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Lula da Silva não deverá anular as principais reformas de Bolsonaro - S&P 07 Novembro 2022

A agência de notação financeira Standard & Poor’s considerou hoje que o novo Presidente eleito do Brasil, Lula da Silva, não deverá reverter as principais reformas que levaram a um aumento do investimento privado nos últimos anos.

Lula da Silva não deverá anular as principais reformas de Bolsonaro - S&P

"A maior parte das revisões regulamentares e o enquadramento para as concessões não foram emendas constitucionais, mas revertê-las por completa implicaria uma maioria simples no Congresso, algo que o Partidos dos Trabalhadores (PT) não tem", apontam os analistas desta agência de ’rating’.

"Devido à fraquíssima capacidade do governo para investir, acreditamos que o governo de Lula não terá incentivos para reverter completamente as mudanças promovidas pelo governo de Bolsonaro, que levaram a níveis mais elevados de investimentos do setor privado nos últimos anos", afirma a S&P numa nota sobre o que esperar do próximo governo brasileiro.

Na nota, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, a S&P salienta que não espera uma aceleração significativa no crescimento da economia brasileira, vincando, pelo contrário, que o desempenho económico é uma principais fraquezas do ponto de vista da análise da qualidade do crédito.

"Apesar das âncoras institucionais serem relativamente estáveis, da estrutura económica diversificada e de um forte setor externo, a tendência de crescimento do Brasil está estimada em 1,8% entre 2022 e 2024", diz a S&P, que reviu a previsão de crescimento do Brasil para este ano, de 0,8% para 2,5%.

"Os esforços das autoridades monetárias para conter a inflação vão resultar em condições mais adversas para o financiamento doméstico e global, o que vai fazer com que o crescimento abrande para 0,6% em 2023", estimam os analistas, que consideram que com novas políticas macroeconómicas e condições de financiamento mais favoráveis, o PIB pode acelerar para um crescimento de 2% em 2024 e 2025, o que, apesar de ser positivo face à expansão média de 0,4% entre 2012 e 2021, está ainda bem abaixo da média dos mercados emergentes a nível mundial.

Luiz Inácio Lula da Silva ganhou as eleições presidenciais de domingo por uma margem estreita, recebendo 50,9% dos votos, contra 49,1% para Jair Bolsonaro, que procurava um novo mandato de quatro anos.

Lula da Silva assumirá novamente a Presidência do Brasil em 01 de janeiro de 2023 para um terceiro mandato, após ter governado o país entre 2003 e 2010. A Semana com Lusa

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