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Líbia: Mais de 40 morrem em raid aéreo sobre Trípoli— Governo acusa rebeldes de Haftar 04 Julho 2019

Pelo menos quarenta das seiscentas e vinte pessoas, com o estatuto de refugiados/migrantes, detidas no quartel militar de Tayura a 15 quilómetros da capital líbia morreram no bombardeio aéreo cerca da uma da manhã desta quarta-feira, 3, segundo o El País. O ministro da Saúde do governo reconhecido pela ONU confirmou o número de quarenta vítimas mortais e atribuiu o ataque aos rebeldes liderados por Jalifa Haftar que desde 4 de abril cercam Trípoli.

Líbia: Mais de 40 morrem em raid aéreo sobre Trípoli— Governo acusa rebeldes de Haftar

“Muitos morreram e outros estão feridos. Todo o hangar veio abaixo e nós estamos fora”, descreveu ao El País via WhatsApp, um dos migrantes detidos no quartel onde estão à espera que o ACNUR-Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados decida a sua sorte.

Uma centena de pessoas estavam a dormir dentro do hangar atingido. Na sua maioria são emigrantes clandestinos de países subsaarianos que foram intercetados pelas autoridades líbias quando procuravam fazer a travessia do Mediterrâneo rumo à Europa.

É à Guarda Costeira da Líbia que compete a vigilância e para isso recebe formação e equipamentos pagos pela União Europeia.

À luz da lei, os subsaarianos estão presos porque são criminosos: "Na Líbia é considerado crime entrar de forma ilegal no país", confirmou o diretor-adjunto do centro à reportagem do El País em 26 último.

A intervenção do ACNUR permitirá dar um estatuto adequado a cada caso. Se um detido obtiver a certificação de que é refugiado, o ACNUR encaminha-o para um país de acolhimento na Europa. Uma decisão que a maioria espera há meses. Mas há quem está no quartel há dois anos à espera, segundo o El País.

Reportagem ouviu queixas

Uma semana antes, a reportagem do El País estivera no local. Ouviu detidos que contaram as más condições do centro. Só tinham uma refeição por dia e eram alvo de agressões físicas dos militares.

O repórter ouviu queixas dos homens encerrados no quartel com muros altos e portões de ferro. Uma sobre os telemóveis — reduzidos agora a "quatro para todos os 620"— que têm de "esconder porque senão os guardas roubam-nos".

Outra, a história dum homem de braço engessado, contada por um dos outros detidos: "Há dias partiram-lhe um braço. Mas não podemos denunciar isso porque depois haverá represálias", sussurrou enquanto outro desabafava "Isto não é um refúgio, mas uma prisão", escreveu o repórter do El País na edição do dia 28 último.

A escassez alimentar foi confirmada pelas autoridades, que no entanto negaram a autoria de quaisquer maus-tratos aos detidos.

O diretor do quartel confirmou que sabe da existência dos telemóveis, cuja utilização é proibida.

Fontes: El País/Reuters. Foto: O antes (à direita, em foto de 26 último) e o depois do ataque ao centro de detenção de imigrantes ilegais, perto de Trípoli.

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