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Líder da oposição: PAICV quer combater a hegemonia política em Cabo Verde e conquistar 8 Câmaras em 2020 07 Abril 2019

O PAICV quer conquistar oito Câmaras Municipais nas autárquicas de 2020 e combater assim a situação de hegemonia política que se vive atualmente em Cabo Verde - MpD governa 20 dos 22 municípios, incluindo os dois grupos independentes no poder na Boa Vista e São Nicolau que são próximos dele, mais o Presidente da República e a maioria parlamentar que sustenta o Governo. É que, segundo alerta a líder Janira Hopffer Almada, é preciso perguntar se essa “hegemonia política” tem traduzido na melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos e no próprio desenvolvimento do país.

Líder da oposição: PAICV quer combater a hegemonia política em Cabo Verde e conquistar 8 Câmaras em 2020

Estas afirmações da presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) aconteceram à margem do segundo encontro com os Presidentes das Comissões Políticas Regionais, que terminou este sábado,06, na cidade da Praia.

A reunião tinha por fim preparar a máquina tambarina para as próximas eleições autárquicas de 2020 - apreciar os trabalhos desenvolvidos pela Comissão Nacional Preparatória das Autárquicas e as linhas gerais de orientação estratégica a serem seguidas pelas estruturas regionais e concelhias na preparação das listas de candidaturas e durante a campanha eleitoral.

Janira Hopffer Almada assegura que as eleições autárquicas de 2020 são estratégicas para o partido. Por isso, defende que será necessário um trabalho extraordinário numa «mobilização sem precedentes” para aumentar o “score” eleitoral e conseguir oito câmaras municipais. Sobre este particular, uma outra fonte deste jornal precisa que o PAICV tem encontrado melhores terrenos em alguns municípios com fraco desempenho, mas que não especificou, principalmente em Santiago, Fogo e Santo Antão.

Diante tudo isto, a líder do maior partido da oposição fez questão de realçar que o encontro deste sábado na Capital teve como como meta preparar as estruturas de bases para vencer o desafio de conseguir em 2020 oito câmaras municipais - igual número alcançado na legislatura que terminou em 2016, que reduziu para duas autarquias (Mosteiros e Santa Cruz de Santiago).

Referindo-se ao quadro atual, Janira Hopffer Almada alerta para o perigo da hegemonia política que se vive em Cabo Verde - entrega de todo o poder ao MpD, apelando para a necessidade de mudanças no próximo ciclo político que começa com as autárquicas de 2020. “É importante que os cabo-verdianos comecem a pensar e a reflectir sobre o facto de termos, nesse momento, uma hegemonia política no país, com um Governo suportado por um partido, esse mesmo partido a suportar a maioria das câmaras municipais e com um Presidente da República apoiado por esse mesmo partido”, notou a líder do PAICV, citada pela Inforpress.

Para Janira Hopffer Almada, é preciso perguntar se essa “hegemonia política” tem traduzido na melhoria das condições de vida das populações e no próprio desenvolvimento de Cabo Verde.

Câmaras e órgãos da soberania como caixa de ressonância do Governo

“O que nós temos assistido muitas vezes é que alguns órgãos de soberania ao invés de defender os interesses do povo, de promover bens comuns, estão mais preocupados em defender posições do partido, de modo a terem o mesmo discurso”, denunciou a presidente do PAICV.

Sobre essa situação, exemplificou com o não pronunciamento de nenhum órgão de soberania sobre o caso da privatização dos TACV, “vendido por 48 mil contos que ainda não foram recebidos”, lembrando que “por muito menos” outros diplomas foram vetados quando o PAICV era Governo.

Por outro lado, considerou que não é normal que se tenha uma câmara municipal, referindo à edilidade praiense, a investir cerca de 500 mil contos numa praça, quando a cidade tem apenas 40 por cento das casas ligadas à rede de esgotos.

“Governar também é definir prioridades é sobretudo defender interesses das pessoas e promover o interesse, o que temos constatado é que as câmaras municipais têm se transformado em caixa de ressonância do Governo”, conclui a líder do maior partido da oposição citada pela Inforpress.

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