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Lesotho depende da lã, mas daí até deputados se esmurrarem… 01 Dezembro 2019

Pelo pêlo arrancam a pele, um e outro chegam-se a roupa ao pêlo: podia-se fazer esta aliteração sobre a briga na casa parlamentar lesothiana na quinta-feira, 28, durante um debate sobre uma nova lei a aplicar ao principal produto de exportação do país.

Lesotho depende da lã, mas daí até deputados se esmurrarem…

A lã das cabras angorá é cognominada fibra de diamante, a denotar o alto valor que obtém nos mercados internacionais. No topo dos países produtores estão a África do Sul, que detém 52 por cento da produção mundial, e também a pequena Lesotho que depende do vizinho gigante para entrar nos mercados internacionais.

Mas a China, que ambiciona tornar-se um grande da fibra de diamante, conseguiu convencer o governo a conceder toda a produção do país a uma concessionária chinesa.

O decreto governamental, de 2018, pôs os produtores em fúria, por serem obrigados a vender à concessionária chinesa que, além disso, paga preços mais baixos.

Os protestos dos últimos dez meses, que levaram produtores de todo o país à capital, Maseru, levaram o governo a recuar e a dar por terminado o contrato com a concessionária chinesa.

Mas uma nova lei obriga os produtores a negociarem eles mesmos a sua produção com os compradores externos em vez de o fazerem através da poderosa África do Sul. Isto quando para os lesothianos a intermediação sul-africana no negócio do angorá tem sido benéfica, já que não têm de pagar os custos da sua posição geográfica sem acesso ao mar, que é uma das vias de transporte do produto.

A discussão da lei no parlamento em Maseru na sessão da quinta-feira, 28, refletiu os novos dissensos no Lesotho. O primeiro sinal foi dado pela ausência do ministro do desenvolvimento empresarial que simplesmente se primou pela ausência, quando a expectativa era que ele ia trazer uma solução.

Com os ânimos exaltados, o presidente da assembleia decidiu suspender a sessão. Foi então que a confusão começou entre os deputados que se agrediam com o que tinham a mão: cadeiras, pastas, tablets…punhos.

A expectativa é que na próxima semana, com os ânimos serenados, a lei possa ser aprovada. Como esperam milhares de famílias que dependem da produção da fibra cara como diamante.

Fontes: BBC/

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