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Literatura: Txalê Figueira apresenta na Praia “Txon Vendido” 12 Novembro 2021

O escritor Txalê Figueira apresentou, esta sexta-feira, 12, na Biblioteca Nacional, Cidade da Praia, o livro “Txon Vendido”, uma crítica sobre como os cabo-verdianos pensam e qual é a ideia que têm do futuro de Cabo Verde.

Literatura: Txalê Figueira apresenta na Praia “Txon Vendido”

À Inforpress, o autor explicou que a obra foi iniciada com o livro “Solitário”, que narra uma história de ficção sobre as ilhas de Cabo Verde que são invadidas pelas areias onde existe um Governo e Presidente “super corrupto” e há um plano diabólico dos Estados Unidos e a Europa de quererem fazer de Cabo Verde um cemitério de lixo nuclear.

“É uma crítica sobre o nosso Cabo Verde, o futuro do país sobre o que os cabo-verdianos pensam. É isso a história do “Txon Vendido” e de quererem vender, mas que na minha ótica não se vende porque durante 500 anos vivemos sempre em flagelo e quando as coisas apertavam sempre sobrevivemos porque aparece qualquer coisa que nos salva, como por exemplo a chuva”, referiu.

Para o autor, o desejo é que Cabo Verde mude de rumo e a forma como os cabo-verdianos estão a viver, sendo que, no seu entender, há muitas ilusões, onde o dinheiro é tudo, o povo é esquecido e o arquipélago não é tratado como devia ser. Por outro lado, disse que a obra é uma critica também a forma do neocolonialismo da Europa e dos grandes poderes que vem assombrar o país porque tem certos interesses, e Cabo Verde fica sempre como vítima dessas políticas e das forças desses mais poderosos.

“Eu tenho a minha visão daquilo que é a política cabo-verdiana hoje em dia, eu vejo coisas que talvez outras pessoas não veem, não sou político, mas sou um cidadão que está atento àquilo que se passa no nosso país e tenho essa forma de exprimir aquilo que eu sinto e faço isso nos meus livros e na minha poesia”, acrescentou.

Txalê Figueira disse esperar que as pessoas compram o livro e façam uma reflexão, crítica e, talvez, escrevam para os jornais sobre aquilo que leram, apesar de em Cabo Verde “muitas pessoas” não terem acesso aos livros”. Avançou que neste momento já tem uma proposta para a obra, que vai ser lançada sob a chancela da Livraria Pedro Cardoso, ser adaptada a uma peça de teatro.

Txalé nasceu na cidade de Mindelo, São Vicente, em 1953. Aos 17 anos emigrou-se para Holanda, onde foi viver na cidade de Roterdão. Porém, permaneceu pouco tempo nessa cidade, viajando por vários países da Europa, Ásia e Américas. Em 1974, instalou-se em Basiléia (Suíça), onde frequentou a escola de belas artes, definindo o território suíço como a base da sua evolução artística. Regressou a Cabo Verde em 1985 e residiu entre a Cidade da Praia, onde possui um ateliê, e a cidade de Mindelo, onde abriu em dezembro de 2014 a galeria “Ponta D’Praia”.

Tchalê Figueira possui uma vasta coleção pictórica, reconhecida em diversos países, fruto das diversas exposições concretizadas ao longo do seu percurso artístico. Como poeta e romancista publicou “Todos os Naufrágios do Mundo” (1992), “Onde os Sentimentos se encontram” (1998), “O Azul e Luz” (2002), “Solitário” (2005), “Ptolomeu e a sua Viagem de Circum-navegação”, (2005), “Contos de Basileia” (2011), “A Viagem” (2013). Lançou ainda “A India que todos procuramos” (2014), “Solitude Blues”, “Uma Pequena Odisseia Mindelense”, “Moro Nesta Ilha Há Mais de Cinquenta Anos & Outros Contos” (todos em 2016), “Curtos – 7 contos” (2017), “Idade Poética” (2018) e “A Viagem” (Reimpressão revista e alterada, 2019). A Semana C/Inforpress

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