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Livraria Nhô Djunga/Bruno Martins: Com Idas e vindas, a ideia nunca é desistir deste espaço da música e de livros 07 Maio 2021

A pandemia dificulta, desorganiza, enfim um imbróglio que nos enche de incertezas. Incertezas que estão patentes que qualquer setor de atividade neste momento. A livraria Nhô Djunga, localizada no centro do Mindelo, na Rua Senador Vera-Cruz, viu-se por várias vezes a reabrir e a fechar por causa dos altos e baixos desta pandemia. Mas, conforme Bruno Rendall Martins, a ideia é “reinventar” e não dar o espaço por terminado. Desde 2011, esse espaço já viveu dias melhores com concertos todos os dias e artistas a soltarem os sons mais inspiradores da Cultura cabo-verdiana.

Livraria Nhô Djunga/Bruno Martins: Com Idas e vindas, a ideia nunca é desistir deste espaço da música e de livros

Em entrevista ao Asemanaonline, Bruno Martins, sobrinho de João Cléofas MARTINS, mais conhecido por Nhô Djunga, diz que o nome dado a livraria foi uma homenagem ao tio.

“Ele fazia uma política de uma forma diferente através de rádio contra a colonização”, acrescenta Martins que lembra que este homem foi também filósofo e um humorista.

A Livraria Nhô Djunga que inicialmente era para ser um lugar para venda de livros, mas que depois com a introdução de instrumentos para venda, os livros passaram a ficar no segundo plano, dando lugar também a uma pequena cafetaria que é agora um bar.

“Com o passar do tempo começaram a chegar artistas para experimentar os instrumentos e a tocar. Começamos a ouvir o cantor Bau, o Tolass, o pessoal do Kolá, Pinuria, Vojinha logo o musical começou a concentrar-se neste espaço, e em pouco tempo a parte da música veio sobrepor a livraria, prontamente comecei com concertos”, aponta este responsável lembrando que a Livraria, até antes da pandemia, já fez cerca de 1400 concertos oficiais com cartazes, com divulgação neste espaço.

Com esta pandemia da covid-19, o mesmo aponta que do inicio desta crise até ao momento, os concertos são escassos e que durante este ano nada se tem feito, com exceção de um último concerto que aconteceu no passado mês de março.

“Com o abrir e fechar, resolvemos continuar fechados. Eram 3 concertos por semana com 9 músicos. Pagamos uma quantia nos caches até gostaria de pagar mais, mas neste momento está difícil. Não temos nenhum apoio”, frisa.

Para o sobrinho de Nhô Djunga, o importante não é terminar com este negócio, mas sim encontrar forma de “reinventar e adaptar-se a esta nova realidade” que todos estão a viver, e com o novo horário estabelecido pelas autoridades não dá para fazer planos por enquanto, já que não se sabe “até quando a doença vai durar”.
Bruno garante que é neste espaço, onde todos os artistas se encontram, e que antes da pandemia os concertos aconteciam todos os dias, mas que agora, conforme avança, os músicos estão “desmotivados”.

Eu tenho “safado” porque gosto disso e é isso que quero fazer. Este espaço implica custos e é uma situação delicada, mas estou a pensar em reinventar o negócio, tentar fazer algo de dia, com música, com café, com instrumentos e esperar que essa situação da pandemia de covid-19 chegue ao fim.

A Livraria Nhô Djunga continua a manter os seus 2 funcionários e tentar renegociar para ver como as coisas vão acontecer, depois deste estado de calamidade. O responsável admite que o que sustenta o espaço são os concertos, já que há “muita pouca procura de livros” e que não dá para sustentar o negócio só com a venda de livros.

Bruno atribui uma importância sem igual a este espaço, que segundo diz, houve uma fusão dos antigos “dinossauros da música” e a nova geração, mas é pena que esta pandemia fez e continua a fazer muitos estragos a todos”.

Segundo a mesma fonte, os artistas de Cabo Verde quase todos passaram pela livraria através dos concertos oficiais como também de espontaneidade, nomeadamente Bau, Vojinha, Gabriela Mendes, Fanane Toske, artistas internacionais, guitarristas como Ivan Medina e Morgadinho que já organizou uma despedida com a família.

Revela que, às vezes, eram feitas exposições de quadros, encontros sobre poesia e muitos concertos improvisados no local. Salienta que a maioria dos seus clientes (60 %) eram turistas, e que o nosso espaço é muito conhecido e as plataformas digitais nos mostram também o espaço como referência para os turistas.

Por serem concertos intimistas, Bruno considera que o espaço é suficiente, mas que obviamente que c essa pandemia dificulta tudo. A ideia sempre foi continuar neste espaço, que foi importante para Nhô Djunga e cidade do Mindelo.

O entrevistado deste jornal acredita que os nossos artistas, em particular nossos músicos, precisam de apoio e essas casas de shows que são suporte para eles precisam de ser vistas de outra forma e que muita coisa pode ser feita.

João Cleofas MARTINS “Nhô Djunga”, o patrono do espaço com o mesmo nome, faleceu a 27 de agosto de 1970 no Mindelo, na véspera do dia em que completaria 69 anos de idade.

AC/Redação

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