ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Líder da oposição alerta que Cabo Verde não vai bem: Janira Hopffer Almada pede nova maioria da Esquerda liderada pelo PAICV contra o Governo Neo-Liberal do MpD 31 Julho 2020

A líder do maior partido da oposição defendeu, hoje, no debate parlamentar sobre o estado da nação, que Cabo Verde não vai bem. «O País está deprimido, pelas prioridades trocadas. O País está atónito, com o grau de incumprimento das promessas eleitorais (parte do programa foi rasgada). E o País está descrente da capacidade deste seu (Ulisses Correia e Silva) Governo, para enfrentar a crise e tomar as medidas necessárias», descreveu Janira Hopffer Almada, que apela aos cabo-verdianos para, nas próximas eleições, provocarem a mudança política com a eleição de uma nova maioria da Esquerda Progressista liderada pelo PAICV, contra o atual Governo Neo-Liberal do MpD, que defende o Estado mínimo e desmantela a regulação.

Líder da oposição alerta que Cabo Verde não vai bem: Janira Hopffer Almada pede nova maioria da Esquerda  liderada pelo PAICV  contra o Governo Neo-Liberal do MpD

Para a presidente do PAICV, o Estado da Nação já era mau antes da Pandemia. «Com a Pandemia, a situação ficou dramática. Todos sabemos que a Pandemia teve impatos em Cabo Verde. Por isso mesmo, todos apoiamos as medidas para a mitigação desses impactos».

Janira Hopffer Almada fundamenta que a inexistência de investimentos na agricultura e nas pescas, bem como a falta de solução nos transportes, não começaram com a Pandemia. Lembrou que antes disso não se conseguiu gerar os 45 mil empregos, a Saúde já tinha deixado de ser um direito e a gestão de solos já era problemática. «O País não tinha política de habitação. O sector das telecomunicações carecia de visão estratégica. A atualização salarial foi arquivada e o crescimento propalado não era sentido».

Antes da Pandemia, continua a descrever a líder da oposição, Cabo Verde já tinha recuado em muitos indicadores. «Por isso, não é razoável que o seu Governo (Ulisses Correia e Silva) Neoliberal queira, agora, atribuir todas as culpas, pela situação dramática da Nação, à Pandemia do Covid-19, ‘zerando” os 4 anos de mandato, que antecederam essa mesma Pandemia», enumerou JHA, que revisitou o incumprimento dos compromissos que o chefe do governo fez com os cabo-verdianos, Ilha por Ilha, com o slogan “Cabo Verde tem Solução”. Sublinhou que se pode rasgar,neste particular, estas partes do programa do atual governo do MpD. Esta passagem da comunicação da líder da oposição irritou a maioria, tendo o vice-Primeiro-ministro, o minsitro do Estado e da Presidencia do Conselho de Minsitros, a presidente da bancada ventoinha, Joana Rosa, e outros parlamentares exercido réplicas neste sentido.

Por uma nova Maioria Progressista para todos

Com olhos postos nas próximas eleições, Janira Hopffer Almada anunciou que está a trabalhar para que os cabo-verdianos tenham uma nova maioria da Esquerda Progressista, liderada pelo PAICV. «Enquanto um Governo Neo-Liberal, como este (do MpD), defende o Estado mínimo e desmantela a regulação, um Governo progressista, suportado pelo PAICV, reconhece o papel do Estado e não tem medo de promover e reforçar a regulação, com a necessária autonomia e independência», esclareceu.

Para a mesma fonte, um Governo Neo-Liberal, como o do MpD, a questão dos Transportes se resume a contas. «Para nós o Estado não pode estar a suportar uma Empresa Privada, de capital maioritariamente estrangeiro (como é o caso da Cabo Verde Airlines), e os cabo-verdianos não terem qualquer poder de decisão».

Dirigindo-se ainda ao Primeiro-ministro, Janira Hopffer Almada acrescentou que Ulisses Correia e Silva fez do emprego a sua maior promessa para os Jovens Cabo-verdianos, mas que ficou apenas no papel. «De 45.000 empregos prometidos, o Senhor Ulisses Correia e Silva conseguiu destruir, em 2017 e 2018, cerca de 15 mil empregos (com o país a crescer a 5% conforme propalou). E, não podendo gerar os empregos dignos que prometeu, mesmo com o país a crescer 5 vezes mais, como propalou, o senhor (PM) viu-se obrigado a massificar os estágios profissionais, como se estágio fosse emprego digno, e menosprezando as expectativas que criou à Juventude cabo-verdiana. E só contabilizando os estágios profissionais como empregos, se conseguiu forjar uma descida da taxa de desemprego, sem nunca se ter conseguido, entretanto, dizer aos jovens, em que Ilhas, Municípios ou Concelhos, esses empregos terão sido criados».

A presidente do PAICV sublinhou, por outro lado, que o pecado-capital, desta Governação Neo-Liberal do MpD, foi a falta de transparência na gestão da coisa pública, que, pelos últimos relatos públicos, não começou agora. «Vem desde os seus tempos da Câmara Municipal da Praia, onde a gestão de terrenos foi, ao que tudo indica, lesiva do interesse publico. Por isso, o chumbo que a sua Bancada impôs à Lei de Transparência Ativa, do PAICV, não nos causou espanto. De igual forma, o seu modelo de governação, confirmado no chumbo da sua Bancada, à proposta de Lei do PAICV, sobre os Concursos Públicos, também não nos surpreendeu. Afinal, a sua prioridade era fazer nomeações, sem concurso, de entre o pessoal “Ventoinha”, como veio a acontecer no INPS, na ASA, na ENAPOR, na CVTELECOM, no IEFP, no IFH, na Casa do Cidadão, nos Correios de Cabo Verde, nas Direções Nacionais e Gerais, de entre tantos outros casos».

Reformas do Estado e nova forma de governar o país

A mulher mais guerreira na vida política de Cabo Verde perspetivou que o próximo Debate sobre o Estado da Nação será com um novo Governo. «E, com a confiança que esperamos merecer dos cabo-verdianos, será também com uma Nova Maioria.Com uma Nova Maioria que ame este País, que defenda este Povo, que promova um crescimento sentido por todos, que lute contra a pobreza e que assuma a sua responsabilidade social».

A líder do PAICV anunciou que o seu partido trabalhou, durante estes 4 anos e meio de Oposição, num projeto de Sociedade e de Governação, para construir um Cabo Verde com que todos nós sonhamos. «Estamos preparados para assumir os desafios que o País enfrenta, neste momento particularmente difícil e exigente. Depois das próximas Eleições Legislativas e esperando a confiança dos cabo-verdianos no nosso Projeto, vamos governar o País com patriotismo, com verdade, com responsabilidade, com seriedade, com transparência e com realismo», perspetiva a presidente do PAICV, para quem o seu projeto de Governação terá um foco: Construir um Cabo Verde para Todos.

«Construir um Cabo Verde para todos, implica, desde logo, avançar com Reformas. Cabo Verde precisa, como de “pão para a boca”, de um modelo de governação que sirva melhor as pessoas e promova o desenvolvimento mais equilibrado de todo o território nacional. Na verdade, Cabo Verde precisa de uma ampla e profunda Reforma do Estado, com desconcentração da Administração Central do Estado», sustentou.

Detendo-se ainda sobre este particular, Janira Hopffer Almada defendeu tratar-se de qualificar a governação territorial, reduzindo o custo do Estado e melhorando a sua eficiência. «O que nós queremos, e propomos aos cabo-verdianos, é um Estado dimensionado à medida do que os cabo-verdianos podem suportar. Com estruturas e custos de funcionamento reduzidos, para podermos libertar recursos para os serviços essenciais para a população. O Partido que tenho a honra de liderar, trabalhará, afincada e corajosamente, para “emagrecer” alguns Corpos, como o legislativo e o executivo, o que pressupõe, desde logo, uma redução do número de Deputados, e, também, uma redução da Estrutura do Governo e da Administração Directa, Indirecta e Autónoma do Estado. Também estamos determinados em trabalhar para aprofundar a democracia, como condição para o desenvolvimento», enumerou a líder da oposição, que defendeu ainda a limitação de mandatos de todos os titulares de Cargos Políticos.

«Nesta sede, a nossa prioridade será moralizar a gestão da coisa pública, apostando na competência, mas também garantindo o reforço dos mecanismos de controlo de riqueza, de todos quantos assumam funções públicas e politicas, a par da responsabilização pelas práticas lesivas daqueles que tenham, nas suas mãos, a gestão da coisa pública, começando pelos terrenos», perspetivou a candidata à chefia do governo de Cabo Verde nas legislativas de 2021.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project