes dos bens e serviços. A nossa intenção de momento é de 3 viagens semanais com possibilidades de aumentos face às demandas provocadas por determinados períodos do ano.

Qual é a vossa proposta a nível do turismo?

- O turismo sendo uma das bandeiras do nosso país, o setor que mais contribui para o PIB merece da nossa candidatura uma atenção especial, pelas seguintes razões: A Ilha do Maio, à semelhança da Boavista e do Sal, é a que apresenta as melhores condições de turismo de sol e praia. A nível do turismo ambiental e ecológico, somos património da biosfera, a nossa proximidade da Ilha de Santiago, a maior e a mais populosa do país, onde se situa a capital de Cabo Verde, faz com que sejamos procurados com frequências pelas pessoas daquela ilha. Isso, para além da relação histórica com os concelhos do interior de Santiago nomeadamente Santa Cruz e Calheta de São Miguel. Acresce ainda mais, a necessidade de termos melhores meios de transportes aéreos e marítimos para mobilidade de pessoas e bens. Mais do que crescimento, queremos um turismo sustentável inclusivo e integrador, em que a população e os operadores locais possam participar e tirar proveitos. Um turismo controlado, que não coloque em risco a gestão habitacional, provocando criação de bairros degradados (Barracas), criando zonas de tráficos de drogas, gerando delinquências, violências e outros problemas associados. Queremos sim, um turismo que valorize o nosso património material e imaterial e que projete a ilha como destino de qualidade, seguro e tranquilo. A nossa aposta será também focada no turismo interno, porque acreditamos que o turismo interno tem todas as condições para alavancar a economia local e gerar rendimentos.

Qual é a vossa meta em termos de mandato?

- A nossa meta é a meta do partido, fazemos parte de um partido com história e obras feitas, o maior partido do país que mesmo estando na oposição entra nos embates eleitorais sempre com a ambição de ganhar as eleições. Pese embora, estarmos num círculo eleitoral em que o MPD tem sido o maior vencedor. Mesmo assim, a nossa candidatura dá-nos a garantia de discutir a vitória até ao fim e estamos a trabalhar para convencer os maienses de que existem outras alternativas e de que os jovens estão preparados para lhes representarem ao mais alto nível na Assembleia Nacional.

Companha com aposta nos suportes digitais e ensino superior para a ilha

Que métodos a lista di PAICV está a utilizar para fazer campanha, em tempos da pandemia de Covid-19?

- Primeiramente, nós defendemos que o bem-estar das pessoas é prioridade absoluta, pelo que pretendemos cumprir à risca as orientações sanitárias em vigor para evitarmos a propagação do vírus. Assim, iremos realizar contactos diretos com a população, mantendo sempre o distanciamento mínimo de um metro, todos elementos da equipa estarão com máscaras faciais e com álcool gel para desinfetar as mãos sempre que necessário. De igual modo, vamos evitar entrar nas casas das pessoas, apostando também nos suportes digitais bem como em gravações áudios para spots, carros com mensagem e audiovisual. Outrossim, iremos promover encontros com jovens, associações diversas e instituições sempre que possível, respeitando as orientações das autoridades sanitárias.

Na sua ótica, quais são os principais desafios a se vencer no Maio?

- A nossa candidatura, se vencermos as eleições, será acima de tudo uma voz ativa de todos os maienses sem exceção, e iremos lutar de sol a sol para a afirmação do Maio dentro do contexto nacional. A nossa candidatura irá defender os interesses e o bem-estar do Maio e suas gentes em todos os momentos. A questão dos transportes merecerá a nossa total atenção, pois que, não haverá desenvolvimento da Ilha com as ligações atuais.

A criação do emprego jovem também será a nossa bandeira de batalha porque o desemprego tem levado a Ilha a perder vários jovens anualmente para outras ilhas por falta de oportunidades locais. É necessário criar empregos seguros e fixos e não os informais que temos assistidos, quinzenais com salários míseros, sem qualquer garantia a não ser com objetivos eleitoralistas para beneficiar a situação.

Influenciar os poderes centrais e locais a envidarem esforços no sentido de apetrechar de melhores condições humanas e materiais o Centro de Formação Profissional do Maio para que possa ter condições de alargar as ofertas formativas em vários domínios, com realce para as prioritárias ao mercado local, evitando assim migrações de jovens para fazer formações em outras Ilhas.

A médio prazo, procurar apoios no sentido de trazer a formação superior para Ilha do Maio, nem que seja a distância porque existem infraestruturas para receber formações a nível de licenciatura. Um outro desafio será pressionar o governo no sentido de alocar recursos para as instituições diversas de apoios às atividades económicas geradoras de rendimentos.

Quais os principais problemas verificados e que considera como obstáculos no desenvolvimento do seu círculo?

- A nossa candidatura identifica como os principais problemas que inviabiliza o desenvolvimento da Ilha: Os serviços deficitários dos transportes aéreos e marítimos, a excessiva partidarização dos serviços camarários e serviços descentralizados do estado, a elevada taxa de desemprego jovem, falta de um centro de juventude e de espaços de lazer para a nossa juventude. Existem ainda poucos incentivos aos operadores turísticos locais bem como aos pequenos empresários, abandono das gentes do campo, agricultores, criadores de gado assim como as pessoas do mar. Isso não obstante algumas investidas acima do tempo regulamentar com a clara intenção de compras de votos e de consciência, medidas eleitoralistas que deviam vir muito antes do prenúncio das datas das eleições legislativas de 18 de Abril de 2021.

Lista de canidatos a Deputados do PAICV pelo Círculo Eleitoral do Maio

1. Edson Valdir Monteiro Alves Rosa
2. Adelaide Lopes de Brito
3. Daniel Moreira de Pina
4. Esmeralda Nascimento Martins
5. Carlos Manuel dos Reis Mendonça

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