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Linda de Suza: Ascendeu da miséria no Alentejo a rainha do Olympia de Paris 28 Dezembro 2022

A França deu à jovem Linda, ostracizada, o que o seu Portugal sob a ditadura lhe negou. Mãe-solteira em fuga com um bebé, eternizou a odisseia de emigrante na música "Un portugais" e no livro "Mala de cartão". Seguiu-se a fama e consagração no país de acolhimento, a internacionalização, milhões de discos vendidos e a fortuna — "que se dissipou".

Linda de Suza: Ascendeu da miséria no Alentejo a rainha do Olympia de Paris

As rádios e televisões e outros media franceses, da imprensa séria Le Monde e Le Figaro à imprensa marron, fazem hoje manchetes com a franco-portuguesa Linda de Suza, nascida Teolinda Joaquina de Sousa Lança em Beringel no Alentejo há 74 anos.

A sua biografia dá conta que a mãe a deixou num orfanato, o asilo D. Pedro V, no Barreiro, dos 5 aos 11 anos. Depois, trabalhou numa fábrica têxtil na mesma vila operária da Grande Lisboa e como empregada doméstica na Amadora.

Mãe de João Lança, nascido em 1968, saiu clandestinamente para França em 1970, com o filho. Durante dez anos trabalhou em Paris como mulher-a-dias e entretanto começou a revelar a sua voz. No final da década de 1970 é descoberta por agentes discográficos e começa o sucesso inesperado.

A sua voz "melodiosa e melancólica" conquistou Paris e Linda de Suza esgotava plateias sucessivas no Olympia. Foi em especial entre os anos de 1980 e 1990s a amada ’Linda portugaise’ dos franceses e a cognominada Amália de França, pelos imigrantes de Portugal em França.

Os seus milhares de admiradores atribuíram à sua discografia imensos galardões de ouro e platina. Regista entre esses anos de 1980 e 1990s mais de 20 milhões de discos e quase 5 milhões de exemplares do livro (na foto, à esqª).

Confissões. Em 2018, por ocasião do lançamento duma recolha de "Best of", recordou a miséria da sua infância "numa casa sem água nem eletricidade, fazíamos necessidades num balde". A falta de afeto era tanta que "nunca a minha mãe me deu um beijo", evocou.

Intérprete da suadade. Dor, matéria da sua música como nos êxitos "Uma moça chorava" e "Lisboa". Aos 71 anos ao evocar que em 1983, quando atuou pela primeira vez no Olympia de Paris, mandou buscar a mãe em Portugal para vê-la ao vivo, desabafou: "Não tive um sentimento de vingança. Tive orgulho que ela tivesse vindo ver-me".

Cantora de emigrantes. O sucesso na carreira rendeu-lhe muito dinheiro. Mas em 2010 foi noticiado na imprensa que a cantora foi vítima de várias fraudes e sofre de distúrbios psicológicos.

Arruinada, denunciou que não recebia "quase nada" de direitos de autor nem da Caixa de Aposentações de França. Só em 2015, a artista terá passado a receber meros 400 euros de reforma.

Há três meses, a cantora foi internada em estado muito grave num hospital francês. Morreu hoje, aos 74 anos, devido a "insuficiência respiratória" na sequência de uma infeção por Covid-19, anunciou o filho e agente em comunicado.

Fontes: Le Monde/LE Figaro/DN.pt. Fotos: Morreu hoje, aos 74 anos, devido a "insuficiência respiratória" na sequência de uma infeção por Covid-19, anunciou o filho e agente em comunicado. Os media franceses fazem hoje manchete com a portuguesa Teolinda de Souza renascida em Linda de Suza, francesa.

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